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Governo liberou liquidez, mas empresários reclamam: cadê o dinheiro?

Governo liberou liquidez, mas empresários reclamam: cadê o dinheiro?

27/03/2020 às 12h43 Atualizada em 27/03/2020 às 15h43
Por: Redação
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Foto: Reprodução
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Apesar dos estímulos, os bancos não estão concedendo linhas novas e, quando estão, é com taxas mais altas e prazos mais curtos.

O Banco Central (BC) adotou medidas que injetaram 1,2 trilhão de reais em recursos no mercado, mas o dinheiro não está chegando às companhias. A despeito das medidas que liberaram liquidez para os bancos, as instituições não estão concedendo linhas novas e, quando estão, é com taxas mais altas e prazos mais curtos.

Quem pode está captando com custo elevado em modalidade que permita pré-pagamento em condição mais vantajosa. Mas é para poucos. Quem precisa mesmo não está conseguindo acessar o dinheiro para o sufoco da crise, e diversas companhias estão assistindo sua linha de receita simplesmente desaparecer.

A queixa é generalizada. Para especialistas, o grande problema é que a questão do risco não foi resolvida. Os bancos estão se comportando como aprenderam em crises anteriores: se o risco sobe muito, o dinheiro some. Eles próprios sentaram em cima, no aguardo do estrago que pode ocorrer em suas carteiras já contratadas.

Não há dados organizados suficientes e nenhuma companhia está querendo falar em voz alta qual a taxa que obteve, isso quando conseguiu alguma linha de crédito. Quem recebeu porta na cara também não quer contar. Elas entendem que falar tudo isso, no lugar de pressionar bancos e governos a medidas mais criativas e efetivas, vai prejudicá-las ainda mais. Há um clamor coletivo por iniciativas concretas, mas ninguém quer expor seu absurdo particular.

Para quem atua no mercado de crédito, a visão do absurdo começa a despontar com a abertura rápida no retorno dos papéis de mercado secundário – bônus e debêntures que foram emitidas com taxas de CDI mais 0,5% ou CDI mais 1,5% oferecem um desconto que estão elevando o retorno para CDI mais 5% ou 6% – para companhias sem perspectiva de interrupção dos negócios. “E vai piorar, se nada for feito.”

Para combater a situação, cada um tem uma receita. Em comum: uma forma, com ou sem BNDES, de ampliar demanda por esses papéis, o que impactaria as taxas que os bancos também estão pedindo. O dinheiro não precisa vir todo do governo, só a segurança, segundo análise de executivos ouvidos pela EXAME. Isso também ajudaria a conter o tamanho do prejuízo no sistema que os resgates em fundos de crédito podem causar. Essa é uma onda que está só começando.

 

Fonte: Revista Exame

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