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Itamaraty cobra explicações da Argentina após declarações de Milei e mantém embaixador no Brasil

Chanceler Mauro Vieira classificou as manifestações do presidente argentino como “ríspidas, grosseiras e inaceitáveis”, enquanto o Itamaraty mantém o embaixador brasileiro em consultas em Brasília.

28/07/2026 às 14h45
Por: Redação Fonte: Brasil247
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Foto: wikipedia
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O governo brasileiro elevou o tom da resposta diplomática à Argentina após as declarações do presidente Javier Milei durante um evento político realizado em São Paulo. O Ministério das Relações Exteriores convocou o embaixador argentino no Brasil, Daniel Raimondi, para prestar esclarecimentos e decidiu manter, sem previsão de retorno a Buenos Aires, o embaixador brasileiro Julio Bitelli, chamado a consultas em Brasília.

A posição foi comunicada pelo ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, durante reunião com o representante argentino. O chanceler afirmou que o governo brasileiro considera as declarações de Milei "ríspidas, grosseiras e inaceitáveis" e cobrou explicações sobre o fato de o presidente argentino ter feito críticas a autoridades brasileiras durante sua visita ao país. Segundo Vieira, "todo o episódio é extremamente grave e inaceitável. Mas, nós temos de trabalhar pelo entendimento entre as nações. A diplomacia é feita de conversas".

As declarações ocorreram durante a convenção nacional do PL, realizada no último sábado (25), em São Paulo. No evento, Milei fez críticas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes. A participação de outras autoridades do governo argentino na agenda também ampliou o desconforto diplomático entre os dois países.

Como resposta, o Itamaraty convocou o embaixador argentino para transmitir oficialmente a posição do governo brasileiro e chamou o embaixador Julio Bitelli para consultas. No protocolo diplomático, esse procedimento representa um sinal de forte insatisfação entre os países, embora não signifique o rompimento das relações bilaterais. Até o momento, não há previsão para o retorno do diplomata brasileiro à Argentina.

Segundo o Ministério das Relações Exteriores, não há precedentes de um chefe de Estado estrangeiro visitar o Brasil e realizar ataques ao presidente da República, ao Poder Judiciário e às instituições democráticas em território nacional. O governo brasileiro informou que aguarda uma manifestação oficial das autoridades argentinas antes da normalização da representação diplomática.

Apesar da escalada da crise, especialistas avaliam que a expectativa é de manutenção dos canais diplomáticos, considerando a importância da relação entre Brasil e Argentina, principais parceiros comerciais no Mercosul. A evolução do impasse dependerá das próximas manifestações do governo argentino e das tratativas conduzidas pelos dois países.

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