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Lira e Pacheco tentam última cartada para preservar orçamento secreto

Lira e Pacheco tentam última cartada para preservar orçamento secreto

07/12/2022 às 07h55 Atualizada em 07/12/2022 às 10h55
Por: Redação
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Foto: Reprodução
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Os presidentes do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), e da Câmara dos DeputadosArthur Lira (PP-AL), prepararam uma proposta de resolução criando uma nova regra para a aplicação do dinheiro do orçamento secreto, numa espécie de última cartada para tentar evitar que esse tipo de emenda seja declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, no julgamento que começa nesta quarta-feira (7).

Segundo integrantes do parlamento com acesso à minuta, que começou a circular na segunda-feira (5), o critério para a distribuição dos recursos seria o tamanho de cada bancada.

Os partidos com mais parlamentares receberiam a maior parte da verba, a ser administrada pelos líderes de cada partido no Congresso. Além disso, passaria a ser obrigatório destinar pelo menos metade do dinheiro a gastos com saúde.

Segundo esses interlocutores de Arthur Lira, a ideia é levar a proposta aos ministros do Supremo para tentar produzir uma solução que evite a simples extinção das emendas de relator.

Embora uma ala do STF seja favorável à "modulação – a adoção de mudanças que dêem mais transparência aos critérios de destinação dos recursos e também explicitem que parlamentares são seus "donos" -- o mapa de votos no Supremo indica que a maioria dos 11 ministros está disposta a extinguir essa categoria de emendas.

Essa tendência ganhou força com a recente movimentação de Lula nos bastidores. Nos últimos dias, o presidente eleito conversou diretamente com pelo menos cinco ministros do Supremo para garantir que tem interesse no fim do orçamento secreto.

A sinalização foi considerada importante pelos magistrados para demarcar a posição do petista. Isso porque, embora Lula tenha chamado essas emendas de "excrescência" na campanha e dito mais de uma vez que elas tinham que acabar, o PT recuou quando começaram as negociações para a aprovação da emenda constitucional que daria ao novo governo uma licença para furar o teto de gastos e pagar R$ 600 reais de Bolsa Família por mês em 2023.

A Lira e seus aliados, os petistas dizem que não vão se opor à continuidade do orçamento secreto, e sugerem que não querem lutar duas batalhas de uma única vez.

Mas, fora do alcance da visão do Congresso, parlamentares aliados como o senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) e Paulo Teixeira (PT-SP) tem visitado ministros do Supremo para discutir o assunto, sempre deixando claro que a preferência de Lula é pela extinção dessa categoria de emenda.

Acontece que o grupo mais próximo a Lira e Pacheco no Congresso não está gostando nada dessa estratégia do novo governo. E já mandou avisar que, "se Lula trabalhar para derrubar as emendas de relator, não tem PEC".

Só neste ano, foram destinados R$ 16,5 bilhões de reais no orçamento para essas emendas, administradas pelo presidente da Câmara, Arthur Lira (R$ 11,5 bilhões), e do Senado, Rodrigo Pacheco (R$ 5 bilhões).

São emendas de aplicação obrigatória, em que o dinheiro não depende de autorização do Executivo para ser liberado. É chamado de secreto porque não há como saber ao certo quem apadrinhou cada emenda e nem por que o dinheiro está sendo enviado para um local e não para outro.

As novas regras que os parlamentares agora vão apresentar aos ministros do Supremo já são uma segunda tentativa de chegar a um acordo com o tribunal para manter as emendas.

Em dezembro de 2021, a ministra do Supremo Rosa Weber atendeu a um pedido de liminar de quatro partidos (Cidadania, Rede, Psol e PV) e suspendeu os pagamentos, considerando que a "distribuição dos recursos sem critérios técnicos e por interesses políticos "viola os princípios da publicidade e da impessoalidade dos atos da administração pública".

Depois disso, o Congresso concordou em enviar para o Supremo os ofícios dos parlamentares que indicavam quem eram os padrinhos de cada emenda e para onde o dinheiro foi enviado.

Rosa, então, liberou os pagamentos até o julgamento do mérito da questão – ou seja, se as emendas são inconstitucionais e devem ser extintas ou não. É isso o que deve começar a ser decidido amanhã (7).

O compromisso com o Supremo, porém, nunca foi completamente cumprido, e até hoje há fatias do orçamento secreto cujo destino e seus padrinhos são ignorados.

Fonte: O Globo

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