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Emirados Árabes deixam a Opep e ampliam tensão com Arábia Saudita

Saída do segundo maior integrante do cartel do petróleo impacta mercado internacional, expõe disputas regionais e reforça nova estratégia econômica de Abu Dhabi

29/04/2026 às 08h13
Por: Redação
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Os Emirados Árabes Unidos anunciaram a saída da Opep, organização que reúne grandes países exportadores de petróleo. A decisão provoca efeitos no preço internacional do barril, amplia incertezas sobre o futuro do mercado energético e representa um revés político para a Arábia Saudita, principal liderança do grupo. Analistas avaliam que a guerra no Irã pode ter acelerado o movimento, embora o rompimento já fosse considerado provável.

Responsáveis por cerca de 14% das cotas da organização, os Emirados eram o segundo maior membro da Opep, atrás apenas dos sauditas. Fora do cartel, Abu Dhabi ganha mais liberdade para expandir sua produção e buscar novos mercados, ainda que perca influência coletiva sobre os preços globais do petróleo.

A ruptura também reflete tensões geopolíticas acumuladas entre Emirados Árabes e Arábia Saudita. As relações entre os dois países vinham se desgastando nos últimos anos, com divergências em temas estratégicos, especialmente no Iêmen. Enquanto Riad apoia o governo reconhecido internacionalmente e defende a reunificação do país, Abu Dhabi sustenta uma facção separatista que deseja a independência do sul iemenita.

Outro ponto de divergência envolve Israel e a questão palestina. Os Emirados estabeleceram relações diplomáticas com Israel no governo Donald Trump e mantêm proximidade com o gabinete de Benjamin Netanyahu. Já a Arábia Saudita adota postura mais cautelosa e condiciona eventual acordo diplomático ao avanço de negociações para a criação de um Estado palestino independente.

A guerra envolvendo o Irã também contribuiu para afastar ainda mais os dois aliados do Golfo. Emirados e sauditas vinham tentando aproximação com Teerã antes do conflito, mas passaram a defender caminhos diferentes durante a escalada militar. Enquanto a Arábia Saudita passou a defender uma solução mais rápida, os Emirados demonstraram apoio a novos ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o regime iraniano.

Além da política regional, há disputa econômica crescente. Nos últimos anos, a Arábia Saudita intensificou esforços para atrair sedes de multinacionais para cidades como Riad e Jeddah, concorrendo diretamente com Abu Dhabi e Dubai, que consolidaram posição como centros globais de negócios.

Os Emirados também buscam reduzir a dependência do petróleo e fortalecer setores como comércio, finanças, turismo e logística internacional. Nesse contexto, deixar a Opep é visto como um passo coerente com a estratégia de diversificação econômica e reposicionamento global do país.

 

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