
Um ataque que atingiu uma escola de meninas na cidade iraniana de Minab e matou 175 crianças pode ter sido resultado do uso, pelos Estados Unidos, de dados de mira desatualizados. A informação foi revelada pela agência Reuters nesta quarta-feira, com base em duas fontes familiarizadas com o caso, e amplia a gravidade de um episódio que pode figurar entre os piores registros de mortes de civis em décadas de conflitos envolvendo os EUA – ou seja, um dos maiores crimes de guerra da história da Humanidade, cometido por Donald Trump.
Segundo a Reuters, a investigação interna em curso nas Forças Armadas dos Estados Unidos já havia indicado anteriormente que militares norte-americanos foram provavelmente responsáveis pelo ataque à escola. Agora, surgem novos detalhes que apontam para uma possível falha de inteligência na preparação do alvo, em meio ao primeiro dia da ofensiva lançada por Estados Unidos e Israel contra o Irã.
De acordo com uma das fontes ouvidas pela agência, sob condição de anonimato, as autoridades encarregadas de montar os pacotes de ataque aparentemente recorreram a informações antigas para definir o alvo. A segunda fonte confirmou que “parece ter sido usada inteligência desatualizada”, reforçando a hipótese de erro operacional. Ainda não está claro quão antigos eram esses dados, como eles acabaram sendo empregados no bombardeio e se houve outros fatores que contribuíram para a tragédia.
O Pentágono evitou comentar em profundidade o caso e afirmou apenas que “o incidente está sob investigação”. A apuração, segundo a própria Reuters, segue em andamento, sem prazo definido para a conclusão final.
Cópias arquivadas do site oficial da escola indicam que a unidade educacional ficava ao lado de um complexo operado pela Guarda Revolucionária Islâmica, força militar ligada ao líder supremo do Irã. Esse elemento aparece como um dado central para entender a possível confusão que levou o local a ser atingido.
Especialistas também analisaram um vídeo que, segundo a Reuters, parece mostrar um míssil Tomahawk dos Estados Unidos atingindo a área. Mesmo assim, as circunstâncias exatas do bombardeio ainda não foram totalmente esclarecidas pelas autoridades norte-americanas.
O embaixador do Irã junto à ONU em Genebra, Ali Bahreini, afirmou que o ataque matou 150 estudantes. Se esse número for confirmado, o caso terá proporções ainda mais dramáticas e potencialmente devastadoras do ponto de vista humanitário e diplomático.
Desde que a Reuters noticiou que os Estados Unidos provavelmente foram responsáveis pelo ataque, o presidente Donald Trump passou a ser pressionado sobre o episódio. Num primeiro momento, ele alegou, sem apresentar provas, que o Irã teria sido o responsável pela explosão. Depois, no entanto, recuou parcialmente.
Segundo a agência, Trump afirmou posteriormente que não sabe o suficiente sobre o caso, reconheceu que há uma investigação em andamento e declarou que aceitará os resultados da apuração. A mudança de posição expôs a sensibilidade política do episódio e levantou novos questionamentos sobre a condução da ofensiva militar.
O secretário de Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, e outros integrantes do governo norte-americano insistiram que o país não ataca civis deliberadamente. Ainda assim, o caso provocou forte repercussão porque, de acordo com o direito internacional humanitário, um ataque intencional contra escola, hospital ou qualquer outra estrutura civil pode configurar crime de guerra.
As imagens do funeral das estudantes foram exibidas na televisão estatal iraniana na semana passada e aprofundaram a comoção nacional. Os pequenos caixões, cobertos com bandeiras iranianas, foram levados por um caminhão e depois conduzidos por uma grande multidão até o local do enterro.
O simbolismo dessas cenas agravou a pressão internacional para que o episódio seja esclarecido de forma completa. A morte de crianças em uma escola, sobretudo em um contexto de guerra aberta, tende a se tornar um dos elementos mais explosivos de qualquer conflito, tanto do ponto de vista jurídico quanto político.
A revelação de que dados antigos podem ter sido usados para definir o alvo coloca em xeque os protocolos de inteligência e verificação empregados pelos Estados Unidos em uma operação militar de grande escala. Também amplia a cobrança sobre o Pentágono para explicar como um erro dessa magnitude poderia ter ocorrido em uma área civil sensível.
Se confirmada a responsabilidade dos EUA e o uso de informações desatualizadas, o caso poderá se converter em um dos mais graves episódios de mortes de civis relacionados a ações militares norte-americanas nas últimas décadas. A investigação, porém, ainda está em curso, e a conclusão oficial não foi anunciada.
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