
Lotada em todos os dias de evento, chegou ao fim, ontem, a Bienal do Livro Bahia, retomada em grande estilo depois de nove anos desde a sua ultima edição, em 2013. O evento contou com inúmeras atrações para todas as idades numa imersão na cultura e na literatura.
Rica em estandes dos mais diferentes gêneros, reuniram-se no mesmo espaço desde editoras independentes de literatura feminina erótica (chamados “hots” por suas leitoras) com capas discretas a gêneros da literatura infantil.
Antirracista
No ultimo dia da programação, o espaço “Café Literário” recebeu Carla Akotirene, Giovana Xavier, Ynaê Lopes dos Santos para falar de feminismo negro e produção ciêntifica por pessoas pretas. Saudando seus Orixás e a comunidade negra presente, as escritoras reforçam a relevância de suas narrativas num espaço de intelectualidade. “Meu livro é para as pessoas brancas. Não quero que gostem, quero que incomode. Ser branco não é universalidade de ser humano e temos que parar de insistir nessa história de microdemocracia. O racismo tem o tamanho do Brasil.” reforça Ynaê Lopes do Santos, autora do livro “Racismo Brasileiro: uma historia da formação do país”.
Com posicionamento antirracista, a Editora Mostarda, criada em campinas, publicou mais de 80 títulos para o público infantil com temáticas raciais do povo negro e indígena, como o livro “O Jardim de Marielle” da jovem escritora Majorie Silva, 23 anos. “Quando eu era criança nós não tinhamos referências, de pessoas como cientistas, escritores ou arquitetos”, afirma.
A estudante de letras e professora de inglês Anna Paula Mello, 21, comemora a volta do evento. “Eu acho que Salvador como capital de um estado tão rico em literatura e produção cultural necessitava da retomada da Bienal. Isso só transmite e enriquece todo o nosso arcabouço e nossas raízes nordestinas descritas em palavras, ilustrações e arte.” comemora.
*Sob a supervisão do jornalista Luiz Lasserre
Fonte: A Tarde
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