— Não que o Banco Central vai subir mais a Selic, mas que ele pode manter a Selic alta por um bom período de tempo até ter as expectativas mais controladas — afirmou.

A aposta majoritária do mercado financeiro é que o Banco Central (BC) encerrará o ciclo de alta de juros nesta quarta-feira. A Selic passou de 2% em março de 2021 para 13,75% em agosto, com a expectativa de continuar neste patamar na reunião de hoje.
Esse período de 18 meses, em que o BC elevou a taxa básica de juros 12 vezes, foi o mais longo ciclo de alta de juros desde a criação do sistema de metas de inflação, em 1999.
A aposta do mercado na manutenção da taxa de juros em 13,75% acontece mesmo depois que o BC apontou que iria analisar a possibilidade de uma nova elevação para 14% ao ano.
Rafael Cardoso, economista-chefe da Daycoval Asset, acredita que há duas razões pelas quais o Copom não deve elevar os juros nesta semana: o BC já elevou muito a Selic e o que já foi feito deve ser suficiente para levar os índices de inflação para meta, principalmente em 2024.
— Na soma dessas coisas, o freio é muito forte. Os juros já estão num patamar bastante contracionista e quando a gente coloca isso na conta e vislumbra o horizonte relevante, parece que é o suficiente — afirmou.
O horizonte relevante do BC é o período em que a autoridade monetária está mirando para cumprir a meta de inflação. As elevações da Selic levam de 9 a 12 meses para fazer efeito na economia, então atualmente o horizonte relevante é de 2023 e 2024, com ênfase no primeiro trimestre de 2024.
Alessandra Ribeiro, sócia e Diretora da área de Macroeconomia e Análise Setorial da Tendências Consultoria, está na ponta minoritária do mercado, que aposta em uma última elevação da Selic para 14% ao ano.
Ela aponta duas razões principais: a atividade econômica que vem surpreendendo para cima e pressiona a inflação e as expectativas de preços para 2024, que são menos impactadas pelos cortes de impostos feitos pelo governo neste ano, como Pis e Cofins e o teto do ICMS.
— Quando a gente olha uma dinâmica um pouco lá na frente, 2024 que estaria um pouco mais livre desses efeitos, a gente tem uma piora das expectativas de inflação. Então isso seria um ponto de atenção para o Copom e com essa atitude um pouco mais dura do que o mercado espera ele está sinalizando que está muito atento ao comportamento das expectativas para 2024 — disse.
A quase certeza do fim do ciclo de alta de juros não é vista quando o assunto é o tom que o BC usará para o comunicado. As dúvidas são principalmente sobre por quanto tempo os juros ficarão em patamares elevados.
Alguns apostam que os juros já começam a cair no terceiro trimestre do ano que vem. Outros veem o início de uma trajetória de baixa apenas nos últimos três meses de 2023. O relatório Focus, que reúne as projeções de mercado, aponta que a Selic deve terminar o ano que vem em 11,25%.
Marco Maciel, sócio e economista da Kairós Capital é um dos que veem maior possibilidade de queda nos juros no terceiro trimestre de 2023 e uma taxa menor do que a do mercado, em 10,5% no final do ano que vem. Na visão do economista, essa queda já visa a meta de inflação de 2024, que é de 3%.
O economista espera que o BC dê um recado na linha de “austeridade monetária” para 2023.
— O Banco Central vai tentar ser mais hawkish (duro contra a inflação) e vai colocar justamente um condicionante bem forte em dois pontos: como sempre, o fiscal e em segundo lugar o condicionante em cima das expectativas de inflação para 2024 — disse.
Já Alessandra Ribeiro espera um início de queda da Selic a partir de junho do ano que vem, chegando a 11,5% no final de 2023. Essa projeção considera que o BC já vai começar a colher frutos em termos de desaceleração da inflação. No entanto, acredita que o tom duro no comunicado deve continuar nesta quarta-feira.
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