
O ministro da Defesa do país, Serguei Shoigu, explicou que a ordem envolve 300 mil reservistas, o que, em suas palavras, representa apenas "1,1% dos recursos que podem ser mobilizados". A ordem é efetiva a partir desta quarta-feira. O decreto foi publicado pouco depois da exibição do discurso no portal do Kremlin.
— Chantagem nuclear tem sido usada, e não estamos falando apenas do bombardeio da usina de Zaporíjia. Mas também de pronunciamentos de altos representantes da Otan sobre a possibilidade de usarem armas de destruição em massa contra a Rússia — declarou Putin, que acusou os países ocidentais de querer "destruir" a Rússia e por uma "chantagem nuclear" contra seu país, dando a entender que suas forças estariam dispostas a utilizar armamento nuclear. — Utilizaremos todos os meios à nossa disposição para proteger a Rússia e nosso povo. Isto não é um blefe.
Após o anúncio, na terça-feira, sobre a organização de "referendos" de anexação de quatro regiões do leste e do sul da Ucrânia a partir de sexta-feira, as declarações do presidente russo marcam uma mudança no conflito, iniciado em 24 de fevereiro.
Mais cedo, o governo da Ucrânia acusou a Rússia de bombardear a usina nuclear de Zaporíjia novamente. A informação do bombardeio foi divulgada pela operadora nuclear ucraniana Energoatom. "Terroristas russos bombardearam novamente a usina nuclear de Zaporíjia durante a noite", disse a operadora, num post no Telegram.
Diante das contraofensivas relâmpago das forças ucranianas, que provocaram o recuo do Exército russo, Putin optou por uma escalada no conflito, com uma medida que abre o caminho para o envio de mais militares russos à Ucrânia. Nos últimos dias, rumores sobre uma mobilização geral provocaram preocupação entre muitos russos.
— Considero necessário apoiar a proposta (do ministério da Defesa) de mobilização parcial dos cidadãos na reserva, aqueles que já serviram e que têm experiência pertinente — declarou Putin. — Estamos falando apenas de uma mobilização parcial.
O país reconheceu a morte de 5.937 soldados na Ucrânia – um número muito inferior às estimativas ucranianas e ocidentais.
O ministro da Defesa russo, Sergei Shoigu, afirmou que a convocação para a guerra representa apenas uma pequena parte do número de pessoas mobilizadas no país, que, segundo ele, corresponderia a um total de 25 milhões de cidadãos.
O bombardeio à usina de Zaporíjia danificou uma linha de energia, causando o desligamento de vários transformadores do reator número 6 da usina, divulgou a Energoatom.
"Nem mesmo a presença de inspetores da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) parou os russos", acrescentou a empresa, que pediu ao órgão da ONU que tome "medidas mais decisivas" contra Moscou.
A usina de Zaporíjia, ocupada pelas forças russas desde as primeiras semanas da invasão da Ucrânia, iniciada em fevereiro, foi alvo de repetidos bombardeios nos últimos meses.
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Visão geral da usina nuclear de Zaporíjia, ocupada pela Rússia, vista de Nikopol — Foto: Ed Jones / AFP
Kiev e Moscou acusam-se mutuamente, numa espécie de chantagem nuclear.
Duas outras instalações nucleares foram arrastadas para a guerra da Rússia contra a Ucrânia, apesar dos repetidos apelos da comunidade internacional para evitar que essas instalações sofram uma catástrofe continental.
Na segunda-feira, Kiev acusou Moscou de bombardear a zona industrial de sua usina nuclear de Pivdennoukrainsk (no Sul).
No início da invasão, as forças de Moscou também ocuparam a usina de Chernobyl (Norte), que em 1986 sofreu o pior acidente nuclear da história. A planta dessa usina, fechada desde 2000, está localizada em uma área altamente contaminada por resíduos radioativos.
Fonte: O Globo
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