
Os dados são do chamado “Prospera Santander Microfinanças”, programa voltado para o financiamento de micro e pequenos empresários, que completa 20 anos este mês, e já desembolsou cerca de R$ 50 bilhões pelo país desde a criação. O quantitativo de beneficiados na Bahia representa 11,2% da carteira do banco, aponta o superintendente regional, Thiago Mendonça.
“Esses números são importantes indicadores na evolução do empreendedorismo na Bahia e com um aspecto social bastante relevante, a participação ativa feminina. Vale ressaltar que, além da oferta de crédito, o Santander fornece orientação na gestão de negócios, algo bastante importante para o pequeno empreendedor aperfeiçoar o olhar estratégico e aumentar as chances de êxito no mercado no qual atua”, fala.
O microcrédito é uma modalidade de empréstimo voltada para empreendedores que desejam ampliar o próprio negócio, precisam de capital de giro, comprar equipamento ou fazer uma reforma, entre outros; com juros de no máximo 4% ao mês, e até dois anos para pagar. Os valores vão de R$ 1,5 mil a R$ 20 mil, podendo chegar a R$ 60 mil, a depender do relacionamento.
Superintendente executivo do Prospera, Alexandre Castelano estima que exista um mercado potencial de 50 milhões de tomadores de microcrédito no Brasil. Ele destaca que o modelo do programa no Santander é baseado na formação de correspondentes que vivem o dia a dia dos bairros e comunidades dos mais de 1,7 municípios em que atuam, e conhecem cada negócio.
‘Agente transformador’
“Temos uma oferta de valor diferenciada para apoiar o crescimento dos microempreendedores e suas comunidades, que tem contribuído para impulsionar a economia dessas localidades. Temos muito orgulho desse produto, que é mais que uma linha de crédito, é um agente transformador”, diz. A expectativa do banco é crescer 30% nessa área este ano, em relação a 2021.
Há cerca de duas semanas, o Senado Federal sancionou lei criando novas linhas de microcrédito para pessoas físicas e microempreendedores individuais (MEIs) com juros reduzidos. O objetivo do Programa de Simplificação do Microcrédito Digital para Empreendedores é facilitar o acesso ao crédito para esse público e incentivar a formalização de pequenos negócios.
As operações são reguladas pelo governo federal através do Conselho Monetário Nacional, e lastreadas pelo Fundo Garantidor de Micro Finanças, da Caixa Econômica Federal. Os empréstimos podem ser oferecidos por qualquer banco.
As linhas são destinadas a quem exerce qualquer atividade produtiva ou de prestação de serviços, urbana ou rural, de forma individual ou coletiva, ou para MEIs.
Lucas Spínola é do Conselho Regional de Economia na Bahia (Corecon) e conta que o acesso a financiamento é uma das principais barreiras de qualquer microempresário, “diante das condições normais de garantia e análise de crédito realizada pelos bancos”.
“Como a maioria dos negócios estão enquadrados nesta categoria, ter acesso ao crédito acaba se colocando como uma fonte de fomento que impulsiona a atividade empresarial e geração de empregos. E estes recursos podem fazer a diferença”.
Spínola ressalta, contudo, que “não se trata de uma condição tão atrativa em termos de taxa de juros, mas que por vezes é a alternativa que se tem”. “E é aceitável a perspectiva de uma remuneração maior, pelo fato do processo de concessão do crédito ser mais arriscado, em decorrência do menor grau de exigência na análise do empréstimo. A legislação vem em busca de oferecer aos bancos garantias, de modo a reduzir o risco e fazer com que o recurso chegue a um custo menor”, explica o conselheiro.
Com uma história de superação que passa por separação, desemprego, dois filhos para criar, trabalho como doméstica, até ela se deparar com o anúncio de u curso de massoterapia, a microempresária Claudiana Dantas, 52, é o retrato de quem deu a volta por cima através de muito esforço, talento, e microcrédito.
Cliente do Prospera Santander, ela conta que desde que iniciou o próprio negócio, em 2013, contrata o produto financeiro para expandir o seu Centro de Beleza Estética Boa Forma, em Periperi, Subúrbio Ferroviário de Salvador. O último foi há cerca de um ano, no valor de R$ 50 mil, divididos em 12 vezes. E o seu mais recente investimento foi a compra, ao custo de R$ 20 mil, há três meses, de uma máquina de bronzeamento artificial.
O equipamento chegou na semana passada, para o deleite da clientela local. Até então, o serviço, um dos carros-chefe do lugar – que vai do pilates à maquiagem –, era feito na base da fita e do sol natural, na laje do empreendimento. Ela frisa, contudo, que a máquina só chegou agora, porém, que as parcelas do pagamento seguiram o fluxo normal.
Educação financeira
“O retorno nunca é imediato, daí a importância da educação financeira, de se ter um projeto, estudar direitinho cada passo, ter uma reserva financeira”, afirma.
De olho nessa fatia do mercado, o diretor e representante do Comitê Executivo do Itaú Unibanco, Alexandre Zancani, ressalta que, devido ao grande potencial do empreendedorismo na Bahia, o banco expandiu em maio a área de microcrédito para o estado. “Com foco em levar atendimento especializado e identificar as necessidades de cada cliente em relação ao apoio financeiro para crescer, estimulando a transformação de vidas para melhor, e criando valor social de longo prazo. A Bahia tem um grande potencial de empreendedorismo, por isso, identificamos como uma oportunidade de contribuir para que o pequeno negócio atue de forma sustentável para a geração de trabalho e renda, principalmente em comunidades menores. Temos a missão de fomentar e auxiliar na expansão de cada empreendimento, contribuindo com o ciclo socioeconômico local”, diz ele.
Presidente do Banco do Nordeste, José Gomes da Costa conta que a instituição aplicou somente no estado da Bahia esse ano cerca de R$ 1 bilhão em microcrédito, e que o mercado está aquecido. “A quantidade de clientes em carteira está em crescimento. O BNB duplicou, no ano passado, o número de agentes de crédito na região metropolitana de Salvador com o propósito de atender a demanda”, fala.
Mín. 19° Máx. 30°