A companhia, ligada ao Ministério do Desenvolvimento Regional, acrescentou que “no curso da execução desses instrumentos não houve ocorrências que motivassem impedimento da empresa”.

Como O GLOBO revelou no mês passado, a Imperiogn foi contratada pela Companhia de Desenvolvimento do Vale do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf) em março deste ano para fornecer 325 tratores por R$ 61,7 milhões.
A Controladoria-Geral da União (CGU) identificou risco de superfaturamento de R$ 11,8 milhões no negócio firmado pela estatal e classificou como "exorbitantes" os valores usados pela companhia pública como referência para a aquisição dos veículos.
Procurada, a Codevasf disse que os contratos que tem com a empresa de Ana Luiza são regulares e que não houve até aqui "ocorrências que motivassem impedimento da empresa”.
Em uma breve entrevista na sala de tosa, Ana Luiza reafirmou ser a dona da Imperiogn e disse que abriu a empresa com uma herança que teria recebido de seu pai. Documentos mostram que ela investiu R$ 355 mil na firma desde a fundação, valor que constitui seu capital social até hoje. Ana Luiza não disse qual era a profissão de seu pai, tampouco o nome completo dele — ele não registrou a filha em cartório.
Depois, por mensagem, a reportagem questionou por que Ana Luiza continua trabalhando no comércio se é proprietária de uma empresa com faturamento milionário.
— Estou aqui porque eu gosto do que eu faço, e também para, futuramente, abrir uma loja pra mim — justificou.
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_da025474c0c44edd99332dddb09cabe8/internal_photos/bs/2022/i/N/S0f2N9RJA929ra1Uc1fg/barracao.jpg)
Casa em que Ana Luiza morou em Nerópolis por cinco meses — Foto: Reprodução
Dois moradores de Nerópolis apontaram um endereço onde Ana Luiza morava. Segundo eles, ela alugava um quarto de uma casa de alvenaria localizada numa vila de baixa renda da cidade.
— Ela morou uns cinco meses aqui, mas, há uns três meses, se mudou — disse o ex-vizinho Cícero, acrescentando que, durante esse período, Ana Luiza sempre trabalhou no pet shop, até onde tinha conhecimento.
O GLOBO também esteve em uma sala comercial cadastrada como endereço da empresa de Ana Luiza, a Imperiogn, em Goiânia (GO). Lá trabalha Vanderson de Souza, que se apresenta como gerente comercial da firma. Ele disse não saber a origem do dinheiro que Ana Luiza usou para empreender. Afirmou ainda que não há irregularidade no fato de uma empresa estar no nome de uma pessoa que, aparentemente, não tem relação com o negócio, caso de Ana Luiza.
Desde que foi criada, em 2020, a Imperiogn já firmou contratos com 20 diferentes órgãos e ministérios pelos quais recebeu até agora R$ 6,9 milhões. Ela também venceu pregões para fornecer máquinas e materiais de construção a estados e municípios, segundo publicações no Diário Oficial.
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_da025474c0c44edd99332dddb09cabe8/internal_photos/bs/2022/9/X/7bBAgNSVC9wwFGcT5stA/vanderson.jpg)
Sala comercial da Imperiogn, em Goiânia — Foto: Natália Portinari - O Globo
A Codevasf disse que os contratos que tem com a empresa de Ana Luiza são regulares. “A ordem de fornecimento 0.0801/2020 foi cumprida regularmente e encontra-se concluída, após efetiva entrega e pagamento dos bens. A ordem de fornecimento 1.0219/2021 foi cumprida regularmente com efetiva entrega dos bens; o procedimento de pagamento encontra-se em curso. O contrato 3.517.00/2021 encontra-se em execução, em processo regular; não houve entrega ou pagamento de bens até o momento.”
A companhia, ligada ao Ministério do Desenvolvimento Regional, acrescentou que “no curso da execução desses instrumentos não houve ocorrências que motivassem impedimento da empresa”.
Mín. 19° Máx. 31°