
O historiador Miguel Stédile interpretou as falas do presidente Jair Bolsonaro(PL), durante a convenção do Partido Liberal, como um "discurso de derrotado". O evento confirmou, neste domingo(24), o nome de Bolsonaro para disputa presidencial deste ano, em que ele tentará a reeleição, e do General Braga Netto como o nome para a vice-presidência.
Bolsonaro disparou novos ataques aos ministros do Supremo Tribunal Federal(STF) e convocou os apoiadores para irem às ruas "pela última vez" no dia 7 de setembro.
"É o discurso de alguém que já justifica o motivo da sua derrota. O que Bolsonaro está fazendo é antecipar o terceiro turno e criar um ambiente de caos que só favorece a ele", pontuou o analista.
A análise de Stédile foi feita na Entrevista Central, do programa Central do Brasil desta terça-feira(26). Além de comentar os pontos cruciais do discurso de Bolsonaro, o historiador analisou como a imprensa e a sociedade têm reagido às ameaças do presidente, além da postura de banqueiros, empresários e outros setores da elite ao processo eleitoral.
Sobre a presença do presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira(PP-AL), na Convenção do PL que oficializou o nome de Bolsonaro, Stédile entende que é um gesto de quem vislumbra no palanque bolsonaristas um projeto de poder.
"Arthur Lira está tentando se posicionar. Ele já sabe que não tem espaço num próximo governo Lula. A chance de sobrevivência política do Lira depende de ele se agarrar com o Bolsonaro".
Povo nas ruas
No final da semana passada, os movimentos populares anunciaram a retomada das mobilizações de rua da Campanha Fora Bolsonaro. O calendário prevê, até o momento, dois atos: um em Agosto, no dia 06, e outro em Setembro, no dia 10. Stédile avalia que esta ação terá uma efeito positivo para o campo da esquerda durante o processo eleitoral:
"É com a mobilização de rua que será possível reunir forças suficientes para eleger o Lula, garantir a posse e levar o futuro governo para um programa de esquerda", concluiu.
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