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Não é segunda onda, é um crime

Não é segunda onda, é um crime

17/01/2021 às 10h43 Atualizada em 17/01/2021 às 13h43
Por: Redação
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Foto: Reprodução
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Depois da crise maior, quando o oxigênio acabou em vários hospitais e profissionais de saúde precisaram ventilar pacientes manualmente, o problema continua porque o Amazonas só consegue produzir um terço da demanda do insumo e enfrenta dificuldades logísticas para fazê-lo chegar rapidamente de outros lugares. A crise se estende ao interior do Amazonas, em outros pronto socorros da capital e até na rede privada. Em Manaus, familiares passavam horas em filas para tentar comprar um cilindro. O colapso do sistema de saúde afetou os pacientes com covid-19 e com outras doenças. O Amazonas pediu para transferir 61 bebês prematuros que precisavam de UTI pela manhã. À noite, o Governo Federal disse ter garantido oxigênio suficiente para mantê-los por mais 48 horas no Estado.

“Estamos demonstrando como não deixar isso acontecer com o resto do país. Aqui não é segunda onda, é o tsunami inteiro”, diz uma médica da linha de frente que preferiu não se identificar. Ela trabalha nas redes pública e privada de Manaus e conta que em ambos o cenário é ruim. Hospitais públicos receberam 100 cilindros de oxigênio na manhã desta sexta-feira―vindos com ajuda do Governo Federal e também de doações―, mas o que chega vai sendo consumido rapidamente diante do grande volume de pacientes. O cenário é de incerteza. “Ainda esperamos se vão conseguir abastecer novamente. A ansiedade é o que reina entre nós, profissionais de saúde, porque a gente não sabe se vai durar ou não, se vai ter reposição”, diz.

Tentam racionar ao máximo o oxigênio disponível, reduzindo as quantidades em pacientes com menos chance de sobreviver. “Escolher quem vive e quem morre não deveria ser nosso papel”, segue esta médica de Manaus. Alguns hospitais concentraram todo o insumo que chegava em um único andar para aumentar a pressão na tubulação e ter maior aproveitamento. “Você consegue imaginar um local cheio de pessoas, todas dependentes de oxigênio, bem mais de 100 pessoas, e de repente a iminência de faltar isso?”, pergunta a médica, que vê ―incrédula com a falta de planejamento dos governantes― uma situação de guerra.

O governador do Amazonas, Wilson Lima (PSC), diz que a demanda por oxigênio aumentou cinco vezes nas duas últimas semanas enquanto tanto o presidente Bolsonaro diz que o Governo Federal fez sua parte. Já o vice, Hamilton Mourão,alega que não era possível prever a nossa cepa.“A situação é difícil, e não são as novas variantes que estão levando a isso. Elas podem ter um impacto, mas é muito fácil jogar a culpa na variante. Infelizmente é também o que nós não fizemos que causou isso”, disse o diretor-executivo da OMS, Mike Ryan, que criticou o relaxamento no distanciamento social.

Enquanto isso, em Manaus, alguns cemitérios ampliaram seus horários de funcionamento para dar conta dos enterros.

Fonte El Pais

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