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Covid-19: Governadores cobram do ministro da Saúde plano nacional de vacinação

Covid-19: Governadores cobram do ministro da Saúde plano nacional de vacinação

09/12/2020 às 09h44 Atualizada em 09/12/2020 às 12h44
Por: Redação
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A reunião com Eduardo Pazuello foi pedida pelos próprios governadores. Alguns foram ao Palácio do Planalto, outros acompanharam virtualmente. Eles reclamaram da demora do governo em definir quando haverá vacina para todos os estados.

Governadores de vários estados foram ao Palácio do Planalto, nesta terça-feira (8), para cobrar um plano nacional de vacinação contra a Covid. O clima foi tenso na reunião com o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello.

A pressão dos governadores era clara antes mesmo do início da reunião. “Nós precisamos de calendário, de data. Nós precisamos desse programa definido”, disse a governadora do Rio Grande do Norte, Fátima Bezerra, do PT, ao chegar para a reunião.

A reunião com o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, foi pedida pelos próprios governadores. Alguns foram ao Palácio do Planalto, outros acompanharam virtualmente.

Durante a conversa, governadores reclamaram da demora do governo em definir quando haverá vacina para todos os estados. Segundo eles, a decisão do governador João Doria, de São Paulo, de começar vacinação no dia 25 de janeiro, gera expectativa e pressão dos moradores dos outros estados.

Paralelamente, alguns governadores começaram a negociar a compra da CoronaVac diretamente com o Instituto Butantan. É o caso do Rio Grande do Sul e do Maranhão, por exemplo.

Na reunião, Doria questionou a postura do governo federal. Insinuou que a CoronaVac recebe um tratamento diferenciado.

“O que difere, ministro, a condição e a sua gestão como ministro da Saúde, de privilegiar duas vacinas em detrimento de outra vacina? É uma razão de ordem ideológica, política, ou é uma razão de falta de interesse em disponibilizar mais vacinas? O seu ministério vai comprar a vacina CoronaVac sendo aprovada pela Anvisa? Sim ou não, ministro?”, perguntou Doria.

“Eu já lhe respondi isso. Eu já respondi a todos os governadores. A vacina do Butantan não é do estado de São Paulo, tá, governador, é do Butantan. Não sei por que o senhor fala tanto como se fosse do estado. Ela é do Butantan. O Butantan é o maior fabricante de vacina do nosso país e é respeitado por isso. O Butantan, quando concluir o seu trabalho e tiver sua vacina registrada, nós avaliaremos a demanda e, se houver demanda e houver preço, nós vamos comprar. Volto a colocar para o senhor que o registro é obrigatório e, havendo demanda, havendo preço, todas as vacinas, todas as produções serão alvo de nossa compra”, declarou Pazuello em resposta a Doria.

A briga política em torno da vacina gerou críticas de outros governadores.

“Isso criou insegurança. Qual a lógica? Quero que sejam vacinados todos os brasileiros que moram em São Paulo. Agora, não é razoável que em São Paulo tenha vacina em 25 de janeiro e os outros estados não”, disse o governador do Piauí, Wellington Dias (PT).

“Isto é algo que coloca em jogo a credibilidade dos demais governadores. Essa função de Plano Nacional de Imunização, isso não é responsabilidade de governador. Isso é responsabilidade do governo federal”, afirmou o governador de Goiás, Ronaldo Caiado (DEM).

Além da divulgação do calendário, os governadores têm pressa na aprovação das vacinas pela Anvisa. Na reunião eles reforçaram o pedido para que a agência autorize o uso emergencial das vacinas que forem aprovadas no exterior. O ministro Pazuello insistiu que, em média, o registro demora 60 dias.

No fim da tarde, horas depois do fim da reunião, Pazuello fez um pronunciamento no Palácio do Planalto para falar sobre a vacinação. Sem citar o governador de São Paulo, disse que o Brasil não pode se dividir e destacou que cabe ao Ministério da Saúde cuidar da vacinação do país inteiro.

"É tudo o que todo o brasileiro deseja neste momento. Deseja uma vacina que seja comprovadamente segura, eficaz e com total responsabilidade para ele e para a sua família. Compete ao Ministério da Saúde realizar o planejamento e a vacinação em todo o Brasil. Por isso que o Programa Nacional de Imunização é um programa do Ministério da Saúde. Não podemos dividir o Brasil num momento difícil em que todos nós passamos essas dificuldades”, afirmou Pazuello.

Ele garantiu que todos os brasileiros terão acesso às vacinas que forem aprovadas pela Anvisa: “Todos no Brasil terão acesso à vacina. A todos aqueles que desejarem nós ofereceremos a vacina e vacinaremos aqueles que desejarem. Mais uma vez afirmo: tudo está sendo feito de acordo com ritos científicos e seguindo os protocolos da agência reguladora, que é a Anvisa, a qual respeitamos e que representa legalmente a autoridade no assunto”.

Além dos governadores, os prefeitos também cobram um plano de vacinação. A Confederação Nacional dos Municípios pediu nesta terça-feira (8) que o governo federal “assuma de uma vez por todas sua responsabilidade prevista na legislação, adquirindo, programando e distribuindo insumos e vacinas necessários para o atendimento equânime de toda a população brasileira, evitando, desta forma, o acirramento do conflito federativo”.

Fonte: G1 (JN - Jornal Nacional)

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