
Duas semanas antes do diagnóstico do primeiro caso de coronavírus na China e quatro meses antes da declaração de pandemia pela OMS, a McKinsey soltou o relatório “Five ways that ESG creates value”. Que belo timing! Certamente os autores não poderiam supor que as questões ambientais, sociais e de governança virariam dali em diante cruciais para sobrevivência corporativa.
O excelente relatório mostra o poder que uma boa proposta de ESG tem para ajudar empresas a alcançar novos mercados e a crescer nos já existentes. Há exemplos do setor de infraestrutura, mineração e gigantes do consumo, entre outros.
As grandes empresas, no entanto, são minoria em qualquer país. No Brasil, não chegam a 1% do total de estabelecimentos. Portanto quero dar uma sugestão para as consultorias especializadas: que tal investigar o ESG na maioria?
Não é moleza implementar ESG em PME. Mas é compensador. Repare nas que já fizeram isso com sucesso. Boa parte deixou de ser pequena ou média e virou grande. Um exemplo: Mãe Terra. E existem muitas outras com enorme potencial de trilhar o mesmo caminho. Citarei duas.
A fabricante de tênis franco-brasileira Vert, celebrada em diversos países, tem como principal valor a sua cadeia de produção. A sola dos calçados é produzida com borracha da Amazônia por meio de uma tecnologia que prepara o material ainda dentro da mata, sem químicos nem intermediários, o que permite remunerar melhor os seringueiros. E, claro, ajuda a manter a floresta em pé. Já a lona vem de uma cooperativa que produz algodão agroecológico no semiárido nordestino. O modelo de negócio estipula um preço acima do mercado aos agricultores.
A Positiv.a e a Vert são empresas que se estabeleceram, construíram reputação e conquistaram consumidores fiéis. Ganharão ainda mais importância daqui para frente. São dois exemplos. E há muitos outros.
Melhores práticas ambientais, sociais e de governança (ESG, na sigla em inglês, como são conhecidas internacionalmente) vêm recebendo atenção mundial por estarem associadas a negócios sólidos, baixo custo de capital e melhor resiliência contra riscos associados a clima e sustentabilidade.
De acordo com recente pesquisa, investidores estão contando cada vez mais com informações ESG na procura por dados de grau de investimento para apoiar seus processos de tomada de decisões, com foco em governança, direitos humanos e mudanças climáticas. E utilizando esses parâmetros como lente para investimento futuro potencial.
Fontes: Cebds.org e Exame - Renato Krausz Sócio-diretor da Loures Comunicação
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