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Os trabalhadores do Correio lutam contra retirada de direitos conquistados

Os trabalhadores do Correio lutam contra retirada de direitos conquistados

21/09/2020 às 15h23 Atualizada em 21/09/2020 às 18h23
Por: Redação
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Funcionários dos Correios
Funcionários dos Correios

Empresa recorre ao STF para romper acordo coletivo e cortar benefícios em meio à pandemia.

Os trabalhadores dos Correios iniciaram greve nesta semana contra a tentativa da empresa de retirar direitos da categoria e descumprir o acordo coletivo firmado no ano passado, com validade por dois anos. Os trabalhadores protestam também contra os planos de privatização dos Correios e a falta de equipamentos de proteção individual para trabalhar durante a pandemia – a categoria é uma das mais atingidas pela covid-19, com mais de 120 mortes.

Os servidores do Judiciário Federal em São Paulo aprovaram moção de apoio aos trabalhadores dos Correios na assembleia geral da última terça-feira, 18 de agosto. Segundo a Federação dos Trabalhadores na Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (Fentect), a greve tem adesão de cerca de 70% dos trabalhadores, tanto no nível operacional quanto no administrativo. Os 36 sindicatos da categoria estão realizando atos e assembleias diárias, em várias capitais.

Para a diretora do Sintrajud e servidora do TRT Inês Leal de Castro, além de facilitar a privatização da empresa, o ataque ao acordo coletivo busca aplicar a reforma trabalhista aprovada no governo Temer (PMDB). “Essa não é uma política isolada dos Correios: já está acontecendo no Metrô e com outras categorias; logo virá para nós também”, disse Inês na assembleia de terça-feira.

Decisão será do STF - Os Correios obtiveram do presidente do STF, ministro Dias Toffoli, liminar que reduz a vigência da convenção coletiva para 12 meses. O plenário do Supremo pode julgar o mérito da ação ainda nesta semana, mas desde 31 de julho os trabalhadores estão sem cobertura do acordo.

Com isso, foram reduzidos ou cortados direitos como licença-maternidade (de 180 para 120 dias), adicional noturno, horas extras, indenização por morte, auxílio-creche e para trabalhadores que têm filhos com deficiência. A empresa também diminuiu sua participação no plano de saúde, de 70% para 50%, e em plena pandemia excluiu o benefício para pais de funcionários.

Com uma remuneração média de R$ 1.800, os trabalhadores dos Correios viram o menor salário pago pela empresa cair 17% no ano passado: de R$ 1.647 para R$ 1.363.

Na administração, os salários passam de R$ 45 mil para diretores e de R$ 52 mil para o presidente, denunciam a Federação da categoria. Isso inclui os militares que o governo Bolsonaro empregou na cúpula dos Correios, como em várias outras estatais e órgãos públicos. O próprio presidente dos Correios, Floriano Peixoto, é um general da reserva.

Risco à saúde - A Fentect aponta que somente após ações judiciais dos sindicatos a empresa passou a fornecer álcool gel, máscaras e produtos para desinfecção de pacotes. A Federação denuncia que o fornecimento ainda é insuficiente, assim como a instalação de barreiras de acrílico nos postos de atendimento.

A entidade também contesta as alegações do governo para justificar a retirada de direitos dos trabalhadores e a privatização dos Correios. O lucro da empresa no ano passado superou os R$ 102 milhões e o número de funcionários diminuiu 5,61%, para menos de 100 mil.

 

Fonte: Sintrajud

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