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Tragédias anunciadas expõem negligência na prevenção climática e repetem cenário visto no Sul do país

Redução drástica de investimentos em prevenção e falhas históricas de gestão ampliam impactos das chuvas em Minas Gerais, reacendendo debate nacional após enchentes devastadoras no Rio Grande do Sul

25/02/2026 às 09h07
Por: Redação
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 Juiz de Fora (MG) — Foto: Reprodução/CBMG
Juiz de Fora (MG) — Foto: Reprodução/CBMG

A sucessão de desastres provocados por chuvas intensas em diferentes regiões do Brasil reacende um debate recorrente: a responsabilidade dos gestores públicos na prevenção de tragédias climáticas. Em Minas Gerais, a redução dos investimentos estaduais destinados à prevenção dos efeitos das chuvas — de R$ 135 milhões para apenas R$ 6 milhões em dois anos, durante a gestão do governador Romeu Zema — é apontada por especialistas e autoridades locais como um fator que agravou os impactos dos temporais recentes.

As fortes chuvas que atingiram os municípios de Juiz de Fora e Ubá deixaram, até o momento, ao menos 30 mortos e dezenas de desaparecidos. Deslizamentos de terra e desabamentos de edificações foram registrados em diversos bairros. No Paineiras, região central de Juiz de Fora, a queda de um barranco soterrou parte de um prédio e duas residências. Sete deslizamentos em diferentes pontos da cidade resultaram em 21 mortes e cerca de 440 pessoas desabrigadas. Em Ubá, o Corpo de Bombeiros confirmou ao menos sete óbitos.

O cenário remete à tragédia climática registrada no Rio Grande do Sul, onde enchentes históricas evidenciaram falhas estruturais na prevenção e no planejamento urbano. Em ambos os casos, especialistas apontam que a ausência de investimentos contínuos em drenagem, contenção de encostas e monitoramento de áreas de risco transforma eventos climáticos previsíveis em desastres humanitários.

Após os temporais, o vice-governador Mateus Simões anunciou o envio emergencial de R$ 38 milhões para Juiz de Fora e R$ 8 milhões para Ubá, além do deslocamento de equipes do Conselho Regional de Engenharia e Arquiteto (CREA) para mapear áreas de risco. Técnicos da Companhia de Saneamento Básico (Copasa) e carretas humanitárias também foram mobilizados para apoio às cidades atingidas.

O governo federal reconheceu o estado de calamidade pública decretado em Juiz de Fora. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva manifestou solidariedade às vítimas e informou o envio de uma equipe da Força Nacional do SUS, enquanto a Defesa Civil Nacional permanece em alerta máximo.

Com previsão de novas chuvas, a Defesa Civil municipal evacuou 24 ruas em quatro bairros de Juiz de Fora, com estimativa de retirada de cerca de 600 famílias. O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) emitiu alerta de “Grande Perigo” para parte da Região Sudeste, incluindo áreas já afetadas, indicando volumes superiores a 60 mm por hora ou 100 mm por dia, com risco elevado de alagamentos, transbordamento de rios e novos deslizamentos.

Especialistas em gestão de riscos alertam que a repetição de tragédias evidencia um padrão de omissão e respostas tardias. A falta de planejamento preventivo, associada à ocupação irregular de encostas e à insuficiência de políticas estruturantes, contribui para transformar chuvas intensas — previsíveis nesta época do ano — em eventos fatais. O debate sobre responsabilidade pública e prevenção ganha força em nível nacional, diante de eventos climáticos extremos cada vez mais frequentes.

 

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