O ministro Celso de Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou a Polícia Federal (PF) a colher os depoimentos de mais dez pessoas no inquérito que apura uma suposta interferência indevida do presidente Jair Bolsonaro na corporação. Na decisão, o ministro retirou o sigilo da investigação e, com isso, dá publicidade ao inquérito.
A pedido do procurador-geral da República, Augusto Aras, serão ouvidos os ministros Walter Braga Netto (Casa Civil), Luiz Eduardo Ramos (Secretaria-Geral) e Augusto Heleno (Gabinete de Segurança Institucional).
Também prestará depoimento a deputada federal Carla Zambelli (PSL-SP) e os delegados da PF Maurício Valeixo, ex-diretor-geral, e Alexandre Ramagem, que foi indicado para o seu lugar mas teve sua nomeação barrada pelo STF.
Celso de Mello também determinou que a Secretaria-Geral da Presidência da República envie uma cópia, em vídeo, da reunião entre Bolsonaro, ministros e presidentes de bancos públicos no dia 22 de abril. Nessa ocasião, Bolsonaro teria ameaçado demitir Moro.
No sábado (2), o ex-ministro da Justiça prestou depoimento e relatou que sofria pressão do presidente para trocar o superintendente da PF no Rio, onde o senador Flávio Bolsonaro, seu filho mais velho, é investigado em um esquema de desvios de salários.
O objetivo das oitivas é levantar informações sobre “eventual patrocínio, direto ou indireto, de interesses privados do Presidente da República perante o Departamento de Polícia Federal, visando ao provimento de cargos em comissão e a exoneração de seus ocupantes”.
Fonte: Jornal Valor Econômico
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