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Com a decisão de hibernar campos terrestres da UO-BA, direção da Petrobrás aprofunda crise sanitária no Nordeste

Com a decisão de hibernar campos terrestres da UO-BA, direção da Petrobrás aprofunda crise sanitária no Nordeste

15/04/2020 às 18h56 Atualizada em 15/04/2020 às 21h56
Por: Redação
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Foto: Reprodução
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A hibernação (fechamento) poderá atingir os campos de Taquipe, Candeias, Santiago e Miranga, localizados nos municípios de São Francisco do Conde, Candeias, São Sebastião do Passé, Catu e Pojuca. Nos demais campos terrestres, localizados nos municípios de Araças, Alagoinhas, Entre Rios, Esplanada, Cardeal da Silva e Mata de São João, a Petrobrás deve cancelar todo o processo de investimento para o ano de 2020.

Em correspondência enviada ao Sindipetro Bahia, no dia 8/04, a direção da Petrobrás informou que está preparando a redução das atividades nos campos da UO-BA – o que chamou de hibernação – sem definir claramente quais campos serão atingidos.

Ao buscar mais informações sobre o assunto, a diretoria do Sindipetro soube através de alguns gerentes que a hibernação (fechamento) poderá atingir os campos de Taquipe, Candeias, Santiago e Miranga, localizados nos municípios de São Francisco do Conde, Candeias, São Sebastião do Passé, Catu e Pojuca.

Nos demais campos terrestres, localizados nos municípios de Araças, Alagoinhas, Entre Rios, Esplanada, Cardeal da Silva e Mata de São João, a Petrobrás deve cancelar todo o processo de investimento para o ano de 2020, o que impede a manutenção ou aumento da produção. Isso vai contribuir com o declínio dos campos da UO-BA, que geram cerca de 5 mil postos de trabalho diretos e indiretos.

A direção da Petrobrás já anunciou também a hibernação de campos marítimos e, no caso dos campos terrestres, a medida não atinge só a Bahia, mas também os estados de Sergipe, Alagoas, Rio Grande do Norte, Ceará e norte do Espírito Santo.

Para o Sindipetro a decisão vai ao encontro do próprio processo de privatização da companhia iniciado pela atual gestão da empresa.

Com a dificuldade de vender seus ativos devido, principalmente, à crise do petróleo que sofreu uma queda de 50% nesse ano em função da guerra de preços travada pela Arábia Saudita e Rússia e também pela diminuição da demanda por causa do coronavírus, a atual gestão da Petrobrás encontrou um meio de colocar em prática o seu plano de privatização.

A paralisação das atividades nos campos da UO-BA deve ter inicio até o final de abril ou principio de maio e significará a redução de 50% da produção da estatal na Bahia.

A UO-BA processa cerca de 32 mil barris de petróleo e gás natural por dia, um negócio de mais de 2 bilhões de reais por ano, que gera empregos e arrecadação, principalmente de ISS para esses municípios e também royalties para os municípios e o estado da Bahia.

Aos trabalhadores diretos, cerca de 900, a Petrobrás, de forma impositiva, sem negociação com o sindicato, apresentou duas opções: serem transferidos para as refinarias da empresa ou aderirem ao Programa de Demissão Voluntária. Para os terceirizados – aproximadamente 4 mil – não há alternativa, a maioria será demitida.

Em meio à pandemia o papel da Petrobrás, como uma empresa pública e com responsabilidade social, deveria ser o de contribuir para amenizar a crise, o de acalmar milhares de país e mães de família garantindo os seus empregos e manter os investimentos para ajudar na sustentabilidade econômica de estados e municípios.

Infelizmente, mais uma vez, a atual gestão da empresa pega o bonde errado e vai na contramão da história, acabando por contribuir fortemente com a redução de investimentos e com o freio da economia, já que com isso diminui a contratação de bens, de serviços, de equipamentos e a geração de empregos.

O mais grave de acordo com o diretor de comunicação do Sindipetro Bahia, Radiovaldo Costa, é que essa hibernação a médio e longo prazo pode significar o encerramento de toda atividade de extração de petróleo e gás no estado da Bahia, pois “hoje devido ao baixo valor do barril de petróleo no mercado internacional, os campos maduros e poços de petróleo em terra possuem custos mais elevados e uma vez que resolve fechar alguns campos, a Petrobrás não irá manter a produção restante de 15 ou 20 mil barris de petróleo/dia a um custo alto”. Para Radiovaldo os campos não serão sequer vendidos para as empresas privadas, pois a crise do petróleo complicou o cenário. Então, ninguém vende ou compra”.

Para o sindicalista “essa medida é absurda e não se justifica. A Petrobrás é um braço do estado brasileiro e, em um momento como esse, deveria manter e fazer novos investimentos. A área de petróleo é estratégica, demanda contratação de serviços e pessoas, podendo gerar empregos em áreas carentes como é o caso da região Nordeste, que, infelizmente, será ainda mais afetada”.

O Sindipetro repudia essa medida e vai buscar apoio político, chamando a atenção do governador do estado, prefeitos, vereadores, senadores, deputados federais e estaduais, independente de questões partidárias, alertando para os prejuízos que o estado da Bahia terá se essas medidas da Petrobrás forem levadas adiante.

Para Radiovaldo esse é mais um ataque da atual gestão da Petrobrás aos interesses do Nordeste. “Fica cada vez mais claro que o governo federal não tem compromisso com o fortalecimento da economia brasileira e atua para intensificar a crise que estamos vivendo, no lugar de tentar amenizá-la”.

Para o coordenador do Sindipetro Bahia, Jairo Batista, “muitos setores estão sendo afetados com a crise sanitária e a Petrobrás deveria compensar isso, mas faz o inverso, aprofundando a crise.

Mesmo com as limitações do momento que impedem realizações de setoriais e assembleias, de forma presencial, o Sindipetro vai fazer o que estiver ao seu alcance, principalmente na articulação política para buscar barrar essa medida absurda.

 

Fonte: Sindipetro Bahia

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