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Doria muda o tom e admite rever protocolos da PM após mortes em Paraisópolis

Doria muda o tom e admite rever protocolos da PM após mortes em Paraisópolis

06/12/2019 às 11h32 Atualizada em 06/12/2019 às 14h32
Por: Redação
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Foto: Reprodução
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Governador deu declaração em entrevista coletiva nesta quinta-feira, três dias depois de dizer que 'a letalidade não foi provocada pela Polícia Militar'. Na madrugada de domingo, 9 pessoas morreram pisoteadas em ação da PM em baile funk.

O governador de São Paulo, João Doria (PSDB), afirmou nesta quinta-feira (5) que orientou o secretário da Segurança Pública, general João Camilo Pires de Campos, a rever protocolos da Polícia Militar. Ele fez o anúncio depois de nove pessoas terem morrido pisoteadas durante operação da PM em Paraisópolis, na Zona Sul da capital paulista, na madrugada de domingo (1º).

Na segunda-feira (2), Doria havia dito que a "letalidade [as mortes em Paraisópolis] não foi provocada pela Polícia Militar, e, sim, por bandidos que invadiram a área onde estava acontecendo o baile funk".

Na ocasião, o governador afirmou ainda: "Não houve ação da polícia, nem utilização de arma, nem ação da polícia em relação a invadir a área onde o baile funk estava ocorrendo".

Já nesta quinta, em entrevista coletiva no Palácio dos Bandeirantes, na Zona Sul da capital, Doria falou sobre a revisão de conduta por parte da PM.

"O secretário da Segurança Pública já foi orientado a rever protocolos e identificar procedimentos que possam melhorar e inibir, senão acabar, com qualquer perspectiva da utilização de violência e de uso desproporcional de força em qualquer acontecimento do estado de São Paulo”, afirmou, mudando o tom.

Ao comentar vídeos que mostram policiais militares agredindo pessoas durante bailes funk em Heliópolis e Paraisópolis, Doria disse que ação ostensiva dos agentes nas comunidades "não é rotineira", apenas circunstancial.

"Não é rotineira. As circunstâncias pontuais que representam a falha do procedimento da polícia têm que ser corrigidas de imediato. Obviamente, aqueles que falharam, nessas circunstâncias, proporcionaram violência e uso desnecessário de força com vítimas, devem ser punidos", declarou o governador.

'Muito chocado', disse Doria - O governador afirmou que ficou "muito chocado" ao assistir ao vídeo gravado em um baile funk em Paraisópolis, em outubro, no qual um policial aparece agredindo, com um bastão de madeira, jovens que passam correndo.

"É uma circunstância inaceitável", disse ele. "Como governador de São Paulo, eu não aceito que esse procedimento exista e não vai mais existir. Pelo menos faremos de tudo para que isso não mais aconteça."

Sobre a reunião com familiares das vítimas de Paraisópolis ocorrida na noite desta quarta-feira (4), depois de uma manifestação pacífica até o palácio, Doria disse que garantiu ao parentes que as investigações serão concluídas.

"Fiz um compromisso do nosso governo na isenção da investigação."

Polícia passa a usar drones em operações - Durante a entrevista coletiva, o governador informou que, a partir desta quinta, entra em funcionamento a a polícia de drone do estado de São Paulo. A DronePol terá 145 drones usados em operações, ações e fiscalizações.

"São drones de alta capacidade de definição de imagem. Ajudam muito em programas preventivos e em ações de identificação de fatos e ocorrências. Os drones permitem até a identificação de quantidade de pessoas, um número quase que preciso de pessoas que estão numa determinada área", descreveu o governador.

Questionado sobre a possibilidade do uso desses drones em ações policiais como a ocorrida em Paraisópolis na madrugada de domingo, o secretário estadual de segurança pública, General João Camilo Pires de Campos, afirmou na coletiva que todas as operações previamente planejadas a partir de agora serão gravadas.

"Todas as operações serão gravadas, porque, acima de tudo, [a medida] protege a ação do policial e esclarece aqueles que comandam se há a possibilidade de ajuste ou não", afirmou o secretário de segurança pública.

Telefonema a Moro - Doria afirmou que telefonou ao ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, para comentar a fala sobre excesso da polícia paulista na ação em Paraisópolis.

"Neste caso em São Paulo, com todo respeito à polícia lá da PM do Estado de São Paulo, que realmente é uma polícia de qualidade – ela é elogiada no país inteiro –, aparentemente houve lá um excesso, um erro operacional grave que resultou na morte de algumas pessoas", disse Moro, referindo-se às mortes durante a ação policial no baile funk.

Para Doria, o fato de o comentário do ministro ter sido feito durante um seminário sobre a Lei Anticrime poderia sugerir “o sentimento dessa generalização que nós não queremos em relação à PM de SP”.

“Ele [Moro] compreendeu bem e me explicou [no telefonema] que não quis fazer ali essa generalização, mas apenas [dizer] que pontualmente pode ter havido alguma situação que merecesse revisão de protocolo", afirmou o governador.

"É um fato triste na história de São Paulo, mas que tem que ser tratado de forma equilibrada e solidária", continuou Doria, afirmando que, por outro lado, a Polícia Militar de São Paulo não deve ser "generalizada e criminalizada". Disse também que o ocorrido não deve ser transformado em um confronto entre a polícia e as comunidades e periferias da capital.

Histórico - A apuração de violência e repressão policial em bailes funk na cidade começou após a morte de nove pessoas durante uma ação da PM na madrugada de domingo (1°), em Paraisópolis.

De acordo com a polícia, agentes do 16º Batalhão de Polícia Militar Metropolitano (BPM/M) realizavam uma Operação Pancadão na comunidade – a segunda maior da cidade, com 100 mil habitantes – quando foram alvo de tiros disparados por dois homens em uma motocicleta.

A dupla teria fugido em direção ao baile funk ainda atirando, o que provocou tumulto entre os frequentadores do evento, que tinha cerca de 5 mil pessoas.

Entretanto, relatos de testemunhas e moradores apontam que os frequentadores do Baile da 17 foram encurralados e agredidos pelos policiais militares na Viela Três Corações e na Viela do Louro.

O caso passou a ser investigado como morte suspeita, lesão corporal e homicídio a apurar. Na segunda-feira (2) o Departamento Estadual de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP) assumiu as investigações. Eles vão apurar se há envolvimento e responsabilidade de policiais nas mortes e lesões causadas às vítimas.

Seis PMs envolvidos na ação de domingo foram afastados preventivamente das ruas pela corporação para realizarem serviços administrativos. A Corregedoria da Polícia Militar iniciou apuração da conduta dos agentes.

O Ministério Público (MP) também passou a acompanhar todas as investigações.

Fonte: G1/São Paulo

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