
“As hepatites virais são doenças que muitas vezes evoluem de forma silenciosa. Em diversos casos, o paciente passa anos sem apresentar sintomas e só descobre a infecção quando já existe um comprometimento importante do fígado. Por isso, o diagnóstico precoce faz toda a diferença, pois permite iniciar o tratamento no momento adequado e reduzir significativamente o risco de complicações, como cirrose e câncer hepático”, destaca o médico hepatologista João Eduardo Pereira, do Hospital Alagoinhas.
O alerta ganha ainda mais relevância durante o Julho Amarelo, campanha nacional de conscientização sobre a prevenção, o diagnóstico e o tratamento das hepatites virais. As infecções estão entre as principais causas de doenças crônicas do fígado e representam um importante desafio para a saúde pública, especialmente porque, na maioria dos casos, podem permanecer sem sintomas por muitos anos.
Segundo o Ministério da Saúde, as hepatites virais são inflamações que atingem o fígado e podem ser causadas por diferentes vírus, sendo os tipos A, B, C, D e E os mais conhecidos. As hepatites B e C merecem atenção especial por apresentarem maior potencial de cronificação, podendo evoluir para cirrose e câncer de fígado quando não diagnosticadas e tratadas precocemente.
Embora algumas pessoas apresentem sintomas como fadiga, náuseas, dor abdominal, febre, pele e olhos amarelados e urina escura, grande parte dos pacientes não manifesta qualquer sinal da doença. Por isso, especialistas reforçam a necessidade da realização de exames, especialmente entre pessoas que apresentam fatores de risco.
A transmissão varia de acordo com o tipo da doença. Enquanto a hepatite A está geralmente relacionada ao consumo de água e alimentos contaminados e às condições de saneamento básico, as hepatites B e C podem ser transmitidas pelo contato com sangue contaminado, pelo compartilhamento de objetos perfurocortantes, em procedimentos realizados sem a devida esterilização e por relações sexuais desprotegidas. A hepatite B também pode ser transmitida da mãe para o bebê durante a gestação ou o parto.
O médico João Eduardo Pereira ressalta que a prevenção continua sendo a melhor forma de reduzir a incidência da doença. “É fundamental manter a vacinação contra a hepatite B em dia, utilizar preservativos em todas as relações sexuais, evitar o compartilhamento de objetos que possam ter contato com sangue, como lâminas de barbear, alicates de unha e seringas, além de procurar estabelecimentos que sigam corretamente as normas de biossegurança para procedimentos como tatuagens e colocação de piercings”, orienta.
Outro ponto destacado pelo especialista é a importância da testagem, especialmente para pessoas que tiveram algum fator de risco ao longo da vida. “Os testes rápidos para hepatites B e C estão disponíveis gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde e possibilitam o diagnóstico precoce, aumentando as chances de sucesso no tratamento e reduzindo o risco de complicações.
O Julho Amarelo reforça justamente esse alerta: não é preciso esperar o aparecimento de sintomas para procurar uma unidade de saúde. Quanto mais cedo a doença é identificada, maiores são as possibilidades de preservar a saúde do fígado e garantir qualidade de vida”, conclui.
Mín. 17° Máx. 29°