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Um pouco de respeito ao trabalhador

Um pouco de respeito ao trabalhador

18/10/2019 às 12h52 Atualizada em 18/10/2019 às 15h52
Por: Redação
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Foto: Reprodução
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Ainda patinando para sair de uma severa crise econômica, o Brasil viu surgir um enorme contingente de entregadores a serviço de aplicativos. São 4 milhões de profissionais autônomos, sem direitos, que estão sujeitos a longas jornadas de trabalho, que podem chegar a 15 horas por dia - prática apelidada de "uberização". Em julho a discussão ficou mais intensa depois que um motoboy a serviço de um aplicativo teve um AVC durante uma entrega e morreu, sem que a empresa lhe prestasse qualquer socorro.

Um motoboy morreu nesta segunda feira (8) após sofrer um acidente vascular cerebral (AVC) durante uma entrega em Perdizes, na Zona Oeste de São Paulo. Thiago de Jesus Dias, de 33 anos, foi socorrido na noite de sábado (6) pela cliente do aplicativo Rappi que esperava a entrega, mas morreu no hospital dois dias depois do mal súbito.

Segundo a cliente que ajudou no socorro, Thiago estava com fortes dores de cabeça, náuseas e pressão baixa. "Ele tremia muito e vomitou algumas vezes", disse a advogada Ana Luísa Pinto.

A advogada contatou a Rappi com o celular do motoboy, mas a atendente disse apenas o que era preciso ser feito para que as próximas entregas não fossem afetadas.

"Entramos em contato com a Rappi que, sem qualquer sensibilidade, nos pediu para que déssemos baixa no pedido para que eles conseguissem avisar os próximos clientes que não receberiam seus produtos no horário previsto", relata.

Procurada, a Rappi disse que lamenta profundamente a morte do entregador e que está em contato e à disposição dos familiares de Thiago. No entanto, a família relata que só foi procurada pela empresa na noite de quarta-feira (10) --o AVC ocorreu no sábado e a morte encefálica de Thiago foi confirmada na segunda (8).

"A empresa está desenvolvendo um botão de emergência, que estará disponível dentro do aplicativo dos entregadores, por meio do qual os mesmos poderão optar por acionar diretamente o suporte telefônico da Rappi - que contará com equipe especializada - ou as autoridades competentes (caso se deparem com situações relacionadas à saúde ou segurança)", afirma em nota.

O Serviço de Atendimento Móvel de Urgências (Samu), da Prefeitura de São Paulo, foi procurado pelo menos duas vezes, mas nenhuma ambulância foi enviada ao local. Um motorista de Uber foi chamado para levar a vítima ao hospital, mas se recusou porque o entregador estaria sujo e molhado após urinar em si mesmo enquanto passava mal, segundo Daiane de Jesus Dias, irmã de Thiago.

De acordo com Daiane, foram quase duas horas de espera por socorro até conseguir a ajuda de amigos, que chegaram de carro e levaram Thiago ao Hospital das Clínicas. O entregador teve a morte encefálica confirmada na manhã de segunda-feira no mesmo hospital.

Daiane e Ana Luisa reclamam que não tiveram nenhum suporte da Rappi ou do Samu e também lamentam a atitude do motorista da Uber que se recusou a levar Thiago. A família estuda processar o aplicativo para a qual o entregador trabalhava há mais de dois anos e também a Uber e a Prefeitura de São Paulo, responsável pelo Samu.

Omissão de socorro - Segundo a Secretaria Municipal da Saúde, o chamado ao Samu foi feito às 22h15 do sábado. “O caso foi registrado como dor de cabeça e classificado com prioridade média, recebendo o acompanhamento pela central até ser cancelado com a informação de que o paciente foi removido em automóvel particular”, afirma a secretaria.

A Coordenação do Samu diz que lamenta o ocorrido e que um procedimento interno de apuração foi aberto para investigar o atendimento. "Após sua conclusão a direção do órgão irá adotar as medidas cabíveis”, afirma.

A advogada que socorreu Thiago, no entanto, relata que destacou a gravidade do caso durante a ligação que fez ao Samu.

"O Thiago desmaiou. Parecia que ele estava tendo uma convulsão, seu corpo e membros todos rígidos e sua respiração bastante dificultada, fazia bastante barulho", disse Ana Luisa. "Viramos ele de lado para que ele não se engasgasse e disparamos mais ligações para o Samu e Bombeiros. Fizemos todos os testes que nos orientaram pelo telefone e enfatizamos diversas vezes a urgência do caso."

A Uber foi procurada para se pronunciar em relação à recusa do motorista chamado para levar Thiago ao hospital mas não se manifestou até a publicação desta reportagem.

Fonte: G1

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