
O rompimento da barragem em Brumadinho, Minas Gerais, motivou a criação de vários boatos e teorias conspiratórias. Reunimos abaixo as informações falsas sobre o assunto que têm circulado com mais frequência. Se você receber alguma corrente do tipo pelo WhatsApp, nos envie ao número (11) 99263-7900 — isso ajuda a identificar quais mentiras estão sendo compartilhadas. Atualizaremos esta publicação à medida que checarmos outros boatos.
No calor de momentos de crise e tragédia, é comum que as pessoas compartilhem mensagens sem checá-las. Mas é importante se valer do ceticismo e pensar duas vezes antes de repassar conteúdo criado por fontes anônimas. Um passo simples e que pode evitar muita desinformação é usar o Google ou outra ferramenta de busca para pesquisar palavras-chave relacionadas ao conteúdo que você quer verificar.
Já desmentimos esse boato por aqui, mas ele continua a viralizar. Trata-se de um texto que afirma que um venezuelano e um cubano foram presos pela Polícia Rodoviária Federal a 68 quilômetros de Brumadinho, sob a suspeita de terem explodido a barragem da Vale. Eles seriam parte, segundo o texto, de células terroristas que se infiltraram em território nacional para sabotar o governo Bolsonaro.
É tudo falso: a PRF já informou que “não registrou ocorrências envolvendo estrangeiros no estado de Minas Gerais ou quaisquer outras prisões que tenham relação com a tragédia em Brumadinho”.
Circula no WhatsApp e nas redes sociais um suposto desabafo da primeira-dama, Michelle Bolsonaro. “Hoje li algo que alguém escreveu, dizendo que Brumadinho está colhendo o que plantou! Simplesmente porque nessa cidade Bolsonaro conseguiu 60% dos votos!”, começa o texto.
Após o rompimento da barragem da Vale, vários vídeos e imagens antigas foram falsamente associadas à tragédia. Um deles é a filmagem de um desmoronamento que, na verdade, ocorreu em 2015, em uma usina hidrelétrica em Sinop, no Mato Grosso.
O vídeo de um desastre ocorrido em Laos, país no sudeste asiático, também foi falsamente associado a Brumadinho. A filmagem mostra um rio de lama que arrasta um carro e invade uma casa; mas o fato ocorreu em 2017, quando a barragem de uma hidrelétrica cedeu. É possível perceber que os gritos não são em português e não foram no Brasil.
A tragédia em Brumadinho voltou a chamar atenção para o decreto 8.572, de 13 de novembro de 2015, assinado pela presidente cassada Dilma Rousseff poucos dias após o desastre em Mariana. O texto do documento que circula no WhatsApp é verdadeiro, e tem trecho que diz que “considera-se também como natural o desastre decorrente do rompimento ou colapso de barragens que ocasione movimento de massa, com danos a unidades residenciais”.
O que pode passar despercebido é que o decreto dispõe sobre o uso do Fundo de Garantia de Tempo de Serviço (FGTS). A lei estabelece que o trabalhador pode sacar do FGTS em caso de desastres naturais; o que o decreto fez foi incluir rompimento de barragens nesta categoria.
Outra informação que circulou é a de que a conta criada pelo Banco do Brasil para receber dinheiro e ajudar as vítimas seria falsa. No entanto, o banco estatal de fato abriu uma conta em parceria com a Prefeitura de Brumadinho. A informação está no próprio Twitter oficial do BB. Os dados são: agência 1669-1; conta 200-3; CNPJ 18.363.929/0001-40.
No entanto, também houve indícios de que contas falsas foram criadas para lucrar em cima de uma suposta ajuda às vítimas. Por isso é importante se certificar da veracidade das informações referentes à conta — antes de finalizar uma transferência, por exemplo, é possível verificar os dados do beneficiário. A própria Polícia Militar alertou para esse tipo de cuidado.
Segundo a PM, as doações em forma de mantimentos, não em dinheiro, seriam desnecessárias no momento — é preferível a ajuda financeira. Os alimentos em excesso podem causar perdas.
Outra informação falsa enviada ao WhatsApp do Estadão Verifica diz respeito à composição acionária da Vale. O texto tira de contexto, exagera e não atualiza informações contidas em um artigo publicado originalmente em novembro de 2015.
Segundo a mensagem, o Partido dos Trabalhadores teria controle sobre mais de 60% das ações da Vale. O texto diz que a ‘recompra’ da Vale teria se dado por meio das empresas Litel e BNDESPar. A primeira é formada por fundos de pensão ligados a companhias estatais; a segunda é o braço de investimentos do banco estatal BNDES.
No entanto, as duas empresas não controlam o percentual de ações informado no boato: segundo a composição acionária divulgada pela Vale em dezembro de 2018, a Litel detinha 20,9% das ações e a BNDESPar, 6,7%. A maior parte das ações atualmente pertence a investidores estrangeiros (47,7%).
A Vale também não é presidida por um “ex-sindicalista amigo de Lula”. O CEO da companhia é Fabio Schvartsman, que já presidiu a empresa de papéis Klabin.
Um vídeo enganoso que circulou nas redes sociais mostra uma mulher saindo viva do meio da lama num desastre natural. No entanto, as imagens não foram feitas em Brumadinho. A mulher se chama Evangelina Chamorro Díaz, que se salvou de um deslizamento em Punta Hermosa, subúrbio de Lima, em março de 2017.
ESTADÃO VERIFICA
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