Entre as principais novidades, está a indicação do vice-presidente eleito, Geraldo Alckmin, do PSB, para a Indústria e Comércio. Assim, Lula deixa para a semana que vem a distribuição de cargos no primeiro escalão para partidos que o apoiaram no segundo turno ou que negociam formar sua base aliada no Congresso, como PSD, MDB e União Brasil.
Lula anunciou os seguintes nomes:
Com 21 nomes indicados, a expectativa é que faltem ainda 16, uma vez que o futuro chefe da Casa Civil, Rui Costa, já declarou que serão 37 pastas.
— Vamos ver se na segunda ou terça-feira a gente termina de anunciar os ministérios — disse o presidente eleito ao anunciar a equipe.
A confirmação do ex-governador do Piauí Wellington Dias (PT) para a pasta do Desenvolvimento Social, que cuida do Bolsa Família, tomou o espaço pretendido no governo pela senadora Simone Tebet (MDB-MS), que apoiou Lula no segundo turno após ficar em terceiro lugar na disputa presidencial.
A ideia do futuro governo é dar outra pasta para Tebet, a de Meio Ambiente. Depois de resistir a essa alternativa, tendo dito a aliados que preferia ficar fora do governo se não fosse para comandar Desenvolvimento Social, Tebet já sinaliza que poderá aceitar Meio Ambiente.
Como informou a colunista Malu Gaspar, a nova gestão vê com bons olhos uma "dobradinha" formada por Tebet no Meio Ambiente e Marina Silva como chefe da autoridade climática a ser criada.
Com a aprovação da PEC da Transição pelo Congresso na última quarta-feira, Lula agora se dedicará a montar o quebra-cabeça da divisão de cargos com os novos partidos aliados. MDB, PSD e União Brasil são as siglas que não o apoiaram na eleição mas agora negociam compor a base aliada e reivindicam espaço na Esplanada. Os três partidos votaram majoritariamente a favor da PEC, sinalizando que serão capazes de entregar votos no Congresso ao futuro governo. O MDB quer duas pastas, além da que deve caber a Tebet. O PSD também reivindica dois ministérios, um para a bancada na Câmara, outro para o Senado. Já o União Brasil deve fazer um ministro.
O anúncio da leva de ministros sucedeu a uma exposição do trabalho feito pelo governo de transição. O presidente agradeceu a pluralidade do grupo de transição, e afirmou que é difícil montar um governo que represente todas as forças agregadas durante a eleição. O petista também comentou o legado político da eleição, que considerou a mais difícil do Brasil, e afirmou que o maior desafio é vencer o bolsonarismo:
— É mais difícil montar o governo do que ganhar as eleições. Estamos tentando montar um governo que a gente consiga representar o máximo de forças políticas que nos ajudaram na campanha — frisou.
— Foi o legado político que deixamos nesse país e que fez com que a gente ganhasse essa eleição, que foi a mais difícil da história desse país. Nós derrotamos o Bolsonaro, mas o bolsonarismo está nas ruas desse país, raivosa e sem querer reconhecer a derrota que tiveram. Além de governar com competência, teremos que derrotar o bolsonarismo nas ruas desse país.
Lula também disse que é preciso evitar cometer o equívoco de julgar quem foi beneficiado por programas anteriores da gestão petista e se tornou bolsonarista:
— De vez em quando as pessoas falam que fizemos uma campanha e que foi difícil porque muita gente que recebeu benefício do nosso governo passado, viraram bolsonaristas, e não votaram na gente. Queria pedir para vocês não cometerem esse equívoco. Primeiro, porque o voto é livre.
O governo Bolsonaro possui 23 ministérios. Antes do anúncio de hoje, Lula só havia anunciado cinco nomes: Fernando Haddad (Fazenda), Rui Costa (Casa Civil), Flávio Dino (Justiça), José Múcio (Defesa) e Mauro Vieira (Relações Exteriores).
Agradecimento a Lira e Pacheco
O presidente eleito agradeceu aos presidentes da Câmara, Arthur Lira, e do Senado, Rodrigo Pacheco, pela aprovação da PEC da transição. O petista também agradeceu os parlamentares. Lula só aguardava a votação da "PEC da Transição" para oficializar, se não toda, ao menos grande parte do primeiro escalão do novo governo.
— É a primeira vez que um presidente da Republica toma posse e começa a governar antes da posse. Tivemos a responsabilidade de fazer uma PEC e todo mundo sabe que não era nossa, era para cobrir a irresponsabilidade do governo que vai sair.
Antes do anúncio, Lula frisou a situação de "penúria" encontrada pelos grupos de transição:
— Esse material que acaba de ser entregue é um material que não pretendo fazer pirotecnia, fazer um show, um escândalo. Eu quero apenas que sociedade brasileira saiba o Brasil que encontramos em dezembro de 2022. Recebemos esse governo em situação de penúria, uma situação em que as coisas mais simples foram feitas de forma irresponsável, porque o presidente preferia contar mentiras no cercadinho do que governar esse país.
Alckmin: governo 'andou para trás'
Após uma breve introdução da presidente do PT, Gleisi Hoffmann, o vice-presidente Geraldo Alckmin assumiu a leitura de um breve relatório. Os coordenadores do gabinete de transição fizeram uma apresentação para dar um panorama da situação encontrada pelo governo eleito na administração federal. Durante cerca de dois meses, 32 grupos temáticos trabalharam para colher informações sobre a situação atual da Esplanada dos Ministérios.
Alckmin relatou os retrocessos em algumas áreas de atuação, e disse que o governo federal "andou para trás":
— Fizemos uma síntese para que não haja interrupção dos serviços públicos. Infelizmente tivemos um retrocesso em muitas áreas. O governo federal andou para trás. O estado que o presidente Lula recebe é muito mais difícil e muito mais triste que anteriormente — afirmou.
Sob o comando do coordenador-geral da transição e vice-presidente eleito, os grupos técnicos realizaram levantamentos sobre a estrutura das pastas bem como sobre sua situação orçamentária. A partir dessas informações, começaram a desenvolver políticas públicas que planejam implementar em cada uma das áreas a partir de 2023.
Alckmin também criticou a falta de transparência do atual governo em fornecer alguns dados. Segundo o vice-presidente, 26% dos pedidos de informação feitos pela transição foram negados pelo governo de Bolsonaro. O vice-presidente eleito destacou que o desmonte verificado no governo "não é austeridade, é ineficiência de gestão".
Mais cedo, pelo Twitter, o presidente agradeceu o trabalho dos grupos de transição.