
Familiares informam que Chateaubriand morreu "de causas naturais", na fazenda Rio Corrente, em Porto Ferreira, a 220 quilômetros da capital paulista, e onde estão algumas peças de sua coleção. A maior parte do acervo — 6.600 obras — foi cedida ao Museu de Arte Moderna (MAM) do Rio de Janeiro, em regime de comodato, em 1993.
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_da025474c0c44edd99332dddb09cabe8/internal_photos/bs/2022/s/Q/s0dtYqToa9Gh9EYDBMUg/55695403-sc-gilberto-chateaubriand-e-parte-de-sua-colecao.jpg)
Gilberto Chateauriand e parte de sua coleção — Foto: Vicente de Mello
Na fazenda que mantinha no interior de São Paulo, onde cultivava soja e cana, Chateuabriand passava a maior parte do tempo, sempre na companhia dos cachorros, tornando o seu apartamento carioca, no Leblon, um pouso cada vez mais raro.
Dono de uma memória impressionante, Gilberto Chateaubriand sabia exatamente o que havia adquirido, e em que ano. A preocupação do colecionador com "seus artistas" — mais de 500 — era uma das características mais citadas por pintores, escultores e fotógrafos que integram a prestigiada coleção, cujo foco principal é modernismo brasileiro e arte contemporânea, a partir dos anos 1960/70.
A coleção reúne um panorama quase completo da produção artística nacional. Há preciosidades como o “Urutu” (1928), de Tarsila do Amaral (uma das quatro telas da artista), e telas como "O farol" e "A japonesa", de Anita Malfatti. Todos os grandes artistas dos anos 1960/70 estão lá, como Rubens Gerchman, Carlos Vergara, Antonio Dias, Artur Barrio, Antonio Manuel e Cildo Meireles, além de nomes da nova geração, a quem ele fazia questão de impulsionar a carreira.
— Gilberto criou uma coleção que reflete o Brasil, a arte e os artistas que ele tanto amou, e que tanto o amaram. Uma história de amor que nunca terá fim. O MAM Rio se orgulha de ter participado desta história — diz Paulo Albert Weyland Vieira, diretor executivo do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro.
Gilberto era filho de Assis Chateaubriand, magnata da imprensa brasileira, dono dos Diários Associados e fundador do Museu de Arte de São Paulo (Masp). Ele começou a colecionar arte em 1953, quando um amigo o levou ao ateliê do pintor José Pancetti, em Salvador, que o presenteou com o óleo sobre tela “Paisagem de Itapuã” (1953).
Entre 1956 e 1959, Gilberto trabalhou como diplomata, para o Itamaraty, na Europa. De volta ao Brasil, passou a colecionar arte com afinco, seguindo conselhos dos galeristas Giovana Bonino e Jean Boghici, do pintor Carlos Scliar e do colecionador Aloysio de Paula.
Fonte: O Globo
Mín. 19° Máx. 31°