
Robinson Almeida diz ter identificado, junto aos seus correligionários e colegas na Assembleia Legislativa da Bahia (AL-BA), que uma empreiteira é suspeita de favorecimento durante as gestões de ACM Neto (UB) e Bruno Reis (UB), com base na análise de contratos de fornecimento de equipamentos de mão de obra, requalificação da orla e obras na torre da Petrobras no Itaigara.
“O contexto é que há um triângulo que envolve a BSM, a Prefeitura de Salvador e um personagem chamado Lucas Cardoso. Lucas Cardoso foi denunciado no âmbito da Lava Jato por um executivo da Odebrecht como sendo a pessoa que arrecadou recursos de caixa dois pra financiar a campanha do então candidato ACM Neto em 2012 a prefeito de Salvador”, disse Robinson Almeida, que alega que Lucas Cardoso assumiu o posto atual após a gestão de Neto, em 2021. “Lucas Cardoso agora foi revelado como proprietário, como sócio da empresa desde a BSM. E durante as duas gestões do prefeito ACM Neto a BSM teve contratos com a prefeitura de Salvador em torno de duzentos e setenta milhões de reais”, completou.
Entre os contratos citados pelo deputado do PT na entrevista, um deles seria com a Secretaria de Manutenção [Seman], para fornecer equipamentos de mão de obra, assinado em 2019 e renovado, segundo Almeida, sem licitação. “O contrato que era de R$ 30 milhões hoje já tem R$ 110 milhões em execução. E ele ainda é vigente na atual gestão de Bruno Reis”, acusou.
“O outro contrato sugere um direcionamento, que foi assinado pela Secretaria de Manutenção em 2019 para requalificar a orla de Salvador em um trecho entre Amaralina e a Pituba. Essa obra ainda não está 100% concluída”, disse o petista, que questiona não só a eventual renovação sem licitações em obras, mas o que ele enxergou como favorecimento diante de outros concorrentes.
“Nove empresas participaram da licitação [contrato para o trecho da orla entre Amaralina e Pituba] e sete foram desabilitadas. A BSM, que estranhamento mostrou o maior valor, foi assumida em um contrato que era de R$ 39 milhões, mas que já está em R$ 48 milhões, mais de 20% de acréscimo”.
O terceiro contrato questionado pela bancada é o que envolve a Petros, proprietária da torre da Petrobras no Itaigara. “Ela executou obras que a Prefeitura de Salvador exigiu para liberar o uso daquele prédio. Foi firmado um TAC [Termo de Compromisso de Ajustamento de Conduta] entre a Petros e a prefeitura. Estranhamente, a prefeitura indicou algumas empresas para que a Petros contratasse para liberar o uso do prédio, e a BSM foi novamente escolhida”, completou Robinson Almeida.
Além de Robinson Almeida, entraram com a representação os deputados estaduais do PT Bira Corôa Lula, Jacó Lula da Silva, Neusa Lula Cadore e Osni Cardoso Lula da Silva. “Eu sou da tese de que quem não deve não teme e esse motivo inclusive nos levou a entrar com essa representação, que foi a ausência de informação de interesse público por parte da prefeitura e de todos os questionamentos pelas matérias e publicações”, disse o entrevistado do Isso É Bahia desta quinta-feira ao questionar as gestões municipais de ACM Neto e Bruno Reis por não se posicionarem quando o assunto foi tocado em veículos de comunicação.
Também na entrevista, Robinson Almeida disse não precisar aguardar o retorno da representação para levantar algumas suspeitas. “As evidências são contundentes de que há prática de direcionamento e favorecimento a uma empresa em que o proprietário hoje, Lucas Cardoso, é amigo íntimo do ex-prefeito de Salvador, ACM Neto. Inclusive colocado por ele mesmo como responsável pela sua arrecadação financeira em 2012”, acusa.
Em resposta à representação feita por parlamentares do PT no Ministério Público da Bahia (MP-BA), o deputado federal Paulo Azi, presidente do União Brasil na Bahia, disse que essa é uma atuação eleitoreira por parte dos parlamentares.
“Como estão vendo o tempo passar e que o pré-candidato do grupo segue anônimo e sem subir nas pesquisas, decidiram apelar. Em vez de tentarem discutir a Bahia, discutir os graves problemas que eles deixam em nosso estado, principalmente na educação e segurança pública, eles preferem fazer política suja”, destacou o congressista.
De acordo com Aziz, os petistas tentam uma nova cartada para tentar enfraquecer a candidatura de ACM Neto ao Palácio de Ondina. "Depois de tanto tempo sentados na cadeira, estão vendo o fim muito próximo. Precisam enfrentar um adversário forte e não podem discutir os desafios do estado, pois tocarão nas próprias feridas. Como não têm propostas nem tem o que apresentar, preferem fazer politicagem”.
Aziz comparou também as gestões de Neto e Bruno Reis na Prefeitura de Salvador com as administrações do PT no âmbito estadual, que, de acordo com o deputado, não são transparentes. “Ao contrário dos governos do PT, que não têm nenhuma transparência, sem contar nos casos nebulosos que marcaram as gestões petistas, como a questão dos respiradores".
Fonte: A Tarde
Mín. 19° Máx. 31°