Segunda, 04 de Maio de 2026
19°C 30°C
Alagoinhas, BA
Publicidade

Falta de auxílio emergencial e de crédito para empresas, vão nos levar a uma recessão. Medidas restritivas precisam de suporte, mas Bolsonaro resiste

Falta de auxílio emergencial e de crédito para empresas, vão nos levar a uma recessão. Medidas restritivas precisam de suporte, mas Bolsonaro resiste

04/03/2021 às 11h14 Atualizada em 04/03/2021 às 14h14
Por: Redação
Compartilhe:
Vista geral de uma movimentada rua comercial no centro de São Paulo na terça-feira (2).SEBASTIAO MOREIRA / EFE
Vista geral de uma movimentada rua comercial no centro de São Paulo na terça-feira (2).SEBASTIAO MOREIRA / EFE

Auxílio emergencial em 2020 serviu de colete salva-vidas dos brasileiros em meio à primeira onda da covid-19. Esperança é a vacinação mas Governo ainda bate cabeça sobre rumos da economia neste ano.

A tempestade causada pelo coronavírus ainda está longe de dar uma trégua —já são mais de 257.000 as vítimas fatais no Brasil, e subindo—, mas previsões mais pessimistas para a economia não se realizaram. O Produto Interno Bruto (PIB) teve queda de 4,1% no ano passado, para 7,4 trilhões reais, segundo os dados divulgados nesta quarta-feira (2) pelo IBGE. É a maior contração em 24 anos, ainda assim, um resultado melhor do que o previsto no começo da crise sanitária por organismos internacionais, que chegaram a falar em um derretimento de até 10% na economia nacional. Sem o suporte do pacotes de incentivo neste ano, no entanto, economistas já falam em recessão no país em 2021, a terceira em 10 anos.

No ano passado, o auxílio emergencial serviu como colete salva-vidas dos brasileiros em meio a primeira onda da pandemia da covid-19, quando diversas atividades econômicas foram paralisadas na tentativa de controlar o vírus, o que garantiu um impulso da economia nos meses finais do ano. A somatória de riquezas produzidas no país no quatro trimestre teve uma alta de 3,2%, já sem o mesmo fôlego do trimestre anterior, quando o país cresceu 7,7% e abandonou momentaneamente o fantasma da recessão, depois dos recuos de 2,1% no primeiro trimestre e do recorde negativo de 9,2% no segundo trimestre.

“O auxílio emergencial injetou na economia 4% do PIB, foi o maior programa de salvamento de pessoas na história do Brasil, e conseguiu reduzir o nível de pobreza absoluta, estimulando o comércio e a vendas de alimentos. Também teve efeito na construção civil, já que muitos usaram a ajuda para introduzir melhorias nas casas em meio ao confinamento”, afirma o economista José Luís Oreiro, da Universidade de Brasília.

O resultado de 2020, no entanto, retrocede a economia brasileira ao patamar de 2016 (no fim da última recessão), com o cenário futuro sem a expectativa da recuperação de 2017 ― quando o país voltou a crescer modestos 1,3%, após dois anos de recessão. “O Brasil, no que se refere à discussão econômica, parece viver num universo paralelo. O mundo inteiro está discutindo a manutenção dos juros baixos, novos pacotes de estímulo, renda mínima para a população e o país falando em elevar juros nas próximas semanas”, diz Oreiro.

O economista lembra que foi uma opção do Governo Bolsonaro abandonar a política de estímulo econômico, que ajudou a mitigar a crise no ano passado. “Começamos o ano sem auxílio emergencial. As empresas também perderam o BEM [benefício emergencial para preservar emprego e renda do trabalhador formal] e o Pronamp [financiamento para custeio e investimentos dos médios produtores rurais em atividades agropecuárias]. Nesse momento, temos zero programa. Nada está em funcionamento. O Governo foi irresponsável de achar que a pandemia acabaria em 31 de dezembro de 2020”, diz.

Não faltaram alertas sobre a necessidade de renovar já no final do ano o estado de calamidade pública, o que garantiria a manutenção automática do orçamento de guerra para o início de 2021. Economistas ouvidos pelo EL PAÍS afirmam que esses três meses de indecisão do Governo federal, somados ao agravamento da pandemia, fazem com que o primeiro trimestre possa ser considerado perdido e o país caminhe para a terceira recessão em dez anos. “E o segundo trimestre, a depender do que o Governo fizer, pode estar perdido também”, alerta a economista Monica De Bolle, da Johns Hopkins University.

Na segunda-feira, o presidente Jair Bolsonaro anunciou que está “quase tudo certo” para o pagamento de uma nova rodada do auxílio emergencial a partir de março. O valor a ser desembolsado por mês será mais modesto do que os 600 reais pagos inicialmente. A previsão é que o novo programa de auxílio seja de 250 reais por quatro meses, um valor, segundo o presidente, “acima da média do Bolsa Família, que é de 190 reais”. A volta do benefício deve ir à votação na Câmara nesta quarta-feira.

De Bolle explica que os efeitos na economia do novo pacote serão muito reduzidos. Isso porque o país não enfrenta o mesmo cenário de crise do ano passado. “O momento da pandemia é crítico, agora temos uma nova variante do vírus, muito mais perigosa, em circulação. O Brasil é visto como um celeiros de mutações e isso reflete na economia”, diz. No curto prazo, o mercado financeiro ainda pode se beneficiar pela volatilidade causada pela incerteza econômica. “A médio prazo, a tendência de um país em trajetória de decadência é que ninguém ganhe”, diz De Bolle. Segundo ela, o Brasil é visto como uma “espécie de pária internacional” no combate à pandemia, o que afasta os investimentos de empresas, fundamentais para uma retomada sustentável.

 

Fonte: El País

* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.
500 caracteres restantes.
Comentar
Mostrar mais comentários
Alagoinhas, BA
27°
Tempo nublado

Mín. 19° Máx. 30°

28° Sensação
3.99km/h Vento
65% Umidade
100% (4.06mm) Chance de chuva
05h40 Nascer do sol
17h19 Pôr do sol
Ter 31° 20°
Qua 26° 20°
Qui 24° 20°
Sex 26° 19°
Sáb 30° 20°
Atualizado às 10h01
Economia
Dólar
R$ 4,95 -0,20%
Euro
R$ 5,80 -0,18%
Peso Argentino
R$ 0,00 +0,00%
Bitcoin
R$ 413,565,37 +1,13%
Ibovespa
187,013,56 pts -0.16%
Lenium - Criar site de notícias