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Aliança China-Rússia é inédita e terá muita força no cenário internacional, afirma Celso Amorim

Aliança China-Rússia é inédita e terá muita força no cenário internacional, afirma Celso Amorim

25/09/2020 às 12h03 Atualizada em 25/09/2020 às 15h03
Por: Redação
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Ex-ministro Celso Amorim
Ex-ministro Celso Amorim

“A aliança da China com a Rússia é sólida, vai se firmar e ter muita força no cenário internacional. Vai ser uma força que não teve nunca. As duas juntas são uma coisa tremenda", declarou o ex-ministro Celso Amorim.

“A aliança da China com a Rússia é sólida, vai se firmar e ter muita força no cenário internacional. Vai ser uma força que não teve nunca. As duas juntas são uma coisa tremenda. Tem a população da chinesa que é imensa. A população russa não é desprezível –é um pouco menor que a do Brasil—e a Rússia tem um território enorme, com riquezas naturais, inclusive petróleo. E com um grande poder militar. No curto prazo, é uma aliança no momento natural.

Simplificando muito, uma tem o dinheiro e outra tem as armas. É natural que as duas procurem se coordenar, e elas estão se coordenando, inclusive no setor de armas e bastante também em política externa”.

A análise é do ex-ministro Celso Amorim ao Tutameia. Para ele, essa coordenação acontece agora, por exemplo, com a Rússia apoiando a China nas questões do Mar do Sul da China e com a China apoiando a Rússia em relação ao Belarus. “Há uma visão que se criou em torno da Rússia que é totalmente absurda. Não contentes em expandir a Otan para os países do leste europeu, isso passou a entrar nos países da antiga União Soviética. As pessoas falam em império soviético. Mas esses países eram parte da Rússia czarista.

Esses países eram parte da antiga Rússia, e agora há uma determinação de avançar até a fronteira. Não é à toa que houve todas as manifestações na Ucrânia, na Geórgia Ocidental. Não é à toa esse barulho torno da Belarus. Não sei o governo de lá o que é que é. Provavelmente não é bom. O cara é presidente há 20 anos; não é coisa boa. Não vou defender o governo. Mas não tenho a menor dúvida que esse interesse todo pela democracia da Belarus, que não havia se manifestado, por exemplo, pela democracia na Arábia Saudita, tem tudo tem a ver com o assunto estratégico. Isso leva a Rússia a se aproximar mais da China”, afirma.

Já a China, continua o ministro, “vai sendo fustigada: Hong Kong, Mar da China Taiwan. Pela primeira vez, um funcionário de altíssimo nível dos EUA vai a Taiwan, contrariando uma política de mais de 40 anos. Rússia e China têm sido muito atacadas pelos EUA, com ênfases e maneiras diferentes, de acordo com o partido no poder. O inimigo do meu inimigo é o meu amigo. Essa é uma das frases mais faladas quando se trata das alianças”.

A aliança inédita, explicitada em documento divulgado no último dia 11 de setembro, é baseada em interesses nacionais, não em similitudes ideológicas, de acordo com Amorim. “Putin não tem nada de marxista. O principal partido de oposição ao Putin é justamente o partido comunista”, lembra o embaixador.

 

Fonte: Brasil 247

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