
Um serviço que lida com risco de vida perder tempo atendendo ligações obscenas ou pedidos de atendimento para situações inexistentes é inaceitável. Segundo a enfermeira Luciana Lopes, coordenadora administrativa, ocorreram 7.418 trotes de janeiro a outubro de 2019 que podem ter inviabilizado uma necessidade real. Em algumas situações, a narrativa falsa levou à mobilização da SAMU e da Polícia Militar. O enfrentamento desta questão dependia de lei municipal que estabelecesse sanções pecuniárias com possibilidade de conversão para serviços comunitários, além da participação dos transgressores em palestras sobre o serviço. Já temos uma.
A editora do jornal SCR levou o problema à Câmara Municipal de Alagoinhas e o vereador Luciano Almeida, sensibilizado pela situação, apresentou projeto de lei que foi aprovado pela casa e sancionado pelo prefeito Joaquim Neto sob nº 2.517/2020, dispondo sobre a aplicação de multa aos responsáveis por trotes contra os serviços de atendimento em nosso município. Assim, proprietários de linhas telefônicas, fixas ou móveis, das quais sejam originados trotes para o SAMU, GUARDA MUNICIPAL, DEFESA CIVIL e os demais serviços de urgência e emergência mantidos pelo município de Alagoinhas, ficam sujeitos a multas, nos termos dessa lei.
O QUE VOCÊ PRECISA SABER SOBRE O SAMU
É sempre bom lembrar que o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU 192) tem como objetivo atender rapidamente a ocorrências que se caracterizem como emergência ou urgência médica que provoque sofrimento, sequelas ou até mesmo a morte. Podem ser de natureza clínica, cirúrgica, traumática, obstétrica, pediátrica, psiquiátrica, entre outras.
Serviço gratuito, que funciona 24 horas prestando orientações e/ou enviando veículos tripulados por equipe capacitada, acionada por uma Central de Regulação das Urgências, desempenha um papel inestimável no atendimento à saúde pública. Seguindo o modelo francês Service d'Aide Médicale d'Urgence — que faz uso da mesma sigla "SAMU", foi o primeiro produto do Plano Nacional de Atenção as Urgências criado pelo governo Lula em 2003 com recurso financeiro para a manutenção através de custeio tripartite, sendo 50% do governo federal, 25% do governo do estado e 25% dos municípios.
Veja quando chamar o SAMU
O processo de atendimento começa com o técnico auxiliar de regulação médica, que pede informações básicas: nome, telefone, informações precisas de endereço e qual a queixa principal do paciente. Já tenta fazer uma triagem para ver se é uma situação real ou trote. Em seguida passa a ligação para o médico regulador que faz uma escuta qualificada da demanda. Ex: se a queixa é uma dor de cabeça forte, procura saber se está dentro do critério de atendimento de urgência ou não. Se não, o médico orienta o paciente sobre medicação e o atendimento que deve buscar posteriormente, se o problema persistir. Se for uma dor de cabeça com o critério de gravidade, enviam uma equipe que, ao chegar no local, passa a informação do quadro para a central e recebe a orientação no encaminhamento.
SAMU não é taxi, nem Uber
Importante registrar que a função do SAMU não é transportar paciente que não seja caso de urgência ou emergência. Se o paciente está gripado, machucou o pé ou desmaiou em casa por conta de embriaguez, por exemplo, cabe a ele ou à família transportá-lo, caso se faça necessário o atendimento médico. O serviço também não tem a função de facilitador de acesso ao hospital, recurso muito usado pela população na tentativa de burlar a ordem de atendimento. Por conta disso a SAMU já adotou o seguinte critério: se a pessoa conseguir que a ambulância se desloque para atendê-lo, mas for constatado que quer apenas agilizar o atendimento no hospital não irá conseguir, terá que passar pela triagem.
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