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Covid-19: Conter epidemia é desafio de gestores

Covid-19: Conter epidemia é desafio de gestores

08/06/2020 às 09h05 Atualizada em 08/06/2020 às 12h05
Por: Redação
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Três meses após o registro do primeiro caso de Covid-19 na Bahia, dia 6 de março, em Feira de Santana, a doença chegou a 337 municípios, com 23.250 casos confirmados e 879 óbitos, segundo boletim da Secretaria da Saúde do Estado (Sesab) de ontem. Com adoção de uma série de medidas para reduzir a circulação de pessoas, na última quinta-feira, a Bahia tinha 157,8 casos por 100 mil habitantes, ocupando a 20ª posição nacional em incidência da Covid-19, segundo dados do Ministério da Saúde.

A suspensão das aulas nas redes pública e particular em toda a Bahia, a suspensão do transporte intermunicipal - atualmente englobando 290 cidades, e a determinação do uso obrigatório de máscaras estão entre dezenas de estratégias adotadas pelo governo estadual para reduzir a disseminação do novo coronavírus. Em parceria com gestores municipais, também foi decretada a antecipação de feriados e a implantação de toque de recolher.

Para o secretário da saúde do Estado, Fábio Vilas-Boas, cada uma das medidas contribuiu para a redução da taxa de crescimento de casos, que chegou a ser superior a 30% ao dia. “Estamos trabalhando com taxas inferiores a 5%, com isso nós conseguimos “lentificar” a curva de crescimento, o que nos permitiu adequar a rede hospitalar, de modo a absorver a demanda que vem sendo gerada todos os dias”, avalia.

Considerando leitos preexistentes e os criados para aumentar a capacidade de atendimento público durante a pandemia, o boletim da Sesab, de ontem, informou que a Bahia conta com 814 UTIs (Unidades de Terapia Intensiva) e 1878 leitos clínicos exclusivos para Covid-19, com taxa de ocupação de 68% e 55% respectivamente.

A Sesab ressalta que novos leitos são abertos progressivamente, de acordo com a demanda, e que a previsão é que 3.043 leitos clínicos e UTI exclusivos sejam disponibilizados em toda a Bahia, sendo 1.389 no interior e 1.654 na capital. Os números de ontem apontam que 88,5% do total programado já está em funcionamento.

Na linha de frente do funcionamento desses leitos, os profissionais de saúde representam cerca de 14,5% dos casos de Covid-19 registrados em todo o estado. De acordo com os sindicatos que representam os servidores estaduais e os trabalhadores  terceirizados do setor é preciso melhorar a qualidade dos equipamentos de proteção fornecidos aos profissionais, como máscaras N95, e efetivar o pagamento de 40% de insalubridade.

Questionada sobre o tema, a Sesab afirmou que a máscara N95 deve ser utilizada em procedimentos com geração de aerossóis, a exemplo da intubação traqueal e ventilação não invasiva.  A secretaria garantiu ainda que “todos os profissionais que atuam em unidades hospitalares possuem adicional de insalubridade, com diferentes níveis a depender do setor de lotação”.

Projeção - De acordo com o titular da Sesab, a previsão é de que até o final do mês, a curva de crescimento de casos ativos chegue ao platô, estágio no qual o número diário de casos novos será igual ao de pacientes recuperados a cada dia. Ontem, 12.131 dos casos confirmados encontravam-se recuperados, mas o boletim da secretaria não especifica os registrados nas últimas 24 horas.

Vilas-Boas considera que se a chegada ao platô ocorrer com todos os leitos de UTI plenamente operacionais e manutenção da baixa letalidade que tem sido registrada no estado, medidas para flexibilizar o distanciamento social podem ser adotadas.

“O primeiro critério que é recomendado pela OMS (Organização Mundial da Saúde) é que haja uma diminuição de casos e de óbitos sustentada ao longo de 14 dias”, explica  a vice-coordenadora do Centro de Integração de Dados e Conhecimentos para Saúde (Cidacs/Fiocruz), Maria Yuri Ichihara. A pesquisadora comenta que não tem maior detalhamento de cada município, mas considerando o panorama baiano não se percebe essa redução.

Maria Yuri esclarece que pode haver quedas pontuais, então é necessário considerar sua manutenção por 14 dias, por esse ser o período médio considerado para a transmissibilidade. Dessa forma, uma queda que mantém por 14 dias é um indicativo de que houve redução na transmissão do vírus.

A pesquisadora conta que modelagens feitas pela Rede CoVida, uma iniciativa conjunta do Cidacs com a Universidade Federal da Bahia, indicam que o número de casos de Covid-19 na Bahia seria maior sem a adoção de medidas em prol do isolamento social.  “Ainda não temos todo o conhecimento sobre essa pandemia, mas provavelmente as medidas contiveram o crescimento no estado”, comenta.

Salvador ocupa 1° lugar em mortes no estado - Salvador foi a segunda cidade baiana a registrar  Covid-19, no dia 13 de março, o que deu início à publicação de decretos para promover o isolamento social, incentivando a saída das pessoas apenas para atividades essenciais. Considerando a população, a capital tem o quinto maior coeficiente de incidência da doença no estado, mas em números absolutos ocupa o primeiro lugar em casos e mortes, concentrando 56,64% dos diagnósticos e 68,26% dos óbitos, considerando local de residência.

Além das ações gerais, nas últimas semanas, a gestão municipal passou a aplicar medidas mais restritivas em alguns locais, com duração variável. Incluindo a realização de testes rápidos e higienização da rua, o modelo está ativo em oito bairros atualmente. Em Pernambués, onde as medidas foram prorrogadas por mais sete dias, a primeira semana da iniciativa identificou 178 pessoas com Covid-19, o que corresponde a 20% do total de testes realizados.

Na avaliação do titular da SMS, Leo Prates, a ocupação dos leitos em torno de 72% registrada em 4 de junho demonstra que Município e Estado atuaram na hora certa, evitando colapso da rede de saúde com a adoção de medidas restritivas e ampliação de leitos. Ele ressalta que lamenta as mortes ocorridas, mas considera que todos os pacientes contaram com o suporte necessário no enfrentamento da doença.

O secretário destaca o trabalho de reforço das UPAs (Unidades de Pronto Atendimento), com a implantação dos chamados gripários, ampliando o número de leitos e salas vermelhas (com suporte para respiração). Prates afirma que, nos Barris, a capacidade foi dobrada, passando para 40 leitos e oito salas vermelhas, e que o mesmo modelo será levado à ilha de Bom Jesus e mais quatro UPAs: Paripe, Pirajá, Valéria e Pau Miúdo.

Presidente da Federação das Associações de Bairros de Salvador (Fabs), Kilson Melo considera que, em linhas gerais, a gestão da pandemia tem funcionado, principalmente quando comparada com a realidade de outras capitais e estados, mas acredita que há espaço para fazer mais. Melo considera que a necessidade de batalhar o ganho diário é a principal razão do número ainda elevado de pessoas em circulação nas periferias.

Prates afirma que a prefeitura está indo além dos próprios limites para ajudar a todos que precisam, com programa de distribuição de cesta básica e outras iniciativas assistenciais, a exemplo do auxílio financeiro para trabalhadores informais. Ele ressalta que todos estão enfrentando perdas com a pandemia, incluindo Estado e Municípios, com queda elevada de arrecadação de impostos.

Cidades com casos na Bahia tem cenários distintos na pandemia - Os 336 municípios do interior baiano que têm casos confirmados de Covid-19 representam, somados, cerca de 40% dos registros do estado, mas estão em momentos bem diferentes da pandemia. Em Feira de Santana, onde a doença foi identificada pela primeira vez no estado, até o dia 4, a prefeitura contabilizava 893 ocorrências e 13 mortes, e taxa de crescimento de casos entre 6% e 7%.

Na avaliação do prefeito Colbert Martins, o incremento atual está dentro do esperado diante do avanço da pandemia em todo o estado e as medidas de restrição conseguiram evitar uma disparada nos casos. Ele explica que ações para reduzir a circulação de pessoas serão implementadas nos bairros SIM e Tomba, que têm maior número de ocorrências.

Um hospital de campanha municipal foi inaugurado na última quinta-feira, somando 50 leitos clínicos e dez de UTI (Unidade de Terapia Intensiva) à rede estadual que já estava com 80% de ocupação. Colbert comenta que a cidade está mantendo o funcionamento dos serviços essenciais, de acordo com definição do governo federal, com exceções como academias de ginástica.

Já em Nova Viçosa, o crescimento de 28%  de casos num intervalo de cinco dias levou à adoção de toque de recolher a partir das 18 h. Definida em parceria com o governo estadual, a medida foi implantada ainda em outros 18 municípios do extremo-sul e deve ser mantida até terça-feira.

Segundo o secretário de saúde municipal, Mecias Fontes, 57 casos de Covid-19 tinham sido registrados na cidade até anteontem, sem nenhuma morte. Ele avalia que os moradores têm colaborado com o uso das máscaras, mas o toque de recolher foi importante para a redução da circulação, já que o comércio atrai um grande fluxo de pessoas.

 

Fonte: Jornal A Tarde

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