
O Centro de Convivência da Pessoa Idosa (CCPI), em Alagoinhas, passou a contar com uma turma da Educação de Jovens e Adultos (EJA). A iniciativa, lançada nesta terça-feira (14), é resultado de uma parceria entre as secretarias municipais de Desenvolvimento Social (SEDES) e de Educação (SEDUC) e busca ampliar o acesso à educação para idosos que desejam retomar os estudos.
Vinculada à Escola Municipal Professora Adalgisa Santos, a turma funciona no turno vespertino, dentro do próprio Centro de Convivência. A proposta atende principalmente pessoas que encontravam dificuldades para frequentar as aulas da EJA à noite ou que interromperam a trajetória escolar ao longo da vida.
Para a secretária municipal de Desenvolvimento Social, Lianne Carmo, o projeto representa uma oportunidade de resgatar um direito que muitos idosos não puderam exercer no passado. "Esse projeto significa dignidade e respeito. Muitos dos nossos idosos não tiveram oportunidade de estudar porque precisaram cuidar da família ou trabalhar para garantir o sustento. Aqui eles têm a oportunidade de recomeçar e conquistar mais autonomia por meio do conhecimento", afirmou.
A criação da turma surgiu a partir das demandas apresentadas pelos próprios frequentadores do CCPI. De acordo com a gerente de Políticas para Inclusão e Proteção aos Direitos da Pessoa Idosa, Lusiane Dantas, a iniciativa fortalece as ações voltadas à inclusão social. "Esse projeto nasceu da escuta dos participantes e fortalece as políticas públicas de inclusão, garantindo às pessoas idosas o acesso à educação em um ambiente acolhedor, onde elas também participam de atividades de lazer e convivência", explicou. Segundo ela, a intenção é expandir a experiência para outras regiões do município, incluindo a zona rural.
A coordenadora municipal da EJA, Rita Rezende, destacou que levar o ensino para espaços alternativos amplia o alcance da modalidade. "A educação transforma vidas em qualquer idade. Levar a EJA para espaços alternativos, como o Centro de Convivência, significa criar oportunidades para que mais idosos retomem os estudos com conforto, acolhimento e dignidade", disse.
Quem acompanha de perto o início das atividades também comemora os resultados. Para a vice-diretora da Escola Municipal Professora Adalgisa Santos, Railda dos Santos, a oferta das aulas no período da tarde tornou o acesso mais viável para muitos estudantes. "Sempre tivemos turmas de EJA no período noturno, mas essa experiência no turno vespertino foi um sucesso. Muitos idosos deixam de estudar à noite e agora encontraram uma oportunidade muito mais acessível", avaliou.
A nova turma já reúne histórias marcadas pela vontade de aprender. Aos 76 anos, Estauislau dos Santos frequenta uma sala de aula pela primeira vez. "A primeira vez que me abriram as portas para os estudos foi aqui no Centro de Convivência. Adoro as aulas e a professora é ótima. O meu maior desejo é aprender a escrever meu nome", contou.
A iniciativa já começa a transformar a rotina dos participantes. Uma das alunas é Maria de Jesus, de 69 anos, que precisou interromper os estudos ainda na infância para trabalhar. Anos depois, durante uma escuta popular, ela sugeriu que as aulas da EJA fossem oferecidas no período da tarde, considerando as dificuldades enfrentadas por muitos idosos para estudar à noite. "Eu sonhava em voltar a estudar. Pedi que as aulas fossem à tarde porque muitos idosos têm medo de sair à noite. Hoje estou muito feliz em ver esse sonho realizado", comemorou.
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