
Poderia chamar de bate-papo a entrevista que fiz hoje (06) com a nova diretora geral do SAAE, a engenheira sanitarista e ambiental Maria das Graças Castro Reis. Simpática, descontraída e jovial, abordou a polêmica surgida com a sua nomeação - tanto entre petistas quanto demistas que não conseguem separar desempenho profissional de escolha política -, contando-me que vivenciou essa situação por duas vezes.
Um pouco de história
"Quando Joseildo tomou posse, pediu ao Prof. Luiz Roberto Santos Moraes (UFBA) que lhe indicasse um técnico de confiança capaz de encarar o desafio de fazer do SAAE uma autarquia viável. Com apenas 2 anos de formada, quase sem nenhuma experiência profissional, fui eu a indicada." A primeira informação que deu ao prefeito foi de que sua família era "de direita", ao que Joseildo respondeu: "não importa, nem estou contratando família, nem partido, preciso de competência técnica." E, assim, Maria das Graças fez história no SAAE, onde entrou como diretora técnica e saiu, ao fim do segundo mandato do prefeito, como diretora geral, depois de ter feito o Plano Municipal de Saneamento, primeiro do Brasil, base do plano nacional. "Participar de uma gestão séria, ter tido uma excelente oportunidade profissional, fez com que me dedicasse inteiramente ao trabalho e me aproximasse do partido." E aí ela brinca, dizendo que foi dentro do PT, também, que encontrou o marido.
Oito anos passados, o novo prefeito de Alagoinhas, em busca de alguém com capacidade técnica para tocar a autarquia, recebe a indicação de Maria das Graças com a advertência "é a única para dar jeito mas ela é do PT." A resposta de Joaquim Neto foi quase igual a de Joseildo.
Situação Atual
Perguntado se a situação encontrada hoje está igual ou pior do que em 2001, a resposta foi preocupante. Segundo ela, tudo está muito pior: o sistema é arcaico, precisa de nova concepção, é muito frágil e, a qualquer momento, pode entrar em colapso. A situação financeira é terrível, as dívidas são enormes, são muitos os problemas a serem enfrentados. O financiamento através do PAC I e PAC II, que deveriam ter sido usados para executar o Plano Municipal de Saneamento, se arrastaram durante cerca de 10 anos e recursos foram desperdiçados. Hoje o governo JN está tentando salvá-los, dando as contrapartidas, já que o SAAE não tem condições.
A diretoria
A diretoria é composta por Maria das Graças, na direção geral, pela economista Nadja Suzete Ferreira de Lima, na diretoria administrativa e financeira, pela engenheira Valéria Figueiredo, na diretoria técnica e Eloisio de Oliveira Silva, na diretoria comercial, os dois últimos servidores de carreira da autarquia.
Cronograma
Primeiro, enxugar os custos, eliminar gargalos, resolver as inconsistências financeiras e salvar os convênios, paralelamente desenvolver projetos para captação de recursos federais. Entretanto, a diretora fez questão de frisar que não haverá nenhum passe de mágica, não há varinha de condão, só muita determinação para reverter a situação absurda a que a autarquia foi levada, o que demandará tempo.
Nadia Freire
Foto ASCOM SAAE
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