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Debate antirracista em colégio estadual de Salvador envolve música e contação de histórias

Mário Sankofa ressaltou a importância da oralidade na preservação das culturas africanas e afro-brasileiras e compartilhou histórias transmitidas entre gerações pelos mestres da tradição oral

09/05/2026 às 06h19
Por: Redação Fonte: Ascom Sec
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Fotos Carla Amorim
Fotos Carla Amorim

O som do instrumento conduzido pelo músico Rick Carvalho e as narrativas da tradição oral bantu transformaram o Colégio Estadual Clarice Santiago dos Santos, no bairro do Arenoso, em um espaço de memória, identidade e resistência nesta sexta-feira (8). A atividade, conduzida pelo contador de histórias Mário Sankofa, integra a programação do “Maio Antirracista”, iniciativa da unidade escolar que promove reflexões sobre a luta do povo negro, a valorização da ancestralidade e os impactos históricos da escravidão no Brasil contemporâneo.

Localizada em uma área que integrou o antigo Quilombo do Beiru, a escola desenvolve, ao longo do mês de maio, rodas de conversa, oficinas, palestras e atividades pedagógicas voltadas à Educação Antirracista. A programação propõe uma releitura histórica sobre o 13 de maio, destacando o protagonismo da população negra na conquista da liberdade e debatendo temas como racismo estrutural, desigualdade social, identidade quilombola e políticas de reparação social. “O ‘Maio Antirracista’ proporciona aos estudantes uma reflexão aprofundada sobre o período pós-abolição e reforça o protagonismo negro na construção da sociedade brasileira. A iniciativa integra toda a comunidade escolar neste processo formativo em prol do combate ao racismo”, afirmou o diretor da unidade de ensino, Marco César.

Durante a apresentação, Mário Sankofa ressaltou a importância da oralidade na preservação das culturas africanas e afro-brasileiras e compartilhou histórias transmitidas entre gerações pelos mestres da tradição oral. “Nada do que praticamos é inédito; reproduzimos a tradição de contar histórias, como ouvimos dos mais experientes”, destacou. Ao lado dele, o músico Rick Carvalho utilizou um instrumento ancestral para acompanhar as narrativas e aproximar os estudantes das raízes culturais africanas. “Proporcionamos às crianças uma experiência que remete às nossas origens, especialmente em uma escola que realiza um trabalho tão significativo”, disse.

Pertencimento e ancestralidade

A repercussão da atividade também mobilizou educadores da unidade escolar, que destacaram o impacto pedagógico da ação na formação dos estudantes. “A interação com as crianças foi de extrema importância para fortalecer o pertencimento e ampliar conhecimentos sobre a ancestralidade”, avaliou a professora do Atendimento Educacional Especializado, Amilca Fernandes. “Os alunos compreendem a relevância da identidade quilombola e desenvolvem protagonismo dentro e fora da escola”, acrescentou a professora de Língua Portuguesa, Rita Bonfim.

Entre os estudantes, a experiência despertou interesse por novas narrativas e diferentes perspectivas sobre a cultura africana. Aluna do 7º ano, Maria Clara Duarte afirmou que a atividade trouxe uma vivência enriquecedora ao apresentar histórias fora do padrão tradicional. “As narrativas africanas possuem profundidade especial e revelam aspectos do cotidiano que enriquecem a experiência do ouvinte”, relatou.

Tita Moura – Ascom/SEC

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