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Café e saúde: a relação entre o consumo da bebida e a pressão arterial

Café não causa hipertensão, mas deve ser ingerido com cautela por quem tem predisposição à doença

28/10/2024 às 08h18
Por: Redação Fonte: Exame
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Eva-Katalin/Getty Images
Eva-Katalin/Getty Images

Não é de hoje que  a relação entre a ingestão do café e os benefícios à saúde é tratada. Afinal, a bebida traz uma série de vantagens para aqueles que a consomem regularmente. Mas, quando o assunto é pressão arterial, costumam surgir dúvidas sobre os efeitos do café e as chances de desenvolver hipertensão.

Por isso, conversamos com especialistas e esclarecemos os principais questionamentos sobre o tema. Leia e descubra!

Café não causa hipertensão, estudos afirmam

Bruno Mioto, Doutor em Cardiologia pela Universidade de São Paulo (USP), explica que o café não é o causador da pressão alta e de outros problemas cardiovasculares. Pelo contrário, as evidências científicas não indicam um risco maior de desenvolvimento de hipertensão ou valores mais altos de pressão arterial em quem ingere a bebida regularmente. Segundo ele, diversas associações médicas internacionais relacionadas à cardiologia afirmam que, mesmo que a cafeína eleve a pressão, o consumo de café está associado a benefícios cardiovasculares.

Márcia Regina Simas Torres, autora do artigo “Ingestão de café e pressão arterial”, escrito para a Sociedade Brasileira de Hipertensão, e professora adjunta do Instituto de Nutrição da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, ressalta que, quando a cafeína é ingerida junto com o café, o seu efeito sobre a pressão é bem menor se compararmos com o consumo feito isoladamente. A provável explicação é a presença de várias outras substâncias que podem auxiliar na redução da pressão, contrabalanceando o efeito do composto.

Consumo de café deve ser moderado pelos geneticamente predispostos à pressão alta

De acordo com um estudo desenvolvido em 2019, na USP, o consumo habitual de mais de três xícaras de café de 50 ml por dia aumenta em até quatro vezes a chance de pessoas geneticamente predispostas apresentarem pressão arterial alta.

Andreia Machado Miranda, a principal autora do estudo, enfatiza que essa conclusão chama a atenção para a importância da relação entre o consumo de café e a prevenção da pressão alta: “Como a maior parte da população não tem ideia se é predisposta ou não a desenvolver a pressão alta, o ideal é fazer um consumo moderado de café. Até onde nós sabemos, pelos nossos estudos e por outros já publicados, esse consumo moderado é benéfico para a saúde do coração”.

Associação Brasileira da Indústria de Café (ABIC) recomenda que, pessoas não geneticamente predispostas à pressão arterial alta, bebam de três a cinco xícaras de 50 ml de café diariamente. Também é importante considerar a forma de preparo do café e, principalmente, a sensibilidade individual à cafeína para minimizar possíveis riscos. Para mais esclarecimentos sobre a condição, a entidade incentiva você a buscar a devida orientação médica.

 
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