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'Não se deve misturar ciência com religião', diz Marcos Pontes sobre vídeo de Damares

'Não se deve misturar ciência com religião', diz Marcos Pontes sobre vídeo de Damares

10/01/2019 às 11h27 Atualizada em 10/01/2019 às 14h27
Por: Redação
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Foto: Reprodução
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RIO - O ministro da Ciência e Tecnologia, Marcos Pontes, rebateu nesta quinta-feira a fala da ministra da Mulher, Família e Diretos Humanos, Damares Alves, sobre a teoria da evolução. Em um vídeo que veio a público na quarta-feira,de uma entrevista dada por Damares em 2013, ela dizia que a "igreja evangélica perdeu espaço na História ao deixar a teoria da evolução entrar nas escolas".

— Não se deve misturar ciência com religião — comentou o ministro, em entrevista à Rádio CBN. Para Pontes, do ponto de vista científico, são décadas de estudo para que a teoria da evolução fosse formada, e que, por isso, a tese não deveria ser questionada.

— Ela deve ter falado em algum tipo de contexto que eu não sei exatamente — ponderou ele. — Do ponto de vista da ciência, são muitas décadas de estudo pra formar a teoria da evolução, de Darwin em diante.

Em entrevista à pastora Cynthia Ferreira, em 2013, quando perguntada sobre o papel da Igreja e dos fiéis na política, Damares deu a entender que os evangélicos precisavam "ocupar a ciência". À época, ela era funcionária do gabinete do então deputado Arolde Oliveira (PSD), eleito senador em 2018, pelo estado do Rio de Janeiro, após nove mandatos como deputado federal.

— A igreja evangélica perdeu espaço na História. Nós perdemos o espaço na ciência quando nós deixamos a teoria da evolução entrar nas escolas. Quando nós não questionamos. Quando nós não fomos ocupar a ciência. A igreja evangélica deixou a ciência para lá. "Ah, vamos deixar a ciência caminhar sozinha". E aí cientistas tomaram conta dessa área. E nós nos afastamos — disse Damares.

Meta de 2% do PIB para ciência

O ministro Marcos Pontes também afirmou à CBN que trabalha para que 2% do Produto Interno Bruto (PIB) sejam destinados para pesquisas em ciência e tecnologia. Dentre os projetos prioritários para a pasta, ele apontou a expansão da internet de banda larga em todo o país e o aumento de projetos que envolvam a produção de inovação.

— O Brasil está muito atrás em inovação. Temos muitas publicações e poucas inovações. Precisamos melhorar a presença de empresas, produzir lucros para o país. Precisamos ajudar as empresas a terem um ambiente positivo de negócios — afirmou Pontes, que disse contar também com o apoio do setor privado para alavancar o setor de pesquisas no Brasil.

O ministro disse, ainda, que será necessário um reajuste orçamentário na pasta para recuperar os investimentos no CNPq e no Finep. Entre as saídas elencadas, destacou o uso de emendas parlamentares em projetos.

— O CNPq é essencial em pesquisa básica. É um dos nossos motores. Esse problema será tratado ao longo do ano — afirmou ele.

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