
O movimento Boicote, Desinvestimento e Sanções (BDS), que é composto por diversas organizações em todo o mundo em apoio à causa palestina e contrárias às ações de Israel, expressou consternação com a aprovação na semana passada, na Câmara dos Deputados, dos acordos de cooperação entre Brasil e Israel, os quais foram assinados durante o governo Jair Bolsonaro (PL).
O BDS insta o presidente Lula (PT) a reconsiderar e anular esses acordos e, em nota enviada à Folha de S. Paulo, diz ser "particularmente vergonhoso" que os acordos aprovados sejam na área de segurança pública. O movimento também expressa desaprovação em relação ao acordo de cooperação na área de Defesa, que foi firmado em 2019 por Bolsonaro e ratificado pelo Senado em 2021. "Muitas pessoas no Brasil, especialmente a comunidade negra, sabem que estes acordos militares, de cooperação para tecnologia, armamentos e treinamento não irão apenas exacerbar a matança na Palestina, mas também no Brasil".
Ao aprovar os acordos, o Congresso, segundo o BDS, dá uma "demonstração de cumplicidade flagrante por parte das instituições estatais do Brasil naquilo que especialistas em direito internacional descrevem como um genocídio israelense em curso contra o povo palestino".
O acordo assinado por Bolsonaro em 2019, durante sua visita a Jerusalém, na área de segurança pública, implica na colaboração entre as agências de segurança e inteligência de ambos os países, abrangendo investigações, compartilhamento de tecnologia da informação, intercâmbio de experiências em situações de crise e atividades de inteligência. No âmbito da cooperação na área de Defesa, os acordos estabelecem parcerias que envolvem a transferência de tecnologia, treinamento e educação no contexto militar. Os outros dois acordos aprovados na quarta-feira (18) estabelecem normas unificadas para a aviação civil entre Brasil e Israel e também garantem que brasileiros e israelenses que trabalhem em qualquer um dos países tenham direitos previdenciários, como aposentadoria.
Na declaração, o BDS faz um apelo ao governo brasileiro para que revogue os acordos, promova a busca urgente de um cessar-fogo na guerra e coordene esforços imediatos visando à assistência humanitária direta à região de Gaza.
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