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PT abre brecha para alianças com PL em 2024, e veto somente a 'projeto bolsonarista' divide o diretório nacional

PT abre brecha para alianças com PL em 2024, e veto somente a 'projeto bolsonarista' divide o diretório nacional

31/08/2023 às 08h11 Atualizada em 31/08/2023 às 11h11
Por: Redação
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Lula, à esquerda, gesticula durante a comemoração do aniversário do PT, ao lado da ex-presidente Dilma Rousseff e da presidente do partido, Gleisi Hoffmann: partido ensaia alianças com sigla de Bolsonaro nas eleições municipais — Foto: Cristiano Mariz/Agê
Lula, à esquerda, gesticula durante a comemoração do aniversário do PT, ao lado da ex-presidente Dilma Rousseff e da presidente do partido, Gleisi Hoffmann: partido ensaia alianças com sigla de Bolsonaro nas eleições municipais — Foto: Cristiano Mariz/Agê

Com divergência em seu diretório nacional, o PT aprovou uma resolução para as eleições municipais de 2024 abrindo brecha para alianças com o PL, partido do ex-presidente Jair Bolsonaro. O documento foi divulgado pelo partido nesta quarta-feira. Dirigentes petistas defendem acordos com o PL nos municípios onde houver interesses convergentes — no Rio, como O GLOBO mostrou nesta quarta-feira, há sondagens em andamento entre os dois partidos em municípios da Baixada Fluminense e da Região Metropolitana.

Em reunião do diretório nacional na segunda-feira, a cúpula do PT apresentou uma proposta de resolução que, entre outros pontos, veta alianças com "candidatos e candidatas identificados com o projeto bolsonarista". Houve uma tentativa, noticiada pelo jornal Folha de S. Paulo e confirmada pelo GLOBO, de endurecer o texto, para proibir que candidatos petistas apoiassem ou fossem apoiados por integrantes do PL nas próximas eleições municipais.

A sugestão de um veto mais rígido ao PL foi encabeçada pelo historiador Valter Pomar, uma das lideranças da corrente interna Articulação Esquerda, e abraçada por outras correntes minoritárias no diretório nacional. Detentora da maioria das cadeiras no diretório, a corrente Construindo um Novo Brasil (CNB), integrada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, barrou a mudança no texto e manteve a restrição apenas ao que for enquadrado como "projeto bolsonarista", sem especificar filiação partidária. A CNB reúne outras das principais lideranças do PT, incluindo a presidente do partido, Gleisi Hoffmann.

O deputado federal Jilmar Tatto, secretário de Comunicação do PT e ligado à CNB, afirma que o objetivo da resolução é marcar distância para aliados de Bolsonaro, mas "sem olhar para o retrovisor". Tatto avalia que, em determinados municípios, pode ser vantajoso ao PT se aliar a integrantes do PL que estejam sinalizando aproximação com o governo Lula. Na Câmara dos Deputados, um quinto da bancada do PL votou a favor da reforma tributária, mesmo após Bolsonaro discursar contra o projeto, o que gerou um racha no partido.

— Se um candidato a prefeito é ligado a um deputado que tem votado conosco (no Congresso), não vamos apoiar só por estar filiado ao PL? Ainda mais considerando que, em casos assim, é possível ter um bolsonarista raiz se candidatando contra esse cara. Se ele estiver com Lula para 2026, temos que pensar no futuro, não no passado — argumentou Jilmar.

Em alguns dos principais colégios eleitorais do Rio, PT e PL vêm dialogando sobre composições para 2024. Pré-candidatos do PL às prefeituras de São João de Meriti e Nilópolis, na Baixada Fluminense, têm o apoio de deputados próximos à bancada petista na Câmara, que sinalizou abertura a uma composição. O PT, por sua vez, prioriza disputas em municípios como Niterói e Maricá, onde há movimentações para que o PL desmobilize candidaturas bolsonaristas.

Na reunião do diretório nacional do PT de terça-feira, outro alvo de divergência foi o trecho da resolução que condena a violência praticada por policiais. O texto sugerido por integrantes da CNB, e que acabou prevalecendo na queda de braço interna, diz que a "violência é um método inaceitável de ação por parte das polícias estaduais", evitando uma crítica irrestrita às forças de segurança.

O documento aprovado pelo PT também menciona que esse tipo de violência, além de atingir "a população mais jovem, pobre e preta", também atinge "os próprios policiais", e diz que cabe ao partido "ajudar nesse debate e em seus desdobramentos".

A menção à violência policial ocorre em um momento em que a Bahia, estado governado ininterruptamente pelo PT nos últimos 14 anos, é palco de índices elevados de mortes violentas e de letalidade provocada por ação policial. Ex-governador e ministro da Casa Civil, Rui Costa (PT) disse "não reconhecer" dados levantados por entidades não governamentais que apontam a escalada da violência no estado. O atual governador, Jerônimo Rodrigues (PT), chamou de "irresponsabilidade" as críticas e denúncias envolvendo a atuação da Polícia Militar baiana.

Fonte: O Globo

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