
A sugestão de um veto mais rígido ao PL foi encabeçada pelo historiador Valter Pomar, uma das lideranças da corrente interna Articulação Esquerda, e abraçada por outras correntes minoritárias no diretório nacional. Detentora da maioria das cadeiras no diretório, a corrente Construindo um Novo Brasil (CNB), integrada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, barrou a mudança no texto e manteve a restrição apenas ao que for enquadrado como "projeto bolsonarista", sem especificar filiação partidária. A CNB reúne outras das principais lideranças do PT, incluindo a presidente do partido, Gleisi Hoffmann.
O deputado federal Jilmar Tatto, secretário de Comunicação do PT e ligado à CNB, afirma que o objetivo da resolução é marcar distância para aliados de Bolsonaro, mas "sem olhar para o retrovisor". Tatto avalia que, em determinados municípios, pode ser vantajoso ao PT se aliar a integrantes do PL que estejam sinalizando aproximação com o governo Lula. Na Câmara dos Deputados, um quinto da bancada do PL votou a favor da reforma tributária, mesmo após Bolsonaro discursar contra o projeto, o que gerou um racha no partido.
— Se um candidato a prefeito é ligado a um deputado que tem votado conosco (no Congresso), não vamos apoiar só por estar filiado ao PL? Ainda mais considerando que, em casos assim, é possível ter um bolsonarista raiz se candidatando contra esse cara. Se ele estiver com Lula para 2026, temos que pensar no futuro, não no passado — argumentou Jilmar.
Em alguns dos principais colégios eleitorais do Rio, PT e PL vêm dialogando sobre composições para 2024. Pré-candidatos do PL às prefeituras de São João de Meriti e Nilópolis, na Baixada Fluminense, têm o apoio de deputados próximos à bancada petista na Câmara, que sinalizou abertura a uma composição. O PT, por sua vez, prioriza disputas em municípios como Niterói e Maricá, onde há movimentações para que o PL desmobilize candidaturas bolsonaristas.
Na reunião do diretório nacional do PT de terça-feira, outro alvo de divergência foi o trecho da resolução que condena a violência praticada por policiais. O texto sugerido por integrantes da CNB, e que acabou prevalecendo na queda de braço interna, diz que a "violência é um método inaceitável de ação por parte das polícias estaduais", evitando uma crítica irrestrita às forças de segurança.
O documento aprovado pelo PT também menciona que esse tipo de violência, além de atingir "a população mais jovem, pobre e preta", também atinge "os próprios policiais", e diz que cabe ao partido "ajudar nesse debate e em seus desdobramentos".
A menção à violência policial ocorre em um momento em que a Bahia, estado governado ininterruptamente pelo PT nos últimos 14 anos, é palco de índices elevados de mortes violentas e de letalidade provocada por ação policial. Ex-governador e ministro da Casa Civil, Rui Costa (PT) disse "não reconhecer" dados levantados por entidades não governamentais que apontam a escalada da violência no estado. O atual governador, Jerônimo Rodrigues (PT), chamou de "irresponsabilidade" as críticas e denúncias envolvendo a atuação da Polícia Militar baiana.
Fonte: O Globo
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