Também há variação regional no estudo, com a América Latina e o Caribe tendo mostrado prevalência maior que a média (55%). A única região da OMS com índice maior é a que inclui Oriente Médio e Norte da África (60%).
A margem de erro das estimativas nos países mais pobres, porém, foi mais alta, porque os levantamentos epidemiológicos são mais raros e menos detalhados.
Para compensar as lacunas na disponibilidade de dados, os cientistas fizeram análises de diversos fatores para saber quais poderiam contribuir para distorcer dados. Levaram em conta a época em que o estudo foi feito, a região, os subgrupos incluídos e outros fatores.
Os números revistos apontam que, todos os dias, pelo menos 15% da população sofre de um episódio de cefaleia durante o dia. Incluindo estudos de 1960 até 2020, os pesquisadores ainda ressaltam que a prevalência geral de dor de cabeça parece estar subindo em muitas regiões, mas a precisão dos dados não permite tirar conclusões definitivas.
“O que está claro é que, no geral, os transtornos de dor de cabeça são altamente prevalentes no mundo todo e podem ter um impacto alto. É interessante que no futuro analisar as diferentes causas e como elas variam entre os grupos para direcionar melhor a prevenção e o tratamento”, afirmou Stovner, em comunicado.
Uma das conclusões curiosas do trabalho foi a faixa etária de maior prevalência de cefaleia, entre 10 e 19 anos. Segundo Thais Villa, neurologista e diretora clínica do Headache Center Brasil, é a primeira vez que o grupo abaixo dos 20 anos aparece como o mais acometido pelo problema:
Para Alex Machado Baeta, neurologista da Beneficência Portuguesa de São Paulo, a pandemia foi sentida nos consultórios dos especialistas. Dores de cabeça estão na lista de sintomas relatados da chamada “Covid longa”.
— Com o surgimento da Covid-19, o número de pacientes com cefaleia crônica aumentou, e pacientes que já sofriam de enxaqueca pioraram muito — revela.
Entre os tratamentos para enxaqueca disponíveis hoje estão a neuroestimulação, que ativa nervos da cabeça por meio de aparelhos e torna o paciente mais resistente a crises; e a toxina botulínica, que é aplicada nas passagens nervosas inflamadas para “acalmar” o cérebro.
É importante ressaltar que dor de cabeça é um sintoma de que algum órgão do nosso corpo está em sofrimento, afirma Villa.
— Posso ter dor de cabeça, por exemplo, devido a uma inflamação no dente ou a um quadro viral. Já a enxaqueca é uma doença, que está relacionada à alta sensibilidade do cérebro aos estímulos do ambiente, também chamados de gatilhos. Assim, a automedicação com analgésicos e antiinflamatórios de balcão de farmácia, se em excesso, faz apenas com que a dor fique pior, crônica — explica. — É preciso tratar a causa, a doença, e não apenas os sintomas.
Fonte: O Globo
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