
— A beleza desse estudo é que ele desagrega os dados do ensino médio por municípios, o que não é comum de ser feito. Com isso, capta onde houve melhor desempenho e acha indícios bastante claros de que quando as redes conseguem bons percursos inteiros podemos ver efeitos e indicadores sociais na vida desses jovens — diz David Saad, diretor-presidente do Instituto Natura, que patrocina a pesquisa.
O documento analisou como as variações na qualidade do ensino básico, medidas pelo novo índice entre 2009 e 2014, estão relacionadas com diferentes indicadores de saúde, violência e mercado de trabalho de jovens de 22 e 23 anos entre 2014 e 2019.
— É interessante que para ter sucesso nesse indicador é preciso que deem certo todas as fases: manutenção de todos na escola, não repetência de ano e, no ensino médio, de responsabilidade do estado, o estímulo para fazer Enem e ir bem no exame. Assim, o poder público está entregando um jovem que fez todo o caminho como deveria ter feito — pontua Naercio.
Em estudo recente, os pesquisadores Francisco Soares, José Aguinaldo Silva e Maria Teresa Alves mostraram que apenas 53% dos estudantes brasileiros tiveram, no período entre 2007 e 2015, uma trajetória que possa ser considerada regular ao longo do ensino fundamental, sem evasão e repetência.
Com pouco mais de 100 mil habitantes, a cidade de Ubá, na Zona da Mata mineira, foi uma das 50 no Brasil que mais aumentaram seu Ideb-Enem neste período, segundo o estudo. A cidade ganhou mais de 500 novos universitários em 2019 em comparação com 2014.
— Ter mais universitários na cidade é muito positivo. Significa que Ubá terá, no futuro, mão de obra mais qualificada e melhor prestação de serviços. É um ganho de mais professores, fisioterapeutas, advogados... —analisa Samuel Gazolla Lima, mestre em Gestão e Avaliação da Educação pela UFJF/Caed e secretário municipal de Educação de Ubá.
Gazolla, que já havia ocupado o cargo entre 2009 e 2012, afirma que o município viu, apesar de mudanças na prefeitura, uma continuidade das políticas educacionais. Uma delas é a Prova Carinhosa, uma avaliação diagnóstica aplicada no ensino fundamental da cidade.
— Ela foi a base para a gente estabelecer metas de cada escola para alcançarmos e, com isso, planejar nossas ações. Essa estratégia, aliada a investimentos constantes nesses anos todos em infraestrutura, nos proporcionou importantes avanços no Ideb — avalia Gazolla.
De acordo com o estudo do Insper, os efeitos mostram que um aumento de um ponto no Ideb-Enem está associado a um aumento de 19 matrículas, em média. Eles são identificados especialmente nas matrículas em instituições privadas. Já para as matrículas em instituições públicas, foram percebidos aumentos, mas não estatisticamente significantes para a variação do índice.
— Esse é um índice com duas variáveis. Então, para crescer um ponto dele, é preciso melhorar a quantidade de alunos que fazem o Enem sem repetir nenhum ano ou o desempenho deles no exame — diz o exame.
Para o estudo, os pesquisadores utilizaram dados públicos externos como DataSus, Censo Demográfico do IBGE, Censo Escolar e do Ensino Superior do Inep, além de Microdados RAIS e CAGED do Programa de Disseminação das Estatísticas do Trabalho (PDET), do Ministério do Trabalho.
Fonte: O Globo
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