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Tragédia em Petrópolis: vítima enviou áudio e disse para tia que a amava antes de ser soterrada com a filha

Tragédia em Petrópolis: vítima enviou áudio e disse para tia que a amava antes de ser soterrada com a filha

18/02/2022 às 10h10 Atualizada em 18/02/2022 às 13h10
Por: Redação
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Foto: Reprodução
Foto: Reprodução

As duas moravam no Morro da Oficina, uma das áreas mais castigadas pelas chuvas torrenciais na Cidade Imperial

Ex-moradora do Morro da Oficina, em Petrópolis, na Região Serrana do Rio, a aposentada Terezinha Rodrigues de Souza Azevedo juntou as economias e realizou o sonho de comprar um sítio na região de Juiz de Fora (MG), para onde se mudou. À época, a felicidade não foi completa, pois deixou a sobrinha, a quem criou como filha, Michele Azevedo, que havia se casado e tinha uma filha, para trás. Na última terça-feira, preocupada com as chuvas em Petrópolis, que mataram mais de cem moradores, ela manteve contato com a moça e se prontificou a vir para Petrópolis e levá-la para Minas Gerais, mas não deu tempo. Após uma mensagem por áudio em que Michele narrava os deslizamentos na cidade e uma ligação em que se despediu com um "eu te amo, tia", a comunicação silenciou. A casa da moça estava no caminho do deslizamento e ela foi soterrada com a filha Larissa, de 6 anos.

Desesperada, dona Terezinha conseguiu ajuda com conhecidos na cidade e um carro a levou para Petrópolis. Ao chegar no pé do Morro da Oficina, ela se desesperou ao ver o cenário de destruição e desabou em lágrimas. Psicólogas que estavam no local tentavam prestar apoio para a senhora, que queria subir em meio a lama para procurar as familiares.

Ainda no local, ela encontrou um ex-vizinho, que estava ajudando nas buscas e confirmou que a casa de Michele estava entre as destruídas pelo deslizamento.

— Meu Deus, não deu tempo de eu vir buscar ela. Era minha filha, senhor — disse, em meio a soluços enquanto era abraçada pelo ex-vizinho.

— Nós conversamos durante toda a tarde. Eu estava preocupada, falei que iria vir buscar ela e minha neta. Ela me mandou um áudio dizendo o que estava acontecendo e liguei em seguida. Ela disse para eu não vir e disse que me amava e eu também. Depois disso não consegui mais falar, só ficou silêncio — completou.

Michele Azevedo havia completado 32 anos na semana passada. Criada por dona Terezinha desde criança, era descrita como muito afetuosa e apegada à tia e a filha. Todo dia, as familiares conversavam sobre a vida das duas, tanto em Petrópolis, como no interior de Minas.

— A gente se falava todo dia, minha filha era tão amorosa, tão carinhosa. Mandava bom dia, dizia que me amava. Sempre mandava fotos da minha netinha. Uma criança maravilhosa. Eu ia vir no meio do ano pra passar o mês na casa dela — comentou.

Querendo subir para ajudar nas buscas, dona Terezinha era contida por psicólogas e pela barreira de agentes da Defesa Civil. Ela ignorava os conselhos de procurar um lugar para se hospedar e prometia ficar na região.

— Eu quero ajudar a procurar que elas estão vivas, eu sei disso. Vou ficar aqui porque vão achar e eu quero abraçar ela.

Fonte: O Globo

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