
O aumento na ocupação de UTIs por causa da Covid-19 é um dos indicadores do impacto da ômicron no país. Oito estados e o Distrito Federal estão com ocupação crítica nos leitos, segundo o último boletim da Fiocruz, divulgado nesta quinta-feira (3).
A pesquisadora do Observatório Covid-19 da Fiocruz, Margareth Portela, aponta que não podemos menosprezar a variante, mas alerta que é preciso considerar que a alta nas taxas ocorrem com um total de vagas disponíveis inferior ao que estados e o governo federal ofereceram nos picos da pandemia em 2021.
"Nossa grande referência sobre ocupações de UTI acaba sendo de março a junho do ano passado. Foi o maior pico. O que vivemos hoje é muito diferente, mas não podemos menosprezar os problemas que podemos ter", alerta.
As taxas, verificadas entre 24 e 31 de janeiro, mostram que a pandemia segue acelerada no país e que governos e os cidadãos precisam continuar a vacinação, mantendo as medidas não farmacológicas, como uso de máscaras, distanciamento e minimizando as aglomerações.
A Fiocruz não têm levantamentos sobre os números de vagas de leitos oferecidos desde o começo da pandemia. Margareth explica que começou a observar o movimento de leitos em agosto do ano passado, quando as taxas começaram a cair. Ela comparou alguns dados como referência:
O Brasil viu os casos de Covid-19 explodirem entre março e junho de 2021. Chegamos a registrar quatro mil óbitos em um único dia, no mês de abril. Na época, o país tinha quase 10% da população com uma dose e 2,78% com duas doses. Até 02 de fevereiro de 2022, mais de 75% da população vacinável está totalmente imunizada (com duas doses) no país.
"Hoje temos menos leitos disponíveis do que tivemos entre março e junho do ano passado", diz.
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Brasil enfrentou pior fase da pandemia entre março e abril de 2021 — Foto: Kátia Castilho[/caption]
O rastreamento de leitos disponíveis começou a ser feito em agosto do ano passado, quando a pesquisadora percebeu a queda das taxas. "A situação foi melhorando a partir de junho/julho. Em 21 de junho, o Distrito Federal estava com 198 leitos disponíveis. Um pouco antes, eram mais de 400. Na última semana, o DF tinha 56 leitos", explica Margareth.
Ela dá outros exemplos: o estado do Maranhão tinha 594 leitos disponíveis em 21 de junho de 2021. Na última semana de janeiro eram 176 leitos. O Mato Grosso do Sul tem hoje mais de 100% dos leitos ocupados, mas são 156. Em 02 de agosto de 2021, o estado tinha 607 leitos.
O que a pesquisadora tem observado é que os estados estão aumentando leitos conforme a demanda.
"De uma forma geral, os estados vêm acrescentando 20 leitos, 30 leitos na outra semana. Os gestores estão gerenciando e respondendo à necessidade. Numa pandemia, não é problema fechar leitos, você tem que ter capacidade e agilidade de expandir ou retrair", diz.
Sobre hospitais de campanha, Margareth Portela acredita que eles ficaram para trás. "Reconheço a importância em situações de emergência, mas ter investimento na estrutura real é melhor", ressalta.
Margareth não tem dúvidas sobre a importância da vacinação durante a pandemia. O Brasil começou a imunização em janeiro de 2021, priorizando, por exemplo, idosos e profissionais da saúde.
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Vacinação contra Covid-19 em Caruaru — Foto: Edmilson Tanaka/Foto[/caption]
Com idosos imunizados, os mais jovens (40 a 59 anos) ainda não haviam recebido doses de vacina. Isso acabou refletindo em hospitalizações e óbitos dessa faixa etária.
"Analisando proporções dos grupos entre hospitalizados, você teve proporção maior de pessoas mais jovens. Vacinamos pessoas com mais de 60 anos e essa população adulta começou a prevalecer nesses casos mais graves. Depois, chegamos num determinado ponto, com todos vacinados, que os mais velhos voltaram a predominar, já que eles são os mais vulneráveis", explica.
Ela reforça que a vacinação é primordial para o controle da pandemia. As baixas coberturas vacinais em alguns estados e municípios neste momento também podem refletir em óbitos.
"É grave o fato de termos uma cobertura vacinal em muitos lugares muito baixa. A combinação de lugares com baixa cobertura vacinal e carência de recursos assistenciais é preocupante. O resultado da equação acaba sendo óbvio", comenta Portela.
Fonte: G1
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