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Pesquisadora da Fiocruz diz que alta na ocupação de UTIs ocorre em cenário com total de vagas menor do que em 2021

Pesquisadora da Fiocruz diz que alta na ocupação de UTIs ocorre em cenário com total de vagas menor do que em 2021

04/02/2022 às 09h41 Atualizada em 04/02/2022 às 12h41
Por: Redação
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Foto: Reprodução
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Mato Grosso do Sul está com ocupação de 103% nos seus 156 leitos disponíveis, mas estado tinha 607 leitos no ano passado. Brasil não tem levantamento sobre total de vagas ao longo da pandemia.

O aumento na ocupação de UTIs por causa da Covid-19 é um dos indicadores do impacto da ômicron no país. Oito estados e o Distrito Federal estão com ocupação crítica nos leitos, segundo o último boletim da Fiocruz, divulgado nesta quinta-feira (3).

A pesquisadora do Observatório Covid-19 da Fiocruz, Margareth Portela, aponta que não podemos menosprezar a variante, mas alerta que é preciso considerar que a alta nas taxas ocorrem com um total de vagas disponíveis inferior ao que estados e o governo federal ofereceram nos picos da pandemia em 2021.

"Nossa grande referência sobre ocupações de UTI acaba sendo de março a junho do ano passado. Foi o maior pico. O que vivemos hoje é muito diferente, mas não podemos menosprezar os problemas que podemos ter", alerta.

As taxas, verificadas entre 24 e 31 de janeiro, mostram que a pandemia segue acelerada no país e que governos e os cidadãos precisam continuar a vacinação, mantendo as medidas não farmacológicas, como uso de máscaras, distanciamento e minimizando as aglomerações.

A Fiocruz não têm levantamentos sobre os números de vagas de leitos oferecidos desde o começo da pandemia. Margareth explica que começou a observar o movimento de leitos em agosto do ano passado, quando as taxas começaram a cair. Ela comparou alguns dados como referência:

  • Em 21 de junho de 2021, o Distrito Federal estava com 198 leitos disponíveis. Um pouco antes, eram mais de 400. Na última semana, o DF tinha 56 leitos.
  • O estado do Maranhão tinha 594 leitos disponíveis em 21 de junho de 2021. Na última semana de janeiro eram 176 leitos.
  • O Mato Grosso do Sul tem hoje 103% dos leitos ocupados, mas são 156. Em 02 de agosto de 2021, o estado tinha 607 leitos.

Cenário é diferente de 2021

O Brasil viu os casos de Covid-19 explodirem entre março e junho de 2021. Chegamos a registrar quatro mil óbitos em um único dia, no mês de abril. Na época, o país tinha quase 10% da população com uma dose e 2,78% com duas doses. Até 02 de fevereiro de 2022, mais de 75% da população vacinável está totalmente imunizada (com duas doses) no país.

"Hoje temos menos leitos disponíveis do que tivemos entre março e junho do ano passado", diz.

[caption id="" align="alignnone" width="1459"]Brasil enfrentou pior fase da pandemia entre março e abril de 2021 — Foto: Kátia Castilho Brasil enfrentou pior fase da pandemia entre março e abril de 2021 — Foto: Kátia Castilho[/caption]

O rastreamento de leitos disponíveis começou a ser feito em agosto do ano passado, quando a pesquisadora percebeu a queda das taxas. "A situação foi melhorando a partir de junho/julho. Em 21 de junho, o Distrito Federal estava com 198 leitos disponíveis. Um pouco antes, eram mais de 400. Na última semana, o DF tinha 56 leitos", explica Margareth.

Ela dá outros exemplos: o estado do Maranhão tinha 594 leitos disponíveis em 21 de junho de 2021. Na última semana de janeiro eram 176 leitos. O Mato Grosso do Sul tem hoje mais de 100% dos leitos ocupados, mas são 156. Em 02 de agosto de 2021, o estado tinha 607 leitos.

O que a pesquisadora tem observado é que os estados estão aumentando leitos conforme a demanda.

"De uma forma geral, os estados vêm acrescentando 20 leitos, 30 leitos na outra semana. Os gestores estão gerenciando e respondendo à necessidade. Numa pandemia, não é problema fechar leitos, você tem que ter capacidade e agilidade de expandir ou retrair", diz.

Sobre hospitais de campanha, Margareth Portela acredita que eles ficaram para trás. "Reconheço a importância em situações de emergência, mas ter investimento na estrutura real é melhor", ressalta.

O poder da vacinação

Margareth não tem dúvidas sobre a importância da vacinação durante a pandemia. O Brasil começou a imunização em janeiro de 2021, priorizando, por exemplo, idosos e profissionais da saúde.

"Foi muito impressionante e claro. Quando a vacinação começou em janeiro, dois meses depois, começamos a ver a redução na proporção de hospitalizações e óbitos das pessoas mais velhas. Foi o momento em que se falou do rejuvenescimento da pandemia", conta.

[caption id="" align="alignnone" width="1459"]Vacinação contra Covid-19 em Caruaru — Foto: Edmilson Tanaka/Foto Vacinação contra Covid-19 em Caruaru — Foto: Edmilson Tanaka/Foto[/caption]

Com idosos imunizados, os mais jovens (40 a 59 anos) ainda não haviam recebido doses de vacina. Isso acabou refletindo em hospitalizações e óbitos dessa faixa etária.

"Analisando proporções dos grupos entre hospitalizados, você teve proporção maior de pessoas mais jovens. Vacinamos pessoas com mais de 60 anos e essa população adulta começou a prevalecer nesses casos mais graves. Depois, chegamos num determinado ponto, com todos vacinados, que os mais velhos voltaram a predominar, já que eles são os mais vulneráveis", explica.

Ela reforça que a vacinação é primordial para o controle da pandemia. As baixas coberturas vacinais em alguns estados e municípios neste momento também podem refletir em óbitos.

"É grave o fato de termos uma cobertura vacinal em muitos lugares muito baixa. A combinação de lugares com baixa cobertura vacinal e carência de recursos assistenciais é preocupante. O resultado da equação acaba sendo óbvio", comenta Portela.

Fonte: G1

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