
Crédito é uma necessidade e muitas vezes, no sufoco, não há como evitar. Mas é necessário estar sempre alerta aos riscos que podem trazer para a vida financeira. E, se não houver saída, priorizar o pagamento de créditos que tenham maiores juros, multas e correções.
Além de linhas com taxas altas, a recomendação de especialistas é evitar dívidas federais, como o FIES, bem como atraso de impostos federais e estaduais, a exemplo do Imposto de Renda, MEI, IPVA e IPTU.
"A correção dessas dívidas federais e estaduais é muito mais alta do que as das dívidas de bancos e dão mais dor de cabeça do que imaginamos", diz Alessandro Azzoni advogado, economista e Mestre em Direito.
Veja abaixo as recomendações de especialistas:
Linhas de crédito com imóvel como garantia, além do próprio financiamento de imóvel ou carro têm garantias reais e alienação fiduciária. Neles, a inadimplência pode acarretar na perda do bem.
Quando não há uma garantia real no empréstimo a instituição financeira precisa primeiro rastrear possíveis bens antes de executar a dívida e há a necessidade de solicitá-la na Justiça. A retomada do bem acontece de forma mais rápida quando há a garantia real. Portanto, não há muito tempo para ganhar fôlego financeiro.
E, segundo o advogado, não adianta argumentar à Justiça que o bem é da família e, por conta disso, impenhorável. "Ele seria um bem de família se não tivesse sido dado como garantia ao banco", explica Azzoni.
A retomada do imóvel ou carro pode fazer com que seja vendido por um valor bem abaixo do mercado. No primeiro leilão o imóvel passa por uma avaliação e segue um valor mínimo. Mas no segundo leilão será vendido por um valor mínimo determinado pela Justiça.
É recomendável também que o consumidor não descuide do pagamento de dívidas federais e estaduais, a exemplo do Imposto de Renda, MEI, Simples Nacional.
Caso fique inadimplente, o consumidor pode ser inscrito no Cadastro Informativo de Créditos Não Quitados do Setor Público (Cadin) Federal ou Estadual. Estar nessas listas significa enfrentar restrições financeiras como impossibilidade de fazer empréstimos, conseguir empregos e entrar em concursos, be como ter bens executados a qualquer momento.
Outro problema desses créditos é que a correção dos valores é alta. Do que ficar sem pagar essas dívidas, Azzoni recomenda contratar empréstimo no banco com juros mais baixos e pagá-las assim que possível.
"Nesses tributos incide juros diário que chega a 20%, enquanto em dívidas comerciais a atualização começa em 2%. Em dívidas comerciais há um limite para o pagamento de multas. No caso de tributos não. Ou seja, a chance que essas dívidas virem uma bola de neve é grande".
O Fies é uma dívida federal que também merece atenção. Ainda que sua amortização comece somente dois anos após a conclusão da faculdade, o aluno precisa lembrar do risco de estar desempregado e não ter condições de pagar.
Como o valor é retirado de um fundo educacional, e o valor que é pago por um aluno serve para financiar outros, ela tem juros de mora mais alto e pode acarretar na execução de bens e também inscrever o estudante na Dívida Ativa da União.
A regra número um para uma vida financeira saudável é evitar empréstimos com juros altos, como o rotativo do cartão de crédito e o cheque especial.
Em caso de sufoco, a recomendação é somar as dívidas e buscar um financiamento mais barato, ou tomar um empréstimo com juros menores para quitar as dívidas mais caras.
O mais caro é o cartão de crédito, e pagar a dívida corrigida com taxas de 350% ao ano é uma grande injustiça, na visão de Ione Amorim, advogada do Instituto de Defesa do Consumidor (Idec). "Muitos consumidores deixam de comer e pagar esse tipo de dívida porque são orientados a pagar divida mais cara antes. Mas esses juros devem ser revisados antes de qualquer proposta de pagamento".
Em vigor desde o início de julho, a Lei do Superendividamento pode ajudar quem entrou na bola de neve da inadimplência.
Caso as dividas sejam iguais ou ultrapassarem 100% da renda, é possível acionar a nova lei. Por meio dela, todos os credores serão chamados para realizar um único acordo e consolidar a dívida em uma única parcela.
Mesmo que as dívidas não cheguem a 100% da renda, mas atinjam 70% ou 80% do valor, é possível tentar usufruir da lei na Justiça. "Há um entendimento de que é difícil viver com apenas 30% da renda. Neste nível de endividamento o consumidor começa a priorizar pagamentos, e vai deixando alguns de lado".
Fonte: Exame
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