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Como familiares das 242 vítimas do incêndio na boate Kiss reagiram à condenação dos réus

Como familiares das 242 vítimas do incêndio na boate Kiss reagiram à condenação dos réus

11/12/2021 às 09h17 Atualizada em 11/12/2021 às 12h17
Por: Redação
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Kellen Ferreira abraça o promotor David Medina no júri da Kiss — Foto: Matheus Beck/g1
Kellen Ferreira abraça o promotor David Medina no júri da Kiss — Foto: Matheus Beck/g1

Julgamento dos quatro acusados durou 10 dias. Incêndio em casa noturna matou 242 pessoas e feriu outras 636 no dia 27 de janeiro de 2013 em Santa Maria, na Região Central do RS.

Quando o juiz Orlando Faccini Neto anunciou a condenação dos quatro réus no julgamento da Kiss, uma catarse emocional explodiu no salão do júri do Foro Central de Porto Alegre. Pais, irmãos, tios, primos e amigos das vítimas, de mãos dadas, mantiveram o silêncio e se expressaram apenas pelas lágrimas.

"Nós não temos aqui momento nenhum para comemorar, a não ser a comemoração da conquista da justiça, para mostrar para aquelas pessoas que nos taxavam como vingativas e rancorosas que nunca foi verdade. Sempre lutamos pela Justiça, e ela prevaleceu", disse o presidente da Associação dos Familiares de Vítimas e Sobreviventes da Tragédia de Santa Maria (AVTSM), Flávio Silva.

O Conselho de Sentença condenou os quatro réus: Elissandro Callegaro Spohr, Mauro Londero Hoffmann, Marcelo de Jesus dos Santos e Luciano Augusto Bonilha Leão. (Veja as penas abaixo) Porém, com a concessão de um habeas corpus estendida a todos, eles deixaram o plenário em liberdade.

  • Elissandro Spohr, sócio da boate: 22 anos e seis meses de prisão por homicídio simples com dolo eventual
  • Mauro Hoffmann, sócio da boate: 19 anos e seis meses de prisão por homicídio simples com dolo eventual
  • Marcelo de Jesus, vocalista da banda: 18 anos de prisão por homicídio simples com dolo eventual
  • Luciano Bonilha, auxiliar da banda: 18 anos de prisão por homicídio simples com dolo eventual.

Durante toda a leitura da sentença, as famílias permaneceram sentadas, trocando afagos e abraços, recebendo o consolo das equipes de apoio com enfermeiros e psicólogos. Depois, ficaram em pé, em uma roda, de mãos dadas com assistentes de acusação e os promotores Lúcia Helena Callegari e David Medina.

No fim, quando Flávio falou em nome dos pais, todos repetiram: "Que nunca mais se repita!"

Eles passaram a se abraçar e a comemorar, e também a agradecer aos promotores. Medina era o mais emocionado e, em prantos, confessou ao presidente da AVTSM que segurou o choro nos 10 dias de trabalhos e é admirador deles.

"Estamos satisfeitos com a condenação. É um marco nesse tipo de tragédia. É um aviso a todos aqueles que queiram receber jovens em seus estabelecimentos, que o Brasil vê isso como algo muito sério. E que não se repita", sublinhou.

[caption id="attachment_53570" align="alignnone" width="667"] Kellen Ferreira abraça o promotor David Medina no júri da Kiss — Foto: Matheus Beck/g1[/caption]

Após abraçá-lo, Kellen Ferreira, uma das sobreviventes que deu seu testemunho durante o processo, pontuou que o resultado é um aviso de responsabilidade aos proprietários desses tipos de estabelecimentos. Ela também perdeu amigos na festa.

"Que fique de lição para empresários que tenham um estabelecimento, que cuidem das pessoas que estão lá dentro", afirmou.

[caption id="attachment_53571" align="alignnone" width="667"] Isabel Rodrigues, a segunda da esquerda pra direita, chorou à leitura da sentença no júri da Kiss — Foto: Matheus Beck/g1[/caption]

Isabel dos Reis Rodrigues, mãe de Maria Mariana, uma das 242 vítimas, deixou o salão amparada. A força para acompanhar o julgamento, ela afirma, é pelos outros filhos.

"A luta sempre vai continuar, porque perdemos 242 filhos. A luta vai ser para sempre", diz.

O incêndio na madrugada de 27 de janeiro de 2013 em Santa Maria, na Região Central do Rio Grande do Sul, deixou 242 pessoas mortas e outras 636 feridas. As vítimas, em sua maioria, eram jovens estudantes com idades entre 17 e 30 anos, moradores da cidade universitária.

"Essa vitória não é nossa. Essa vitória é da população, e para que sirva de lição para alguns empresários que tomem tento e saibam que, de agora em diante, aqueles que falharem, de serem punidos. Que sirva de exemplo para que tragédias como essa da Kiss nunca mais se repita", completou Flávio.

A tragédia é a maior ocorrência em número de vítimas na história do Rio Grande do Sul e a segunda do Brasil, atrás apenas do incêndio do Gran Circo Norte Americano, em Niterói (RJ), que deixou 503 mortos em 1961.

Fonte: G1 Rio Grande do Sul

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