Terça, 24 de Fevereiro de 2026
22°C 32°C
Alagoinhas, BA
Publicidade

Uberização e a “liberdade” de trabalhar 12 horas por dia

Uberização e a “liberdade” de trabalhar 12 horas por dia

09/12/2021 às 08h25 Atualizada em 09/12/2021 às 11h25
Por: Redação
Compartilhe:

Já faz algum tempo que flexibilização virou a palavra queridinha do mundo do trabalho. A promessa é de horários menos rígidos, ambiente de trabalho descolado, home office e coisas do tipo. Tudo muito legal, se junto não viesse a redução de direitos trabalhistas. Há pouco mais de uma década, a cilada aumentou com a chegada de aplicativos como a Uber. Quem não quer escolher os próprios horários, não ter chefe, ficar mais tempo com a família?

Só que, 12 anos depois, as notícias agora são de motoristas cancelando corrida o tempo todo e largando o app. O que aconteceu nesse meio tempo?

Bom, acontece que o processo de uberização altera a forma, mas não ameaça o modelo de acumulação capitalista. Pelo contrário, a flexibilização sem limites aprofunda a submissão do trabalhador e amplia as possibilidades de lucro dos capitalistas.

Quem define o percentual que o trabalhador ganha e quais corridas ele pode fazer é o algoritmo. Então, na prática, aquela história de não ter chefe não é bem verdade. A diferença é que o chefe não tem rosto nem nome – mas tem um poder gigante.

Se na chegada os ganhos pareciam altos, depois de um tempo a situação foi mudando. A liberdade de não ter chefe e trabalhar quando quiser virou ter que trabalhar quase o tempo todo para conseguir sobreviver. Ou seja, o trabalhador tem a "liberdade" de trabalhar 12 horas por dia. Quer dizer, com o preço da gasolina nas alturas, muitos chegam a fazer jornadas de até 16 horas para pagar as contas.

Essa disputa está na Justiça. Ao menos quatro Tribunais Regionais do Trabalho no Brasil já deram ganho de causa a motoristas de aplicativo que alegaram vínculo de emprego com a Uber.

No início de novembro, o Ministério Público do Trabalho em São Paulo ajuizou uma ação pedindo que a Uber registre os motoristas em carteira imediatamente, alegando “fraude trabalhista”. Mas, quando os casos chegam à instância superior, a empresa tem levado a melhor. Até o momento, turmas do Tribunal Superior do Trabalho já decidiram cinco vezes pela inexistência de vínculo de emprego. Entenda aqui por que essa disputa continua em aberto na Justiça.

E assista ao vídeo para entender por que esse processo de uberização é tão avassalador e o que está em jogo nesse debate:

https://youtu.be/U1p8yDvbc2w

Não é só a Uber - A relação de trabalho é sempre desigual (e é por isso que é tão importante existir a Justiça do Trabalho): o trabalhador nunca tem o mesmo poder de negociação que o dono da empresa, que vai sempre tentar fazer de tudo para aumentar seu lucro. E aí não importa se as empresas são flexíveis ou não. Quer um exemplo? O Santander foi condenado por manter funcionários trabalhando até as 22h sem pagar hora extra em São Paulo.

Os empregados ficaram até mais tarde porque o banco estava tocando uma campanha para ampliar a carteira de jovens clientes (ou seja, para aumentar seu lucro). A ação ocorre dentro dos campi universitários após as 18h.

Fonte: Brasil de Fato

* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.
500 caracteres restantes.
Comentar
Mostrar mais comentários
Alagoinhas, BA
22°
Tempo nublado

Mín. 22° Máx. 32°

23° Sensação
1.36km/h Vento
96% Umidade
33% (0mm) Chance de chuva
05h35 Nascer do sol
17h58 Pôr do sol
Qua 32° 22°
Qui 31° 22°
Sex 28° 22°
Sáb 29° 22°
Dom 32° 22°
Atualizado às 02h01
Economia
Dólar
R$ 5,16 -0,09%
Euro
R$ 6,09 -0,06%
Peso Argentino
R$ 0,00 +0,00%
Bitcoin
R$ 345,235,18 -2,26%
Ibovespa
188,853,48 pts -0.88%
Lenium - Criar site de notícias