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Grupos organizam próximo ato contra Bolsonaro após maior intervalo sem manifestações

Grupos organizam próximo ato contra Bolsonaro após maior intervalo sem manifestações

10/11/2021 às 14h31 Atualizada em 10/11/2021 às 17h31
Por: Redação
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Do primeiro ato nacional “Fora Bolsonaro e Mourão”, no dia 29 de maio, um sábado, até hoje, foram realizadas sete manifestações que pedem o impeachment dos atuais representantes do Governo Federal e pressionam por aceleração da vacinação contra a covid-19 e contra as privatizações de empresas públicas, entre outras pautas. No entanto, do último ato, no dia 2 de outubro, até o próximo previsto, em 20 de novembro, Dia da Consciência Negra, serão completados 49 dias em que os partidos e organizações de esquerda, moderada e radical, não organizam um ato de reivindicação pela saída do atual presidente da República e seu vice. Os maiores intervalos até então haviam sido de 25 dias, entre os atos de 24 de julho e 18 de agosto e entre os atos de 7 de setembro e 2 de outubro.

A percepção sobre o tamanho do intervalo atual divide opiniões entre representantes de partidos e organizações, principalmente por conta do avanço da vacinação contra a covid-19 a partir de maio e o fato de que os números atuais de contaminação serem menores do que nos primeiros atos, ainda que o uso de máscara sempre tenha sido obrigatório. “Os atos em defesa da democracia, da vacina, contra a inflação, o desemprego e fome estão cada vez mais presentes na nossa jornada de lutas e organização, seja dos movimentos sociais, seja do PT e demais partidos de esquerda. O ‘Fora Bolsonaro’ é um grito presente em nossos atos de mobilização”, disse Éden Valadares, presidente do Partido dos Trabalhadores (PT) na Bahia.

O representante da direção estadual do Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado (PSTU) na Bahia, Otávio Aranha, discorda que os atos estejam cada vez mais presentes. “O grande problema é que derrubar Bolsonaro pela força das ruas parece não ser o objetivo das grandes centrais sindicais, assim como os partidos que dão apoio a essas centrais sindicais. O que eles pretendem é ir desgastando gradualmente Bolsonaro até a próxima campanha eleitoral. Infelizmente, são estas direções que têm levado ao desgaste e cansaço das próprias mobilizações do ‘Fora Bolsonaro e Mourão’. Isto é um grave erro que pode ter um forte preço”, opina o representante do PSTU na Bahia.

O ex-presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, é o único candidato a frente de Jair Bolsonaro nas pesquisas para a próxima eleição presidencial, que acontecerá no final do ano que vem. As principais projeções dão conta de um segundo turno entre o petista e o atual presidente. “Tem havido declarações individuais de personalidades e militantes que trabalham com a ideia da priorização da sua saída [de Bolsonaro] nas eleições 2022”, opina a presidente do Partido Socialismo e Liberdade (PSOL) na Bahia, Elze Facchinetti, que assim como seu correligionário, o deputado estadual Hilton Coelho, diz esperar a destituição de Bolsonaro antes do pleito eleitoral. “Nem eu, nem o PSOL e, com certeza, nem partidos como o PCB, o PSTU e a Unidade Popular [UP], coadunamos com a ideia de deixar tudo mais ou menos como está por conta da probabilidade de uma vitória eleitoral de Lula [em 2022]”, disse Hilton Coelho.

Para a presidenta nacional da União de Negras e Negros pela Igualdade (Unegro) e da coordenação da campanha Fora Bolsonaro na Bahia, Ângela Guimarães, as divergências podem fortalecer os atos, sejam elas sobre horizonte eleitoral, impactos da CPI da Covid nas ruas e estratégias seguintes para que se aumente a pressão pela destituição de Bolsonaro. “É neste caldeirão de múltiplas vozes e experiências que, desde que foi criada a campanha nacional Fora Bolsonaro, [os atos] vem liderando as ações nacionais de denúncia do genocídio perpetrado por Bolsonaro no país. Divergências existem, mas são equacionadas nos fóruns da campanha, com debates prévios de construção das ações”.

Diante da dificuldade em juntar forças divergentes, o saldo é satisfatório, no ponto de vista da presidente do Partido Comunista do Brasil (PCdoB) em Salvador, Aladilce Souza. “A construção dos atos nacionais contra Bolsonaro não é simples. É um processo que envolve dezenas de instituições, partidos, entidades sindicais, organizações dos movimentos sociais, lideranças diversas que analisam os contextos políticos para definirem data, formato e local dos atos públicos. Considero que os dois feriadões do mês de outubro, mais do que qualquer outro motivo, interferiram para não termos um outro ato nesse mês [outubro]”.

O presidente municipal do PT em Salvador, Ademário Costa, opina que o relatório da CPI da Covid, que aponta os crimes cometidos por Bolsonaro durante a pandemia, e o fato de que há ato confirmado no dia 20 de novembro, apesar do maior intervalo sem atos desde maio, reforça a ideia de que passos têm sido dados para a destituição da chapa formada por Bolsonaro e Mourão. “As coisas estão acontecendo e a agenda Fora Bolsonaro continua mais forte do que antes, já que a cada dia esse governo comete mais atrocidades não só contra a saúde, mas contra a educação, a economia, a democracia, o meio ambiente, as políticas sociais e diversas outras áreas”. Pedidos de impeachment contra Bolsonaro não foram nem aceitos, nem rejeitados, mas engavetados, tanto pelo ex-presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), como pelo atual, Arthur Lira (PP-AL). A confiança, entre representantes de organizações e partidos de esquerda, com relação às instituições e ao êxito da CPI da Covid-19, ainda não gerou consenso. “Não era objetivo da CPI uma derrubada imediata do Governo [Federal], o que poderia apenas ser [a derrubada imediata do Governo Federal] fruto direto da pressão social materializada em um processo de impeachment, ou na renúncia dos principais dirigentes do Governo [Federal], dentre estes a presidência”, diz o secretário do Partido Comunista Brasileiro (PCB) na Bahia, Giovani Damico.

Um dos pontos de discussão dentro dos grupos de esquerda que foram para os sete atos realizados entre 29 de maio e 2 de outubro, e que irão para as ruas em 20 de novembro, é a adesão de setores da direita na corrente que pede o impeachment de Bolsonaro. A deputada federal Alice Portugal (PCdoB) defende. “Mesmo com profundas divergências com grupos ex-bolsonaristas, repudio a violência. Eu defendo a recepção a todos que se perfilem contra Bolsonaro. Mesmo que essa frente ampla seja inorgânica, ela serve ao Brasil”. No entanto, a deputada enxerga que o ex-prefeito de Salvador, ACM Neto (DEM), ainda apoia o governo federal e por isso não teria espaço em reivindicações populares. “A dificuldade será do ex-prefeito de conseguir manter a narrativa que não tem relações com o governo de Bolsonaro, já que ocupa cargos no governo e sua bancada vota fechada com a pauta governista”.

Em uma linha contrária à de Alice, o coordenador do Partido da Causa Operária (PCO) em Salvador, Eric Menezes, não vê com bons olhos a estratégia. “Uma das políticas erradas adotada é a tal ‘Frente Ampla’, uma proposta de unir a esquerda com a direita chamada democrática, com aqueles que se dizem opositores do Bolsonaro, um engodo, que funciona como um freio para o avanço das mobilizações”. Em convergência com a opinião sobre o afastamento de setores da direita nos atos, o secretário político da União da Juventude Comunista (UJC-PCB) na Bahia, João Aguiar, enxerga que embora as divergências sejam normais na política, a dificuldade de se criar um consenso pode prejudicar a luta. “A esquerda precisa travar um amplo debate público, convencer a maioria da população que devemos lutar até o governo cair. Falta esse ímpeto, ainda há amplos setores do movimento que estão iludidos fazendo campanha eleitoral antecipada”. O próximo ato contra Bolsonaro em Salvador acontecerá no dia 20 de novembro, um sábado, às 13h, saindo do Campo Grande.

 

Fonte: Jornal A Tarde

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