
Após a demissão da presidência da Petrobras, por interferência do presidente da república, Jair Bolsonaro (sem partido), o economista Roberto Castello Branco,77, quebrou o silêncio entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo, publicada nesta terça-feira, 19. Nela, o atual membro do conselho da Vale relata sobre a gestão da economia no Brasil, a “militarização” da Petrobras e avalia a ideia do provável subsídio para botijões de gás. Ainda sobre a postura presidencial, Castello Branco afirma que “o governo se acha o dono da Petrobras” e que durante as pressões que sofreu no cargo, ficou nítido que “o presidente tem os caminhoneiros autônomos como seus apoiadores e defendia os interesses do grupo.”
Indagado sobre a pressão vinda ministério da Economia, do ministro Paulo Guedes ou do ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, Castello Branco revela que “não podia abrir mão de forma nenhuma dos meus princípios, da minha responsabilidade como administrador, fosse quem fosse o autor do pedido”, declara.
O ex-presidente da refinaria brasileira ainda foi acusado de vender diesel pela metade para o Paraguai, de não estar trabalhando, enquanto vivia o regime de home office, e sobre operar a venda de opções da Petrobras na bolsa de valores, ao lado de sua secretária. O economista sustenta o valor que dá a sua credibilidade em toda a entrevista. “No fundo, essas coisas contribuíram para me desgastar junto ao governo, mas não me arrependo um milímetro do que fiz”, diz.
“Sou uma pessoa que conhece dezenas de grandes portfolio managers, de operadores, não só em bancos brasileiros como estrangeiros. Teria dado uma dica para eles e ganho milhões de dólares e não R$ 11 milhões. Mas essa acusação não foi para a frente. Podem investigar à vontade. A minha secretária é uma pessoa honesta. Trabalhou 30 anos na Vale, foi secretária do presidente, foi minha secretária, e hoje é secretária do presidente de Furnas”, explana sobre a acusação de vender ações da Petrobras.
Acerca da militarização do alto escalão da refinaria, com a inclusão do almirante Eduardo Bacellar Leal Ferreira, presidente do conselho, que trabalhou com Castello Branco, e o general Joaquim Silva e Luna, que se tornou presidente da companhia, o economista entrevistado destaca que manteve boas relações com o almirante Eduardo Bacellar.
“A Marinha é bem mais próxima da Petrobrás. [...] Então, para um almirante, a Petrobrás não é algo tão desconhecido. A mesma coisa não posso dizer em relação a um general do Exército”, opina. Sobre o general que preside a Petrobras, Castello Branco reconhece o esforço de manter boa parte do funcionamento da empresa. “Ele preferiu não correr riscos para não ser responsável por nenhum desastre”, conclui.
Em relação ao subsídio de R$30 milhões para botijões de gás destinados a famílias mais pobres, Castello Branco demonstra-se contrário a forma em que está sendo levado pelo governo, em específico, por Jair Bolsonaro. “Ele é que tem de estruturar um programa, que deve ser aprovado pelo Congresso, para colocar uma dotação no orçamento para subsidiar o gás, como se faz nas nações democráticas, em vez de pressionar a Petrobrás”, avalia o economista.
Fonte: A Tarde
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