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Segundo analistas, Bolsonaro abriu o caminho para o impeachment

Segundo analistas, Bolsonaro abriu o caminho para o impeachment

08/09/2021 às 09h03 Atualizada em 08/09/2021 às 12h03
Por: Redação
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O presidente da república, Jair Bolsonaro, durante seu pronunciamento em manifestação na Esplanada dos Ministérios Foto: MATEUS BONOMI / Agência O Globo
O presidente da república, Jair Bolsonaro, durante seu pronunciamento em manifestação na Esplanada dos Ministérios Foto: MATEUS BONOMI / Agência O Globo

O presidente Jair Bolsonaro dobrou a aposta golpista e fez na terça-feira os mais contundentes discursos antidemocráticos contra o Supremo Tribunal Federal (STF). Após mobilizar manifestações em 179 cidades no feriado de 7 de setembro e atacar mais uma vez o sistema eleitoral brasileiro e as medidas restritivas adotadas por governadores no combate ao coronavírus, Bolsonaro mirou o ministro Alexandre de Moraes em falas para milhares de pessoas em Brasília, pela manhã, e São Paulo, à tarde. Na Avenida Paulista, em cima de um carro de som, o presidente chamou o magistrado de “canalha” e disse que não irá mais cumprir suas decisões judiciais.

Os movimentos do presidente ampliaram o seu isolamento político. Os ministros do STF se reuniram ontem depois dos atos e acertaram que o ministro Luiz Fux fará pronunciamento para hoje sobre a crise política. Entidades como a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e a Associação dos Juízes Federais do Brasil (Ajufe) reagiram à possibilidade de não cumprimento de decisão judicial por parte do presidente. Juristas apontaram o cometimento de crimes pelo presidente em seus discursos. Pela primeira vez, a defesa de abertura de um pedido de impeachment passou a ser cogitada por partidos de fora do campo da esquerda, como o PSDB, que informou estar disposto a debater a hipótese.

Leia a análise dos colunistas do GLOBO:

Míriam Leitão

Elite econômica se afasta do presidente

A alguns interlocutores de sua confiança, o presidente Bolsonaro havia prometido usar dois tons nos discursos. Seria mais forte em Brasília e menos em São Paulo. Fez o oposto. Foi beligerante nos dois, mas muito mais em São Paulo. O radicalismo assustou até aqueles políticos que pensavam ser possível montar uma ponte entre o presidente e os outros Poderes. Por isso o MDB falou em impeachment, o PSDB tenta superar suas divisões para defender o impedimento, o PSB, desde a véspera, já não descartava essa hipótese. Nos bastidores da política, PP, PL e Republicanos estão se queixando muito das atitudes do presidente. “E essas queixas são o primeiro passo” — afirmou uma fonte política. Uma fonte militar me disse: “O tom foi muito além do necessário, não se faz uma Nação avançar na anarquia.” No fim do dia, Bolsonaro estava mais isolado.

Merval Pereira

Bolsonaro cria clima para seu impeachment

O cineasta Woody Allen reproduziu em seu filme “Bananas” um episódio inusitado que aconteceu durante o congresso estudantil clandestino realizado em Ibiúna, no interior de São Paulo, em outubro de 1968, em plena ditadura militar. Eram mais de mil estudantes, que precisavam comer. A compra de centenas de pães na cidadezinha mais próxima acabou revelando o local da reunião da UNE, e todos foram presos.

Na versão de Woody Allen, guerrilheiros que se escondiam na selva foram denunciados porque compraram centenas de sanduíches, sendo um sem picles. O golpe de Estado com data marcada, uma esquisitice de Bolsonaro, poderia fazer parte de um enredo cômico do mesmo quilate. As faixas em inglês com a defesa do fechamento do Supremo Tribunal Federal (STF) foram o toque surreal da manifestação da Avenida Paulista, para que o mundo se convença de que o povo brasileiro, além de falar inglês, apoia o golpe.

Malu Gaspar

A saída da crise se dará pela política

O silêncio no zap das autoridades em Brasília depois do discurso de Jair Bolsonaro indicava que o que tinha acabado de acontecer havia mexido com os cálculos políticos de todos eles. Indicava, também, que vai começar uma nova etapa na longa crise vivida pelos poderes. Mas, para saber se ela será capaz de levar ao impeachment, vai ser preciso ver como os líderes do Judiciário e do Congresso, especialmente o presidente da Câmara, Arthur Lira, vão se entender nos bastidores.

Fonte: O Globo

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