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Economistas reduzem projeção do PIB de 2022

Economistas reduzem projeção do PIB de 2022

16/08/2021 às 09h34 Atualizada em 16/08/2021 às 12h34
Por: Redação
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2022 prometia ser o ano da retomada. Mas agentes do mercado têm revisado para baixo a projeção de crescimento, prejudicada por inflação, risco fiscal e instabilidade política

A aposta negativa mais recente veio da consultoria MB Associados nesta sexta-feira, 13, que tem agora uma das projeções mais baixas do mercado.

A perspectiva de crescimento do PIB no ano que vem saiu de 1,8% (patamar perto de onde estão outros bancos no momento) para 1,4% em novo relatório.

Sergio Vale, economista-chefe da MB Associados, aponta que um crescimento de 1,4% significa uma volta ao momento pós-recessão de 2016, o que considera um "padrão medíocre".

"Estaremos saindo da pandemia com a economia bastante desorganizada", diz.

O banco Itaú também reduziu nesta semana a projeção de crescimento em 2022 de 2% para 1,5%. Outro que estava com a aposta ainda alta, o Credit Suisse cortou na segunda-feira, 9, a previsão para o PIB do ano que vem de 2,5% para 2%.

Nos primeiros meses do ano — antes dos estragos da segunda onda do coronavírus, com colapsos como o de Manaus e a disseminação de mais variantes —, analistas chegaram a projetar alta de 2,50% e até de mais de 3% para o PIB de 2022. Mas as expectativas vêm derretendo desde então.

A mediana atual dos mais de 70 analistas ouvidos pelo Boletim Focus, do Banco Central, é de alta de 2,05% no PIB de 2022 e 5,3% neste ano.

O motivador das revisões para baixo no crescimento é a combinação entre as crises política e econômica que batem à porta, mesmo se a situação da pandemia melhorar.

Para Vale, os dois pilares econômicos principais, consumo e investimento, estarão muito prejudicados em 2022. A única boa notícia fica na frente de exportações (alta de 4%), mas não suficiente para compensar os demais setores.

Há desde a pressão fiscal nos gastos do governo, que deve seguir crescendo com a tentativa do presidente Jair Bolsonaro de se reeleger, até o desemprego alto e inflação sem dar trégua, que prejudicam o consumo.

A inflação e risco fiscal também têm feito o Banco Central entrar em uma espiral de aumento de juros, além do dólar se mantendo em patamares altos.

Sem crescimento e, sobretudo, sem confiança de que as coisas vão melhorar, a geração de empregos deve seguir prejudicada por mais de um ano, na opinião de Vale.

O Brasil, mesmo com a reabertura econômica, segue com taxa de desemprego recorde, na casa dos 15%, e mais de 14 milhões de desempregados. "É um ciclo vicioso", resume.

O caos político previsto para 2022, com a disputa provável entre Bolsonaro e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, certamente não ajuda na confiança.

De olho na eleição, o governo federal entregou ao Congresso a Medida Provisória do Auxílio Brasil, o "novo Bolsa Família". Os valores ainda não foram divulgados.

Também nesta semana, o Executivo enviou uma Proposta de Emenda à Constituição para parcelar os precatórios, dívidas da União que, com ou sem ampliação do Bolsa Família, já ameaçavam furar o teto de gastos.

A crise econômica e o cenário de incerteza devem respingar inclusive no primeiro ano do próximo mandato presidencial em 2023, segundo os analistas.

"A reabertura da economia com o avanço da vacinação irá encontrar um ambiente desorganizado e com alta de juros, o que torna o processo de retomada mais firme incerto", diz André Perfeito, economista-chefe da Necton Investimentos.

Entre a população, só um em cada três brasileiros achava que a economia iria melhorar até o fim deste ano, segundo pesquisa EXAME/IDEIA feita em julho.

Selic aos 7% e além

Tudo somado, a curva de juros futuros tem subido sem parar nas últimas semanas no Brasil, o que mostra que investidores já apostam que novas altas da taxa de juros são inevitáveis.

O patamar de juros abaixo dos 5%, por essa visão, pode ter ficado de vez para trás. A taxa básica de juros, a Selic, que começou o ano em 2%, sofreu quatro aumentos neste ano e está em 5,25% hoje.

Projeções dão como cada vez mais certo que a Selic feche o ano a 7%, o que era quase impensável em janeiro.

Um desafio apontado pelos economistas é que o simples aumento dos juros, no cenário brasileiro, não consiste em um controle de fato da inflação.

Perfeito, da Necton, aponta que os choques que têm levado ao aumento do preço são de oferta, mas que subir a taxa de juros atua na frente da demanda — o que não resolve o problema. Para ele, o Banco Central, sem ter outra alternativa, apenas "compra mais tempo na esperança de que as coisas se acalmem no plano inflacionário."

O cenário de expectativas baixas deve seguir piorando à medida que o país se aproxima do ano eleitoral em 2022. "Eu não me surpreenderia com novos cortes na projeção de crescimento até lá", diz Vale.

Fonte: Exame

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