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Cuba: entenda os motivos que levaram às maiores manifestações opositoras desde 1994

Cuba: entenda os motivos que levaram às maiores manifestações opositoras desde 1994

13/07/2021 às 11h12 Atualizada em 13/07/2021 às 14h12
Por: Redação
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Foto reprodução
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Apagões, crise econômica e nova onda de contágios da covid-19 se somam às dificuldades geradas pelo bloqueio.

Cuba viveu as maiores manifestações contrárias ao governo, desde o "maleconazo" de 1994, no último domingo (11). Os protestos foram convocados por redes sociais, com a hashtag #SOSCuba, começaram na cidade de San Antônio de Los Baños, estado de Artemisa, e foram registradas em 20 municípios da ilha, além de outras cidades no Estados Unidos.

Os atos começaram condenando os apagões de eletricidade e a nova onda de contágios da covid-19 e terminaram em gritos de "liberdade, "pátria e vida".

Logo depois das convocatórias, o presidente cubano visitou o município de San Antônio de los Baños, 36km a oeste de Havana, para dialogar com a população. Ainda no domingo, Miguel Díaz Canel convocou os comunistas cubanos a defender a revolução. "As ruas são dos revolucionários", afirmou em transmissão televisiva em cadeia nacional.

Meios de comunicação internacionais afirmam que existem cerca de 20 detidos, no entanto a informação não foi confirmada pelas autoridades cubanas.

Nesta segunda-feira (12), o chefe de Estado cubano convocou seu gabinete de ministros para dar explicações acerca dos problemas que foram denunciados nos protestos.

Depois de denunciar que as manifestações eram conduzidas pelo imperialismo, Diaz Canel reconheceu a legitimidade de algumas críticas, mas destacou que a razão de fundo para o descontentamento é o bloqueio econômico. "Há uma minoria de contrarrevolucionários que tentou dirigir essas manifestações. Mas aqui temos pessoas insatisfeitas, com incompreensões, com desejo de expressar algum problema", declarou o presidente cubano.

Apagões - Uma das reclamações são os constantes apagões elétricos no estado de Artemisa e em outras regiões do país. O governo cubano justifica que, desde 2019, com a aplicação de novas sanções unilaterais pela Casa Branca, Cuba tem sérias dificuldades para importar combustível e abastecer as usinas termoelétricas nacionais.

De acordo com o ministro de Economia, são necessárias 207 mil toneladas de diesel para abastecer termoelétricas e gerar energia para toda a ilha. A demanda mensal gira em torno de 60 e 70 mil toneladas de diesel, o que equivale a cerca de US$ 60 milhões. Além disso, somente em 2021 foram necessários US$ 350 milhões a mais para comprar combustível, devido ao aumento da demanda durante a pandemia e às dificuldades de importação.

"Muitos dos problemas que estão acumulados hoje não são pela pandemia, mas pelas restrições financeiras", disse o ministro de Economia, Alejandro Gil Fernández.

A promessa é de que até o final de julho duas usinas serão reativadas, Antonio Guiteras, em Matanzas (ocidente da ilha), e Felton, estado de Holguín (oriente do país), aumentando a oferta de eletricidade em 500MW.

Pandemia - Cuba vive neste momento uma nova onda de contágios da covid-19, acumulando um total de 238.491 casos, quase 205 mil se recuperaram, enquanto outros 1.537 faleceram, segundo o Ministério de Saúde Pública.

Nas últimas 24 horas, foram registrados 6.923 novos casos, uma cifra recorde desde o início da pandemia na ilha. Matanzas, Santiago e Havana, zonas turísticas e mais populosas do país, concentram 59% dos contágios de covid-19.

 

Fonte: Brasil 247

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