
Promoções, pesquisas e links falsos. As formas de abordagem de um dos golpes virtuais mais recorrentes no Rio Grande do Sul são variadas, mas o objetivo é o mesmo: roubar ou clonar contas do WhatsApp para, posteriormente, pedir dinheiro aos contatos das vítimas.
Para se proteger desses ataques, a principal recomendação de especialistas é ativar a confirmação em duas etapas, cadastrando um código de seis dígitos – o PIN – que será solicitado quando alguém tentar registrar o número de telefone no aplicativo novamente. Entretanto, criminosos têm utilizado novos métodos de manipulação para sequestrar até mesmo as contas que estão com essa proteção habilitada.
De acordo com o delegado André Anicet, titular da Delegacia de Repressão aos Crimes Informáticos e Defraudações (DRCID), do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic), a Polícia Civil já recebeu ocorrências sobre essa nova técnica de fraude. A seguir, entenda como o golpe funciona e confira dicas para não se tornar uma das vítimas.
O golpe - O ataque costuma iniciar com uma ligação em que o criminoso se apresenta como um funcionário do Ministério da Saúde que está fazendo uma pesquisa sobre a Covid-19. Ao final da conversa, ele solicita que o entrevistado repasse um código enviado por SMS para confirmar a participação.
Acontece que essa sequência de números é a senha necessária para que o WhatsApp seja cadastrado com o número da vítima em outro smartphone e, se a pessoa estiver com a confirmação em duas etapas desabilitada, sua conta já será roubada nesse momento.
Caso a proteção esteja ativada, o criminoso adiciona uma nova etapa ao golpe, entrando em contato com a vítima como se fosse da equipe de suporte do WhatsApp. Na ligação, ele afirma que foi identificada uma atividade suspeita na conta e pede que o usuário recadastre o PIN da confirmação através de um link enviado por e-mail.
Esse link, por sua vez, serve para desabilitar a proteção, permitindo que o criminoso utilize o código informado na primeira ligação para acessar a conta da vítima em outro aparelho. Em seguida, os estelionatários costumam se passar pela vítima para pedir dinheiro emprestado a amigos e familiares, por exemplo.
Cuidados necessários - Para Leonardo Lemes Fagundes, professor da graduação em Segurança da Informação da Unisinos e sócio diretor da empresa Service IT Security, a informação é a maior aliada contra esse tipo de crime virtual. Justamente por isso, ele acredita que idosos e pessoas com menos relacionamento com a tecnologia estejam mais suscetíveis a se tornarem vítimas desses criminosos.
O professor salienta que é preciso estar sempre atento às informações disponibilizadas por fontes confiáveis, a fim de confirmar a veracidade dos fatos e dos procedimentos adotados por grandes empresas e órgãos, como o WhatsApp e o Ministério da Saúde. No site do aplicativo, por exemplo, não há nenhuma referência de que a equipe de suporte possa fazer contato telefônico com o usuário.
Em nota, o WhatsApp informou que “não entra em contato com os usuários pro-ativamente por telefone para solicitar recadastramento de senha ou da confirmação em dois fatores”. A empresa pede ainda que, caso a pessoa receba uma ligação de alguém se fazendo passar pela equipe de suporte, denuncie pelo e-mail support@whatsapp.com.
No caso do Ministério da Saúde, realmente há um estudo sobre o coronavírus em andamento, em que os participantes são contatados para entrevista e agendamento de coleta de material biológico. No entanto, de acordo com a pasta, os cidadãos selecionados para a Pesquisa de Prevalência de Infecção por Covid-19 no Brasil (PrevCov) já foram previamente informados sobre a participação por SMS ou WhatsApp.
Além disso, em um texto sobre o estudo publicado em 11 de junho no site do governo federal, o Ministério da Saúde destaca que “não solicita código de celular para confirmar informações”. Para saber se está na lista de participantes da pesquisa, basta entrar em contato com a ouvidoria do Sistema Único de Saúde (SUS), pelo número 136.
— Se a pessoa está participando de uma pesquisa e precisa enviar um código, é importante consultar o site do órgão e verificar se isso realmente existe. Tem gente que não vai ter essa paciência, essa noção, mas se fizer uma busca rápida já pode saber se o estudo está mesmo sendo feito e se esse método de enviar um código para confirmar é utilizado — destaca Fagundes.
Sinais de alerta - Em golpes assim, os criminosos utilizam a chamada engenharia social — uma técnica de manipulação que induz as vítimas a executar ações ou repassar dados confidenciais — e é comum empregarem um falso senso de urgência à conversa, o que deve ser um sinal de alerta para o usuário, ressalta o professor Leonardo Lemes Fagundes:
— O que o criminoso quer fazer é dar o menor tempo possível para a vítima raciocinar, então ele cria um senso de urgência e esse é um sinal de que algo está errado. Por isso, desconfie de qualquer pressão, seja para repassar rapidamente um código ou clicar em um link para redefinir senhas.
Promoções e prêmios são outros métodos frequentemente utilizados por infratores na engenharia social, por este motivo, os usuários também devem suspeitar da possibilidade de ganho fácil.
Como se proteger - Leonardo Lemes Fagundes afirma que a confirmação em duas etapas do WhatsApp continua sendo uma importante ferramenta de proteção e, portanto, deve estar sempre habilitada. Ao ativar a proteção, é necessário informar um endereço de e-mail seguro, que somente o usuário tenha acesso.
O professor ainda orienta não manter esse e-mail conectado ao celular diariamente, pois isso dificulta ainda mais o acesso de criminosos. Também é recomendado que o usuário não compartilhe seu PIN com outras pessoas, nem mesmo amigos próximos ou familiares, e não clique no e-mail de redefinição de senha, caso não o tenha solicitado.
André Anicet, delegado titular da Delegacia de Repressão aos Crimes Informáticos e Defraudações (DRCID), enfatiza a importância de não repassar nenhuma senha ou código de segurança a desconhecidos e de registrar ocorrência caso seja vítima ou identifique uma tentativa de golpe.
Como ativar a confirmação em duas etapas:
Produção: Jhully Costa
Fonte: GZH
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