
Um certificado digital de vacinação contra a covid-19 entra em vigor nesta quinta-feira (01/07) para facilitar as viagens na União Europeia, a tempo do início das férias de verão no hemisfério norte. Mas a variante delta do coronavírus, mais infecciosa, ameaça seu uso pelos turistas europeus.
Disponibilizado em formato digital em celulares ou cópia impressa, o chamado passaporte de covid-19 contém um código QR que atesta se o portador foi totalmente vacinado contra a covid-19 com uma das vacinas aprovadas pela UE - Pfizer-Biontech, AstraZeneca, Moderna ou Johnson&Johnson (Janssen), se contraiu a doença e se recuperou ou se testou negativo recentemente para o coronavírus.
De acordo com a legislação da UE, o certificado tem o objetivo de eliminar a necessidade de quarentenas ou testes adicionais para o turista ao viajar entre os 27 países do bloco europeu ou quatro nações europeias do espaço Schengen (Islândia, Noruega, Suíça e Liechtenstein).
O comissário de Justiça da UE, Didier Reynders, afirmou que espera que todos os países-membros do bloco europeu estejam conectados ao sistema a partir desta quinta-feira. Somente a Irlanda, alvo de um ataque cibernético que visou seu sistema de saúde em maio, entrará em breve na plataforma.
Nesta quarta-feira, 21 países da UE já estavam aceitando o certificado, incluindo os grandes destinos turísticos França, Espanha, Itália, Grécia e Croácia. Porém, problemas foram relatados em países como Malta, Holanda, Romênia, Suécia, Hungria, Suíça e Chipre.
"Recomendamos a todos os Estados-membros que utilizem a ferramenta não apenas para a livre circulação, mas também para todos os usos nacionais possíveis e outros propósitos: ir a shows, festivais, teatros, restaurantes", disse Reynders.
No entanto, a disseminação da variante delta, inicialmente detectada na Índia e agora dominante em novas infecções no Reino Unido, antigo membro da UE, poderia desencadear um "freio de emergência" previsto na legislação e suspender sua aceitação.
A Alemanha já anunciou a proibição de entrada de viajantes de Portugal, onde a variante delta também se tornou dominante. Somente seus próprios cidadãos ou residentes estão isentos da decisão se ficarem em quarentena por duas semanas.
A decisão do governo em Berlim desagradou Bruxelas, com Reynders dizendo que "devemos evitar as proibições de viagem" dentro da UE e enfatizando que a Alemanha deveria ter consultado primeiramente seus parceiros no bloco.
O aumento surpreendente do número de infecções da variante delta no Reino Unido está gerando uma profunda preocupação no continente. Em uma reunião de cúpula da UE na semana passada, a chanceler federal da Alemanha, Angela Merkel, criticou os países do sul da Europa – desesperados para receber turistas – por permitirem a entrada de britânicos com pouca ou nenhuma verificação em relação à covid-19.
Nesta semana, Portugal, Espanha e Malta aumentaram abruptamente as restrições para os viajantes do Reino Unido, exigindo que estejam totalmente vacinados para que possam entrar no país.
Especialistas afirmam que o certificado digital europeu pode não ser o impulso para o turismo que muitos estavam esperando.
"Não há dúvida de que a indústria turística precisa de um impulso a tempo para a temporada de verão", afirma a consultoria Capital Economics em nota. Mas ela prevê que o certificado "terá muito pouco impacto no turismo europeu neste ano", acrescentando que "a maioria dos adultos não está totalmente vacinada, e a variante delta está deixando as pessoas e os governos mais cautelosos".
Estatísticas oficiais coletadas pela agência de notícias AFP mostram que 50,4% da população da UE já recebeu pelo menos uma dose da vacina – em comparação, no Reino Unido já são 65,7%. Até este momento, 32,7% das pessoas no bloco europeu são considerados completamente vacinadas.
Fonte: DW
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